Entrevista publicada em 27/05/2015 por Eder Fonseca em Economia
 
 

“Conselhos baratos podem custar muito caro”
Samuel Magalhães – Sócio-fundador do Invista Fácil

Samuel Magalhães

O empreendedor Samuel Magalhães, iniciou sua carreira em 2007, quando ingressou na ADM Soluções, a Empresa Júnior de Administração da UECE (Universidade Estadual do Ceará). Trabalhando por dois anos na ADM, pode conhecer de perto a atuação de uma empresa de pesquisa e consultoria nas mais diversas áreas de atuação, como Marketing, Recursos Humanos e Finanças. Atualmente é sócio-fundador do Invista Fácil, onde atua como consultor Financeiro e palestrante sobre temas nas áreas de Finanças Pessoais e Investimentos, compartilhando seus dez anos de experiência na área. Também escreve sobre o tema para algumas publicações impressas e digitais como o Jornal de Caruaru, o Boqnews e o portal Viva. “O fato de estarmos vivendo um momento turbulento é excelente, pois é nessa hora que costumam surgir as melhores oportunidades! Existem dois sentimentos que movem o mercado: a euforia e o medo! Quando as pessoas estão eufóricas, tudo parece perfeito! Não existe inflação, não existe desemprego, a economia está crescendo, a popularidade dos governantes está em alta. Enfim, é o melhor dos mundos! O cenário do medo é justamente o oposto da euforia. (…) Ensinar os funcionários a lidar bem com o próprio dinheiro, ajuda esses mesmos funcionários a lidar bem com o dinheiro da empresa. Eles passam a ter consciência da importância de reduzir custos com seus gastos pessoais”, afirma o economista. 

 

Antes de mais nada, Samuel, fale um pouco do começo de sua carreira até chegar nos dias atuais.

Antes de iniciarmos, Eder, gostaria de agradecer o convite e dizer que é uma satisfação colaborar com um veículo tão conceituado como o Panorama Mercantil. Para mim, é uma honra estar entre nomes consagrados como Bel Pesce, Flávio Augusto, Ricardo Boechat, Maílson da Nóbrega, Gustavo Franco, dentre outros!

Bem, minha carreira se iniciou em 2007, quando ingressei na ADM Soluções, a Empresa Júnior de Administração da UECE (Universidade Estadual do Ceará), onde eu me formei! Lá, trabalhei por dois anos e pude conhecer de perto a atuação de uma empresa de pesquisa e consultoria nas mais diversas áreas de atuação. Marketing, Recursos Humanos, Finanças. Pude aprender um pouco de tudo e me desenvolvi muito! Para mim, foi uma experiência única! Uma verdadeira Universidade dentro da Universidade. Algo que eu indico a todos os jovens que tenham essa possibilidade.

A ADM aguçou meu lado empreendedor. Depois de lá, trabalhei em diversos ramos de atuação: entretenimento, e-commerce, comercialização de grãos e livraria. Quebrei a cara muitas vezes, como a maioria dos jovens empreendedores! Errei na escolha de parceiros, tomei calotes, superestimei demandas de mercado. Enfim, não foi fácil! Mas acho que o empresário que diz que é está mentindo! As pessoas têm o costume de olhar para os empreendedores como super-heróis, como se não errássemos e não fossemos tão falíveis quanto qualquer outra pessoa! Acredito que a característica mais importante para se empreender é a resiliência, pois a única certeza que temos ao iniciar um negócio é que em algum momento as coisas vão dar errado. E precisamos estar preparados para quando essa hora chegar!

Errar faz parte! O importante é aprender com os erros! E eu já errei bastante! O que significa que já aprendi muito também! Acredito que o Invista Fácil seja fruto desse aprendizado!

 

Como surgiu a ideia do Invista Fácil?

Em 2005, fui apresentado ao mundo dos investimentos por um amigo da faculdade. De lá pra cá, venho me dedicando a adquirir conhecimento teórico e prático na área de finanças. Depois de dez anos de experiência e de dar inúmeras consultorias informais e palestras gratuitas, percebi que havia um modelo de negócios ali.

