Entrevista publicada em 30/05/2017 por Eder Fonseca em Pensamento
 
 

“A criança que medita adquire autoconfiança”
Américo Barbosa – Doutor em Comunicação e Semiótica e practitioner e pesquisador de Jin Shin Jyutsy

Américo Barbosa

Américo Barbosa é practitioner e pesquisador de Jin Shin Jyutsy, Yoga-mudrás, mudrá vigyan e de diversas técnicas de meditação. É naturoterapeuta com pós em cuidados integrativos (Departamento de Neurologia da Unifesp), professor na Pós da Unifesp e na PUC (Pontifícia Universidade Católica) e doutor em Comunicação e Semiótica. O Prof. Dr. Américo Barbosa desenvolveu técnicas de meditação simples de auto aplicação para as crianças. O importante é um dos pais acompanhar o “treinamento” das crianças. Assim eles poderão reforçar a prática de maneira suave e não intrusiva. As crianças de 8 a 12 anos têm mais condições de atingir os resultados desejados. A meditação é uma técnica de relaxamento para equilibrar corpo e mente. “Os exercícios de meditação infantil são lúdicos e prazerosos, até para os adultos. As crianças evoluem muito mais rápido nas técnicas porque não têm tantas barreiras quanto o adulto. As crianças têm um pensamento concreto. Elas olham algo e sentem se é bom ou mal. Não vão buscar referências teóricas como o adulto. Eles entendem mais facilmente por exemplo que não há distância entre elas e um pássaro voando. Geralmente os pais se preocupam de manter seus filhos com atividades tipo, judô, natação, balé, computação entre outros, na tentativa de desacelerar estes pequenos que mais parecem ligados no 220 volts”, comenta o pesquisador.

 

Professor, antes de mais nada, gostaria que falasse um pouco sobre a sua carreira para os nossos leitores.

Comecei meu caminhar na Meditação aos 8 anos. Graças a uma generosa vizinha que acreditou que eu levaria a sério aprender a dar sentimento à respiração. Depois passei por estudos de Comunicação Social, Psicologia e terapias naturais complementares. Fiz especializações em métodos orientais de Saúde e Terapias: Jin Shin Jiutsu, Do-in, Shiatsu, Swar Yoga, Vigyan Mudrá e muitas outras. Pesquisei e pratiquei também as técnicas ocidentais de PNL, de auto-hipnose terapêutica, Cinesiologia e comportamento psicossocial. Percebi que tudo isso era apenas um problema de comunicação. Primeiro a comunicação interna do indivíduo com ele mesmo, dos neurônios com as células, etc … E depois sua personalidade precisa se expressar com o mundo de maneira harmônica para ser bem-sucedido pessoal e profissionalmente. O que me levou também a fazer um doutorado em Comunicação e Semiótica. Nesse meio tempo abri empresas e me tornei empresário nas áreas de Comunicação, Marketing e Web. Mas sempre ensinando crianças a meditar para se tornarem adultos melhores. E aos adultos para que suas crianças interiores se tornem melhores, além de poder contribuir com estudos de Meditação, como professor nos curso de pós no departamento de Neurologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).

 

Quais os maiores benefícios da meditação num mundo hiperconectado e cada vez mais agitado?

A autogestão de suas emoções e de seus pensamentos, principalmente. Isso vai dar controles para a ansiedade, o grande mal de nossos dias, o que vai provocar níveis e stress que impedem ou dificultam a criatividade e a harmonia para se ter uma vida saudável e feliz. Hoje as pesquisas das principais universidades do mundo, por exemplo Harvard e Hopkins, já consideram a Meditação um fator fundamental de saúde mental, emocional e neural. A Meditação aumenta a chamada massa cinzenta. Aumenta a neuroplasticidade… em outras palavras: a inteligência. A hiperconectividade tecnológica, desconecta partes importantes de nosso cérebro que sobrecarregam o nosso coração. Os únicos órgãos que não descansam quando você dorme, são exatamente o cérebro e o coração. Exemplo simples: Se você tiver um pesadelo vai acordar estressado.

 

Um dos pontos em que a Meditação é melhorada nas crianças, segundo as suas técnicas, se dá numa melhor harmonia na relação com os seus pais. Nos fale mais sobre esse ponto específico.

