Entrevista publicada em 18/05/2018 por Eder Fonseca em Música
 
 

“As pessoas gostam de ouvir algo”
Carlos Malta – Multi-instrumentista, compositor, orquestrador, educador e produtor

Carlos Malta

Carlos Malta iniciou a tocar profissionalmente com dezessete anos, tocando com músicos como Johnny Alf, Antônio Carlos & Jocáfi e Maria Creuza. No ano de 1981 passou a acompanhar Hermeto Pascoal, tocando com ele até 1993, quando iniciou sua carreira solo. Tocou também com Egberto Gismonti, Pat Metheny, Gil Evans, Marcus Miller, Charlie Haden, Wagner Tiso, Laércio de Freitas e Nico Assumpção. Atua frequentemente como músico de estúdio, havendo participado de discos de Guinga, Lenine, Sérgio Ricardo, Leila Pinheiro, Marcus Suzano, Paralamas do Sucesso, Caetano Veloso, Gilberto Gil (no álbum “São João Vivo”, de 2001). Nesse ano, fundou os grupos Coreto Urbano (formação variada) e Pife Muderno (Carlos Malta, Andréa Ernest Dias, Marcos Suzano, Oscar Bolão e Durval Pereira). Em 1997 apresentou-se no Free Jazz Festival com o Coreto Urbano e o Pife Moderno, num show eleito pelo jornal O Globo como o melhor show do ano. Lançou em 1998 o seu primeiro CD solo, chamado “O Escultor do Vento”. No ano seguinte, saiu o disco “Carlos Malta e Pife Muderno” (1999). Recebeu o Troféu Guarnicê de melhor trilha sonora no 26º Festival de Cinema, em 2003, no Maranhão. Em 2003 participou do CD “Os Bambas da Flauta”, lançado pela Kuarup. Em 2008, 2010 e 2013 teve participação especial muito elogiada nos shows da banda americana Dave Matthews Band nas turnês pelo Brasil.

 

Carlos, quando os diversos tipos de flautas começaram a lhe chamar a atenção?

Muito cedo… creio que aos 6,7 anos eu assistia na TV um programa infantil de desenho animado e o apresentador era Altamiro Carrilho, que me encantava tocando seu flautim.

 

A música deve ter algum papel social?

Sem música a humanidade… como seria? Só música salva!

 

Qual o papel fundamental de um educador musical?

Abrir a cabeça de seus alunos para todas as coisas, pois a música está em tudo. Fornecer informação e espaço.

 

Como a educação musical massificada ajudaria o nosso país no âmbito cultural?

A música constrói o indivíduo de dentro para fora. Este indivíduo participa de um grande grupo musical onde todos buscam evoluir e tocar melhor, construir um ser humano melhor é a função primeira da música.

 

Em uma certa ocasião, você afirmou que a música nunca subtrai. Fale um pouco mais sobre esse interessante tema.

A arte da soma onde o silêncio é matéria-prima, som gerado, onde um é parte do todo; o que sai de um e do todo chega aos ouvidos de uns e de muitos e todos recebem e sentem e retransmitem e são receptados pela fonte sonora que cria um círculo virtuoso.

 

A música é um processo inacabável?

Inesgotável como o oceano, como o planeta, como o Universo.
O multinstrumentista

Virtuosismo: O multi-instrumentista e compositor Carlos Malta (Foto: Arquivo/AP)

 

O que se absorve e traz para uma carreira bem-sucedida, quando se trabalha com grandes nomes que vão de Leila Pinheiro a Pat Metheny?

Certeza de ter feito a escolha do dom.

 

Em várias de sua entrevistas você fala com carinho sobre a polca. O que esse estilo/dança acrescentou em sua visão como músico?

A célula mater da polca se repete em todas as etnias e é o som de nosso coração.

 

Existe alguma forma de difundir o erudito (que um dia foi popular) para uma população que está inundada pelo popularesco?

Basta tocar geral e mais nos meios de comunicação. As pessoas gostam de ouvir algo. Minha vizinha quando lava roupa cantarola trechos de músicas “complicadas” que eu pratico em casa…

 

Em qual dos seus álbuns você acredita que a criatividade e a originalidade chegaram praticamente perto daquilo que você considera perfeito?

Creio que cada um deles traz essa busca de mostrar para o outro o que é a música para mim… Amo cada um como filhos.

 

Você tornou-se profissional aos 17 anos. O que não se perdeu e o que foi somado em sua carreira depois de todo esse tempo?

Minha criança interior está cada vez mais presente em minhas artes, bem como uma bagagem de vida, de transcendência e pluripotência artística. Crio… Creio… Cultivo… Colho.

Um vídeo do orquestrador Carlos Malta

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.