Se as pessoas pagam por um personal trainer para auxiliá-los nos exercícios ou um nutricionista para auxiliá-los na alimentação, por que elas não pagariam por alguém que auxilie na gestão das suas finanças?

Nosso principal foco é o educacional, com um enorme mercado, mas ainda pouco explorado. Veja as palestras e treinamentos empresariais, por exemplo. Os empresários contratam palestras de todas as áreas, mas esquecem das Finanças Pessoais.

Ensinar os funcionários a lidar bem com o próprio dinheiro, ajuda esses mesmos funcionários a lidar bem com o dinheiro da empresa. Eles passam a ter consciência da importância de reduzir custos com seus gastos pessoais e levam essa economia para o trabalho. Pequenas mudanças como apagar a luz ao sair de um ambiente, reutilizar papéis como rascunho, trazer uma garrafinha de casa para economizar os copos descartáveis ajudam não somente a empresa, mas também o meio-ambiente!

Além do que, funcionários que sabem gerir seu dinheiro melhor, tendem a pedir menos aumento. Se os empresários imaginassem o efeito que ter uma vida financeira organizada e as contas em dia pode causar nos seus colaboradores, eles contratariam mais palestras de finanças pessoais e menos palestras motivacionais! [risos]

 

Investir ou poupar, o que é melhor neste momento turbulento em que o país vive?

Foi bom você ter feito essa pergunta, pois, apesar de serem conceitos bem simples, muita gente ainda confunde poupança e investimento. Por isso que tanta gente diz que “investe” na poupança!

Poupar, nada mais é do que guardar parte dos seus rendimentos. Investir é utilizar o dinheiro poupado para aumentar seu patrimônio, através da rentabilidade dos investimentos. Quem não poupa, não tem dinheiro para investir. E quem não investe, não consegue criar riqueza! Ou seja, se quisermos conquistar nossa independência financeira, precisamos aliar a poupança e os investimentos e fazer o dinheiro trabalhar a nosso favor!

O fato de estarmos vivendo um momento turbulento é excelente, pois é nessa hora que costumam surgir as melhores oportunidades! Existem dois sentimentos que movem o mercado: a euforia e o medo! Quando as pessoas estão eufóricas, tudo parece perfeito! Não existe inflação, não existe desemprego, a economia está crescendo, a popularidade dos governantes está em alta. Enfim, é o melhor dos mundos! O cenário do medo é justamente o oposto da euforia: nada presta e parece que o mundo vai acabar! É o que estamos vivendo agora.

A grande questão para o investidor é: a euforia deixa os ativos – ações, imóveis, etc – caros. E ninguém consegue ganhar dinheiro comprando o que é caro! O bom investidor é aquele que compra barato. O lucro se constrói na hora da compra e não da venda! Portanto, a melhor hora pra comprar é quando os ativos estão baratos. E isso acontece, em geral, em momentos turbulentos, como o que estamos vivendo!

 

Como enxerga o tratamento dado pela mídia quando o assunto é a educação financeira?

Acho que se tivéssemos menos programas policiais e mais programas ligados a área educacional – independente de ser financeira ou não – teríamos um país menos violento e mais bem-educado, em todos os aspectos!

Mas não julgo a mídia! Um jornal, uma TV ou uma rádio, nada mais são do que empresas. E uma empresa vende o que o consumidor quer comprar. Infelizmente, o que queremos é a desgraça, a violência, a fofoca! Isso é uma questão cultural! A despeito disso, acredito que, em veículos especializados, já encontramos muito conteúdo interessante! Canais como o Futura e a Globo News, já possuem diversos programas voltados para assuntos da área financeira. Alguns deles, como o Conta Corrente e o Globo News Painel – do qual sou telespectador assíduo – abordam o tema com bastante propriedade!

Falando de mídia impressa, a maioria dos jornais e revistas de grande circulação já possuem uma coluna fixa na área de Finanças Pessoais. Certamente ainda temos muito a evoluir, principalmente no tocante aos veículos que falam para o grande público, mas acredito que estamos caminhando na direção correta! Eu prefiro ver o copo meio cheio do que meio vazio!

 

Qual o principal pilar, que distingue uma boa consultoria financeira de um engodo?

