Entrevista publicada em 27/06/2017 por Eder Fonseca em Economia
 
 

“A contabilidade comercial demonstra dados estruturados”
Sandro Rodrigues – Economista, contabilista e sócio-fundador da Attend Assessoria, Consultoria e Auditoria S/S

Sandro Rodrigues

Em todo começo de ano, um dos temas mais importantes às empresas, refere-se ao planejamento tributário, que poderá fazer a diferença no ato de pagar os tributos, que podem causar diferenças acentuadas e trazer um tremendo desconforto financeiro. É fundamental fazer todas as projeções com as mais variáveis simulações, para optar pelo regime tributário mais vantajoso. Há situações que a opção pelo Lucro Real é compulsória. No entanto, como o grande universo das empresas está fora dessa obrigação, é oportuno não trazer esse tema para reflexão. “As diferenças entre um sistema de tributação e outro são diversas, mas de forma sucinta, afirmo que para o Lucro Presumido os tributos em regra são calculados através de sua Receita Bruta. Diferentemente do Lucro Real que a partir dele, calcula-se o IRPJ e CSLL. Outra grande diferença, refere-se ao cálculo do PIS/COFINS, visto que pelas normas do Lucro Presumido esses tributos, igualmente são calculados pela Receita Bruta, aplicando-se a alíquota de 3,0% para a COFINS e 0,65% para o PIS. Já pelas regras do Lucro Real na grande maioria das atividades ele é não cumulativo, ou seja, os tributos são devidos pela diferença dos créditos oriundos, em suma das compras dos insumos e/ou mercadorias pela Receita Bruta, aplicando-se a alíquota de 7,60% para a COFINS e 1,65% para o PIS”, afirma Sandro Rodrigues, sócio-fundador da Attend Assessoria, Consultoria e Auditoria S/S.

 

Sandro, gostaria de saber um pouco sobre a sua carreira até chegar nos dias atuais.

Comecei a trabalhar diretamente no setor contábil aos 16 anos, no cargo de auxiliar de contabilidade. Dentre minhas tarefas, era responsável por realizar os lançamentos contábeis, mas na sequência fui desenvolvendo e executando outros trabalhos como escrituração fiscal, departamento pessoal, faturamento e outras áreas correlatas.

Aos 21 anos trabalhei numa empresa líder no seu segmento, com o cargo de auditor interno, onde permaneci por aproximadamente 1 ano e meio. Posteriormente trabalhei numa empresa menor, todavia com maiores responsabilidades e atribuições, visto que estava sob meu comando toda a área administrativa da empresa, o qual estive por aproximadamente 5 anos e meio. Por fim, tive a oportunidade de trabalhar numa multinacional, onde me especializei inclusive na área tributária.

Em 1988 fundei a Attend Assessoria, Consultoria e Auditoria S/S, que permaneço até hoje.

 

As empresas de um modo geral, têm ideia do poder da Contabilidade Comercial para suas organizações?

Atualmente e gradativamente percebo que sim, visto que através da contabilidade se obtém informações vitais para as tomadas de decisões, além de atender as mais diversas demandas de todas as ordens. Fica visível a importância às companhias de possuir nos seus quadros de colaboradores alguém que exerça o cargo de diretor de contabilidade ou o controller, que atuam nas mais diversas frentes, pois recebem, analisam e repassam informações de alta relevância às empresas, além de contribuir de forma decisiva aos aprimoramentos internos da metodologia empresarial, para as adequadas e estratégicas tomadas de decisões das organizações, bem como podem influenciar na mudança de estrutura da empresa, quando assim se faz necessário. Através dessa gama de dados, a empresa também poderá participar de licitações, requerer se for o caso, recuperação judicial, obter os benefícios da falência, produzir provas judiciais mediante perícias contábeis, maior facilidade na obtenção de empréstimos com instituições financeiras, enfim, são inúmeras as vantagens e benefícios derivados da apresentação e confecção da contabilidade comercial.

 

Além de mensurar o patrimônio, o que é possível através dessa Contabilidade?

Através da contabilidade quando realizada de maneira estruturada, pode-se obter a mais diversas informações, como custo dos produtos, análise e controle do estoque, controle dos recebíveis e pagamentos, valores pendentes, custos e despesas em geral, inclusive todos separados por centro de custo para maior visibilidade se determinados setores estão operando de maneira saudável ou não, dentre diversas outras informações. Esse universo seguramente contribuirá em muito para decisões assertivas que devam ser tomadas, com objetivo de obter o melhor resultado operacional às empresas.

 

Quais as grandes diferenças de um livro caixa para uma Contabilidade Comercial?

O livro caixa simplesmente atende a legislação vigente para as empresas optantes pelas regras do lucro presumido ou mesmo para micros e pequenas empresas (PMEs), porque é facultado à elas, tal opção, no entanto, entendo que não seja aconselhável adotar esse critério, mas sim realizar a sua escrituração, mediante contabilidade comercial, pois assim, haverá possibilidade de obter a informação praticamente em tempo real da performance à empresa e, com isso, facilitar estrategicamente na tomada de decisões, quer com relação aos custos e despesas, receitas e meios para alcançar metas e objetivos, como também com indicadores econômicos e/ou financeiros. Além disso, através da Contabilidade Comercial, é possível se obter os demais demonstrativos contábeis, como balancete, balanço, DRE, DRA, etc.

 

E quais são as suas similaridades?

Ambas atendem a legislação em vigor no que concerne, como dito, às micros e pequenas empresas (PMEs), às optantes pelas regras do Lucro Presumido, que têm essa faculdade de escrituração.

