Entrevista publicada em 15/08/2017 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“A Blank Space é essa realização”
Rodrigo Manastarla – Sócio-fundador da marca Blank Space

Rodrigo Manastarla

Dentro do cenário atual de jeans onde as marcas hype se voltam à produção em pequena escala, o selvedge denin é a estrela e os processos artesanais são valorizados. A Blank Space inaugurada no dia 03 de maio no Brasil, investiu neste conceito em sua loja que é também fábrica, atelier e lavanderia. As máquinas de costura ficam a vista do cliente. Todo o processo, além de artesanal, é bem personalizado. Com uma pegada old school, os denims europeus são a preferência da casa, ao lado de modelagens bem estudadas, onde menos é mais. O caimento e o acabamento das calças mais parecem o de um terno saído de Savile Row. A marca é voltada para a essência, para o raw. O tecido feito em teares pequenos e antigos, segundo as tradições da indústria no século passado, que criam variações e inconsistências, tornam a peça única. Como o raw denim não recebe nenhum tratamento, ele perde coloração mais rapidamente. Aqui, quem “imprime” a marca é o corpo de quem veste. O jeans Blank Space é uma tela em branco. Um espaço que aguarda a impressão de autenticidade do cliente. “As pessoas não procuram mais um rótulo, querem uma peça que imprima individualidade. (…) Durante minha carreira, tive a oportunidade de ver e entender como funcionam diferentes marcas. Seus valores, diferenciais e propostas. De um lado, por conhecer os ‘bastidores’ das marcas, e por outro, como consumidor de moda”, diz Rodrigo Manastarla.

 

Rodrigo, como a sua carreira foi iniciada até chegarmos nos dias atuais?

Tenho 22 anos de atuação no segmento têxtil internacional. Iniciei no segmento de tecidos contract/industriais, e anos depois migrei para a moda/vestuário. Participei dos principais eventos têxteis no mundo, desde Premiere Vision (Paris e Nova York), Texworld (Paris), Colombiatex (Colômbia), Emitex (Argentina), entre outras. Em meados da década passada, fundei uma fábrica de confecção na cidade de Lima (Peru), por onde trabalhei via sistema Private Label para marcas no Brasil, Argentina, Uruguai, África do Sul, Austrália, EUA e Canadá. A nossa empresa no Brasil sempre teve o objetivo primário de chegar ao varejo. A Blank Space é essa realização. O planejamento já completa 4 anos, sendo o último a primeira parte do processo de execução.

 

Como surgiu a ideia de trazer a marca Blank Space para o Brasil?

Durante minha carreira, tive a oportunidade de ver e entender como funcionam diferentes marcas. Seus valores, diferenciais e propostas. De um lado, por conhecer os ‘bastidores’ das marcas, e por outro, como consumidor de moda, visualizei diversos gaps/vazios entre a proposta (vs) a necessidade do consumidor. Essa foi a primeira semente motivadora para a Blank Space: criar uma marca absolutamente focada no consumidor, nas suas necessidades, desejos e expectativas.

 

Quais os principais diferenciais da marca?

O principal é o fato de sermos um maker. Fabricantes, na essência. Não somos intermediários. Vivemos diariamente entre a vitrine e mesa de corte, e não por coincidência, no mesmo local físico.

Na Blank Space, não se mede qualidade para a composição de um produto. Em nenhuma circunstância. O objetivo é oferecer o máximo de qualidade tecnicamente possível. No design, na modelagem, na construção das peças, nas matérias-primas, nos insumos, nos acabamentos. Buscamos atingir o nível máximo de qualidade.

Trazemos matérias-primas da Itália, Turquia, Peru, Uruguai, entre outros, que são apreciadas e valorizadas nos principais mercados do mundo. E, por sermos essencialmente fabricantes buscamos vender a um preço justo. Minha maior motivação é enxergar que o cliente terá um sentimento de ganho a cada compra. O segundo diferencial é o hand made. Retomar os passos na história, da maneira de como o vestuário era fabricado antes de se tornar uma commodity de produção massiva.