Os resultados! Uma boa consultoria é aquela que dá resultado! Ninguém contrata uma consultoria porque quer. As pessoas contratam porque precisam! Elas têm um problema e procuram alguém que as ajude a resolver! O trabalho do consultor é ajudar seu cliente a resolver seus problemas! Infelizmente, muitos clientes se deixam levar por um terno bonito, uma oratória rebuscada e esquecem do principal: aquele consultor vai me ajudar a resolver meu problema?

O problema da maioria dos consultores e assessores financeiros, é que eles são excelentes para vender seus serviços e produtos, mas, muitas vezes, deixam a desejar quando falamos de resultados efetivos. É preciso ter mais foco no cliente e menos foco em bater meta de vendas!

 

Sempre quando uma pessoa tem um dinheiro sobrando, ela sempre ouve que investir em imóveis é um ótimo negócio. Investir em imóveis ainda é um ótimo negócio para quem quer construir um patrimônio?

As pessoas adoram criar rótulos! Investir em imóveis é seguro! Investir em ações é arriscado! Investimento x é bom, investimento y é ruim! Não existe investimento bom e investimento ruim! O que existe é investidor bom e investidor ruim!

Se você conhece o ramo imobiliário, sabe analisar o preço de um imóvel e é um bom negociador para conseguir adquirir o imóvel por um preço abaixo do que ele vale, é provável que você obtenha ótimos resultados com imóveis! Isso quer dizer que os imóveis são um bom investimento? Não! Isso quer dizer que você é um bom investidor!

Um bom investidor em imóveis vai ganhar dinheiro com imóveis! Um bom investidor em ações vai ganhar dinheiro com ações! É isso que a maioria dos investidores não entende. Eles se preocupam com o crescimento da economia, a taxa de juros, a cotação do dólar, mas esquecem do principal: eles próprios! Os resultados dependem mais do investidor do que do investimento!

Warren Buffett

Investimentos: O bilionário norte-americano Warren Buffett (Foto: Bloomberg/AP)

 

Em um dos seus vídeos, você diz que a presidente Dilma pode ajudar as pessoas a ganhar dinheiro. Se possível nos fale mais sobre isso.

Este é o vídeo que eu fiz que causou maior repercussão até hoje! Esse é um assunto complexo, mas vou tentar resumir da forma mais simples possível!

A incompetência e a corrupção do atual Governo estão ultrapassando todos os limites! Em um cenário tão caótico, as pessoas ficam temerosas e tal desconfiança faz com que o mercado deprecie em excesso o preço dos ativos, o que faz com que surjam boas oportunidades de investimento!

Atualmente, existem ótimas empresas sendo negociadas a valores bem atrativos devido ao atual pessimismo do mercado. Sem falar em títulos de renda fixa, onde devido à alta recente da Selic, conseguimos obter rentabilidades na faixa de 1% ao mês, o que não víamos há muito tempo no Brasil!

 

Em que ponto o Governo também pode ajudar a perder dinheiro?

Um dos aspectos que precisamos aprimorar no Brasil, caso queiramos ser uma potência mundial, é nossa segurança jurídica. Em bom português: se queremos ser tratados como homens, temos que parar de agir como moleques. Temos que parar de mudar as regras no meio do jogo! Como diria o ditado, o combinado não custa caro! O problema é que adoramos descumprir o combinado!

A maneira mais fácil da Dilma prejudicar a rentabilidade dos nossos investimentos é através das ingerências governamentais. As empresas de energia elétrica e, mais recentemente, a Petrobras são bons exemplos do que um Governo incompetente, corrupto, perdulário e irresponsável pode fazer com nossos investimentos! A única maneira que temos de minimizar o “Risco Dilma” é não investindo em empresas que tenham participação do Governo, como as do setor elétrico, Petrobras e Banco do Brasil, por exemplo!

 

Cada semana, surge um assunto novo envolvendo a Petrobras. Até que ponto esses acontecimentos podem minar a credibilidade da empresa, e consequentemente ter ações diretas para quem investe na gigante do petróleo?