 

Para uma empresa de pequeno porte, o que considera mais vantajoso com toda sua experiência?

Estou convicto que em qualquer situação, a Contabilidade Comercial se apresenta bem mais interessante, pois fornecerá às empresas e seus gestores, dados precisos e analíticos para servir de base sólida, para decisões e aprimoramentos de seus negócios. Além disso, a Contabilidade Comercial demonstra dados mais estruturados, pois permite se emitir todos os demonstrativos contábeis, tendo as vantagens e utilidades acima descrito, exemplificando, facilidade na obtenção de empréstimos e financiamentos bancários, dentre tantos outros tantos benefícios.
Contabilista e economista

Números: O experiente contabilista e economista Sandro Rodrigues (Foto: Arquivo)

 

Com a economia em turbulência como atualmente, quais os cuidados que um empresário deve ter com a contabilidade do seu negócio?

Deverá em todos os momentos, não só os de turbulências, seguir e atender todas as normas, que por sinal são diversas, além de alterações constantes. Assim, a contabilidade em ordem poderá ser o alicerce que a empresa necessita para enfrentar com dados realistas e, assim ter os meios para superar as adversidades, visto que os gestores terão as mais diversas informações geradas pela contabilidade regular, sendo um grande aliado a tomadas de decisões.

Ainda é possível observar que no novo Programa de Regularização Tributária – PRT oferece à possibilidade de quitar débitos tributários com prejuízos fiscais, para as empresas optantes pelas regras do Lucro Real. Sendo assim, torna-se cristalino a importância de uma boa e qualificada escrituração contábil, pois até numa situação de crise, que em muitas vezes contribui para gerar prejuízos fiscais às organizações, esses poderão ser compensados para quitar dívidas tributárias, como é o caso citado acima. Por outro lado, numa situação de bons negócios e resultados, ela igualmente fornecerá dados gerenciais estratégicos, para manutenção de seu Status quo ou ainda para aprimoramentos e táticas para aumento da receita e redução dos custos.

 

Como vê o entendimento da sociedade como um todo para essas questões?

Observamos que gradativamente os empresários têm buscado no mercado um profissional da contabilidade de ponta, ou seja, experiente, ético e com amplos conhecimentos. Vemos que pessoas em boa situação econômica e profissionais liberais, basicamente como um todo, praticamente não tomam decisões sem antes consultar seu contador como parceiro de negócio, que poderá ofertar boas dicas para um bom planejamento fiscal, ou seja, assegurar as empresas e pessoas, trazer maior segurança relacionada às questões fiscais, aliadas a uma boa economia tributária.

 

De uma forma sucinta (e se possível) gostaria que falasse um pouco sobre os lucros reais e presumidos, e qual as principais dificuldades do setor do comércio e da indústria, para assimilação desses dois tipos de lucro.

As diferenças entre um sistema de tributação e outro são diversas, mas de forma sucinta, afirmo que para o Lucro Presumido os tributos em regra são calculados através de sua Receita Bruta. Diferentemente do Lucro Real que a partir dele, calcula-se o IRPJ e CSLL. Outra grande diferença, refere-se ao cálculo do PIS/COFINS, visto que pelas normas do Lucro Presumido esses tributos, igualmente são calculados pela Receita Bruta, aplicando-se a alíquota de 3,0% para a COFINS e 0,65% para o PIS. Já pelas regras do Lucro Real na grande maioria das atividades ele é não cumulativo, ou seja, os tributos são devidos pela diferença dos créditos oriundos, em suma das compras dos insumos e/ou mercadorias pela Receita Bruta, aplicando-se a alíquota de 7,60% para a COFINS e 1,65% para o PIS.

 

Na grande mídia fala-se muito de contabilidade criativa, principalmente realizada pelos estados da Federação. O que seria essa contabilidade criativa tão falada nos últimos tempos, mas muitas vezes pouco entendida?

Seriam contabilidades não ortodoxas, para apresentar bons resultados e, nessa situação esse procedimento entra em desencontro com a essência da contabilidade, que se deve registrar todos os atos e fatos contábeis, como rigorosamente são e ocorrem, considerando como regra os regimes de competência, ou seja, deve ser contabilizado as despesas e/ou receitas no momento que elas acontecem, independentemente de seus pagamentos/recebimentos. Dessa forma, teremos o real resultado aferido pela entidade que esteja fazendo seu balanço patrimonial anual, o que representa que a contabilidade deverá espelhar um cenário realista das organizações.

 

O senhor é sócio-fundador da Attend Consultoria e Auditoria S/S. Sem entrar em detalhes, mas apenas de um forma genérica, gostaria de saber como tem sido a abertura dos seus clientes para auditorias em suas respectivas empresas.

Temos clientes nas mais distintas áreas de atuações, bem como nos mais diversos portes em nível econômico/financeiro. Em regra as empresas multinacionais têm como princípios estatutários ou conceitual a obtenção de laudo ou parecer obtido através de auditorias renomadas, com o intuito de saber se as práticas que estão sendo utilizadas de maneira rotineira, do ponto de vista fisco/contábeis, estão em harmonia com as melhores práticas do mercado e em consonância com a legislação em vigor. Da nossa parte, respeitamos e valorizamos os profissionais de auditoria e procuramos atuar como parceiros. Entendemos que o ideal seria se todas fizessem auditorias periódicas, no entanto são algumas, inclusive até em virtude dos custos, mas recebemos as empresas de auditorias ou repassamos todas as informações, claro, com o expresso conhecimento do cliente, com muita satisfação.

Um vídeo do contabilista Sandro Rodrigues

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.