O terceiro diferencial é a filosofia da marca: entregar uma “plataforma em branco” onde o consumidor possa expressar e desenhar sua individualidade. Um dos caminhos que mais gostamos é o engajamento da marca com a arte. A criatividade, a autenticidade e a essência da criação.

 

A marca Blank Space é voltada para a essência (como já foi dito pela mídia especializada). Nos fale um pouco mais sobre isso.

Nunca nos baseamos pela superficialidade, pelo “parecer bonito”. O produto tem que ser bom na sua essência, já começa por aí. Ele tem que ficar melhor com o tempo, e não se ‘desmontar’ após algumas lavagens.

O produto Blank Space tem que superar as expectativas do consumidor. Suprir até os desejos mais intrínsecos, ou que estejam adormecidos após anos de compras compulsivas. Uma satisfação plena. Oferecer e entregar valor.

A outra parte é a essência do consumidor. A individualidade, a autenticidade, e expressão através da roupa que veste. Queremos ensinar os clientes como lavar seus jeans corretamente, para que ele possa “entender” o corpo do consumidor e ficar mais bonito e único com o tempo.

 

Esse mercado também tem sofrido de certa forma com o cenário econômico brasileiro?

Entendo que, com a entrada da tecnologia e outros bens de consumo, o cenário do setor de vestuário vem passando por profundos ajustes e modificações. No Brasil, como sempre, esse impacto tende a ser ainda mais intenso.

Vejo um lapso enorme entre o valor que se entrega, o preço que se cobra e a capacidade de orçamento do consumidor. O desequilíbrio traz inconstâncias. É inevitável.

 

Você disso algo interessante, quando falou que as pessoas não buscam mais um rótulo e sim uma peça que imprima individualidade. Acredita que essa individualidade, tinha se perdido ao longo do tempo?

Eu gosto de dizer que o consumidor não usa Blank Space, mas a Blank Space veste o consumidor. Vejo uma enorme diferença nisso. O valor maior está no consumidor. Ele faz a roupa ter mais valor, e não o contrário.
Vila Olímpia

Idealização: Blank Space na Vila Olímpia em São Paulo (Foto: Adriana De Maio)

 

Gostaria que falasse um pouco do funcionamento do ateliê que fica na Vila Olímpia.

O ateliê funciona como desenvolvimento de produto, oficina de acabamentos e personalização. Também contamos com uma estrutura úmida que servirá para o conceito de lavagem e manutenção do jeans. Uma lavanderia especializada neste produto. O desafio é grande, mas podemos criar um produto pela manhã, executá-lo durante o dia, o colocá-lo na vitrine no final da tarde. Oferecer um produto mais “fresh” que isso seria impossível. Outra ferramenta importante que o ateliê proporciona é o “repair process”: poderemos re-customizar o jeans após certo tempo de uso. Renovar o valor, recriar.

 

Como tem sido a recepção por parte do público/cliente?

Mais positiva do que poderíamos imaginar.

 

Essa concepção de ter ateliê, fábrica e lavanderia no mesmo espaço é única ou em outras partes do mundo existe algo parecido?

Existem moldes similares nos principais mercados do mundo… Japão, Suécia, Inglaterra, Espanha, EUA, etc. Cada um com uma especialidade. Mas, um ateliê que une quase todas as interações de denim no mesmo local, vejo a Blank Space como grande pioneira mundial.

 

Quais são os cuidados que uma marca como Blank Space deve ter, para que o cliente vislumbre algo único que não encontrará em nenhum outro lugar?

Ser verdadeira e honesta com o consumidor.

 

Como pretende fazer a Blank Space ser valorizada, diferenciada e ao mesmo tempo inovadora no mercado em que a marca atua pelos próximos anos?

O consumidor é a nossa razão de acordar todas as manhãs e fazer o que fazemos. Entender o que ele quer, o que busca, o que necessita, a cada dia. Isso nos renovará sempre.

Um vídeo da Blank Space Denim

Patrocinado por:
Sapato Site




Imprimir

Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.