A criança que medita, adquire uma autoconfiança prazerosa. Ela aprende a sentir o que sente. Ela se sente mais adulta sem corromper sua idade, o que vai facilitar a relação com os pais. Ela amplia sua compreensão das situações e fica menos egoísta e menos possessiva; Amplia a consciência ao seu redor ficando mais calma e menos reativa, o que cria um intervalo de diálogo com os pais.

 

Quais as diferenças que o senhor já notou com toda sua experiência, na pós-meditação em crianças e adultos?

As crianças evoluem muito mais rápido nas técnicas porque não têm tantas barreiras quanto o adulto. As crianças têm um pensamento concreto. Elas olham algo e sentem se é bom ou mal. Não vão buscar referências teóricas como o adulto. Eles entendem mais facilmente por exemplo que não há distância entre elas e um pássaro voando. Já o adulto tem um pensamento abstrato que precisa de referências para a aceitar algo. O adulto julga mais., por isso o mundo está tão ruim lá fora…

 

Viver em harmonia está em nossas mãos mesmo com o caos sempre nos rondando?

Sim. O caos é muito positivo se tivermos serenidade para compreendê-lo. Para usá-lo como input (entrada) para uma nova consciência, para enxergarmos por uma nova janela. Depois de varrer a poeira enxergamos melhor do que antes.

 

Quais as principais similaridades das técnicas Jin Shin Jyutsy, Yoga-mudrás e mudrá vigyan do qual o senhor é pesquisador e practitioner?

Todas reconhecem o acesso que os terminais nervosos dos dedos têm às nossas dimensões físicas, mentais, emocionais e espirituais no seu sentido mais amplo.
Comunicação e Semiótica

Meditar: O pesquisador e professor doutor Américo Barbosa (Foto: Jornal da Orla)

 

Como manter o controle em momentos de estresse e desequilíbrio?

Não se preocupando em se controlar. A pior coisa que você pode dizer para uma pessoa nervosa é calma. Como ela não consegue se acalmar, ela vai ficar cada vez mais nervosa por isso. A meditação dá chão nas areias movediças, de maneira natural e sem esforço. Meditação não é relaxação. Relaxação é ouvir cascatas e passarinhos para desligar a mente. É um estado onde não se resolvem problemas. Meditação é ligar a mente para expandi-la na visão de caminhos que levem à solução dos problemas.

 

A preocupação com o futuro, é o principal desencadeador da ansiedade?

Sim. A preocupação sempre é ligada à falta no futuro. Falta de amor, falta de dinheiro e falta de felicidade no geral. A Meditação vai possibilitando a “presencialidade”. O aqui e agora, que afinal é a eternidade.

 

É difícil “domar” a ansiedade?

O método Hasta Ananda, é como um pronto-socorro dos dedos… precisa de pouquíssima técnica e concentração. Ele trabalha com sentir o que você se sente. Ou seja, usa muito mais a percepção do sentimento do que do pensamento concentrado. Ele não requer lugar especial para ser feito o que proporciona ser utilizado no início dos Estados de Ansiedade.

 

Gostaria que falasse como se deu o desenvolvimento do seu método Hasta Ananda.

O método Hasta Ananda – a Meditação rápida das mãos felizes, foi desenvolvido depois de minha experiência com diversas fontes de conhecimento de Meditação, concentração e expansão de consciência originadas na Índia, Japão, China e Tibet. Esse método, por ser simples e fácil é bastante eficiente no controle da ansiedade.

 

Com um mundo cada vez mais digital, o ser humano ainda tem dificuldade de fazer e manter amigos nos tempos atuais. A ansiedade tem contribuído para isso em que sentido?

A ansiedade de não fazer parte de um grupo que lhe reconheça como importante, deu à internet a falsa solução dessa interação. A internet dá a sensação de instantaneidade ao parecer equacionar a ansiedade de saber, de dizer e de ser ouvido. Veja a ilusão emocional: quem você aceita no Facebook vira imediatamente seu amigo. Ao meditar você consolida o seu melhor amigo: você. Assim você fica mais preparado para sentir os verdadeiros amigos.

Um vídeo do pesquisador Américo Barbosa

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.