Recentemente, fiz um vídeo que se chamava: “É hora de comprar ações da Petrobras?”. Vou explicar aqui o que disse lá. Existem duas formas de aplicar na bolsa. A primeira é comprando ações de boas empresas a um preço justo e, assim, construir seu patrimônio em ações!

A segunda maneira é através da análise gráfica, visando o lucro no curto prazo! Quem perdeu dinheiro na Petrobras foram, em sua maioria, investidores de longo prazo que acharam que estavam comprando ações de uma boa empresa. Eles perderam não por causa dos escândalos da Lava-Jato ou algo assim, mas simplesmente por não ter feito seu dever de casa. Qualquer um que analisa os números dos últimos cinco ou dez anos da empresa sabe do que estou falando! Basta dizer que a Petrobras é, atualmente, a empresa privada mais endividada do mundo!

Pra ficar mais fácil de entender, vou usar uma analogia que eu gosto de usar em minhas palestras. Uma empresa é como uma mulher. Se você quer ficar com ela pelos próximos vinte, trinta anos, precisa conhecê-la a fundo e ver se vale a pena pedi-la em casamento ou não! Já se você quer uma mulher apenas por uma noite, qualquer rostinho bonito serve! O problema dos investidores é que, em geral, eles costumam querer por apenas uma noite mulheres para casar e se casam com mulheres que deveriam ficar por, no máximo, uma noite! No final, saem falando mal das mulheres quando os verdadeiros culpados são eles próprios!

Em resumo, quer seja com as mulheres ou com as ações, a culpa pelos problemas é sempre de quem escolheu e não de quem foi escolhido!

 

Qual a sua visão, quando o bilionário e megainvestidor Warren Buffett, diz para as pessoas se virarem sozinhas, não dando ouvidos a corretores, analistas ou especialistas?

Concordo com Buffett! Em outras palavras, o que ele quis dizer, é que você é o maior interessado em gerir bem suas finanças e, portanto, não deve delegar algo tão importante aos outros!

Obviamente, ser assessorado por um profissional que conhece a fundo o mundo das finanças e investimentos pode ajudá-lo a tomar as melhores decisões! Infelizmente, como a maioria desses profissionais é remunerado a partir de comissões, eles se preocupam em vender seus Fundos de Investimento e diversos outros produtos, sem se preocupar se aquela é realmente a melhor opção para o cliente! Ou seja, há um grande conflito de interesses que, em geral, prejudica o cliente.

Muitas pessoas ainda cometem o erro de se assessorar com seu gerente de banco! Nada contra os gerentes, mas é importante entender que eles são pagos para dar retorno para o banco e não para você!

No Invista Fácil, trabalhamos de uma outra maneira. Somos pagos diretamente pelo cliente. Dessa forma, ele tem a certeza de que iremos fazer o que for melhor para ele e não para um determinado banco ou corretora! Eu diria que ter um gerente de banco como seu consultor financeiro é o barato que sai caro. Você não está pagando pelos conselhos, mas em compensação, seus resultados dificilmente serão satisfatórios! O que você prefere, ter de graça algo que não vai te dar resultado ou pagar por algo que te dará resultado? Conselhos baratos podem custar muito caro!

 

Qual o principal conselho que você daria para uma pessoa que quer se tornar financeiramente independente?

Invista em você! Benjamin Franklin [jornalista, editor, autor, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e enxadrista estadunidense, 1706 - 1790] já dizia: “Investir em si mesmo rende sempre os melhores juros!”. E ele estava coberto de razão! Invista no seu desenvolvimento profissional. Invista em conhecimentos que lhe ajudem a evoluir na carreira, a administrar melhor suas finanças, a investir melhor seu dinheiro.

Minha palestra mais requisitada é a “3 Passos para a Independência Financeira!”, onde abordo o ganhar, poupar e investir! As pessoas se preocupam muito com a terceira etapa, mas esquecem das duas primeiras! Principalmente para quem está no início da vida profissional, em se tratando de investimentos, o foco deveria ser seu crescimento na carreira. Nenhum investimento, por melhor que seja, vai dar o retorno financeiro que um salário duas ou três vezes maior pode te proporcionar! E você só vai conseguir esse aumento, investindo no seu desenvolvimento!

Um vídeo do financista Samuel Magalhães

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.