Entrevista publicada em 23/09/2015 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Eu não acredito na tal sorte”
Jussier Ramalho – Autor, palestrante e empreendedor

Jussier Ramalho

Jussier Ramalho é sinônimo de perseverança. Ainda criança, abandonado pelo pai e vivendo com a mãe e duas irmãs, deu de cara com a fome. Aos 32 anos, Jussier comprou uma banca de revistas. Sem nenhum recurso, ele conseguiu um prazo de 45 dias para pagar um investimento e em apenas 25 dias foi capaz de levantar todo dinheiro necessário. A Banca Prática é por si só, um marco de sucesso para a vida do empreendedor. Ciente da necessidade de fazer algo diferenciado, realizou trabalhos sociais e começou a ir às universidades para convidar os estudantes a visitarem a sua banca. Até 2011, o ponto foi espaço obrigatório para os seus clientes fiéis que valorizavam a organização e o atendimento personalizado. Atualmente é um fenômeno do empreendedorismo, encantando a todos com sua inovação, humor, energia e entusiasmo. Suas palestras têm como objetivo motivar, renovar e transmitir vários conceitos do marketing pessoal e empresarial, mostrando a relação entre o trabalho e o sucesso. O seu livro “Você é sua melhor marca”, é referência no mercado editorial brasileiro. Atualmente é diretor da Prátika Consultoria Empresarial. “O que sempre digo é qualquer que seja seu negócio, todo e qualquer empresário precisa entender uma coisa: Querer mudar sua vida, muitos sonham, mas poucos fazem acontecer, e é isso o que move as pessoas, não querer fazer apenas, mas entrar em ação o mais rápido que puder”, afirma o palestrante.

 

Jussier, muitas pessoas, sobretudo que estão por dentro do mundo do empreendedorismo, já sabem um pouco da sua história. Gostaria que falasse para quem ainda não lhe conhece, um pouco da sua visão sobre negócios de um modo geral.

O que sempre digo é qualquer que seja seu negócio, todo e qualquer empresário precisa entender uma coisa: Querer mudar sua vida, muitos sonham, mas poucos fazem acontecer, e é isso o que move as pessoas, não querer fazer apenas, mas entrar em ação o mais rápido que puder. Assim continua sendo a minha vida como empreendedor. Muitos acham que é sorte, eu não acredito na tal sorte, o que gosto mesmo é de trabalhar muito. Nunca soube de ninguém que morre de trabalhar, por isso tenho tanta sorte. Na minha banca cheguei a trabalhar 17 horas por dia e nunca reclamei de nada, era o que eu queria, o que estava fazendo e por isso tinha que gostar e muito daquele negócio. Sabia que era difícil, mas buscava a cada dia gostar mais e mais de estar numa banca de jornais no meio da rua e em muitos casos sendo humilhado pelas pessoas, mas eu entendia que estava ali para cumprir uma missão que a vida me ofertava, por isso fui de corpo e alma no negócio. Assim é a vida empresarial, se você não entra com vontade as coisas tendem a não acontecer.

 

Em que momento você sentiu que deveria inovar na forma de vender informações quentes para o leitor em sua banca de jornais e revistas?

Sempre fiz muita questão de ouvir meus clientes, de ficar atento as suas necessidades, seus sonhos, etc. Assim colocava em prática o que era possível de ser feito e até um pouco do impossível para muitos, pois sempre falo em minhas palestras: “O impossível é apenas muito difícil de ser conseguido”. Eu buscava agradar, fazer o que ninguém ou poucos estavam fazendo, isso me dava uma ótima oportunidade para fidelizar meus clientes e foi assim que fiz. Lia tudo antes de abrir a banca para que quando os clientes entrassem, eu pudesse lhes levar uma informação quente, falar e comentar sobre os diversos assuntos da semana que estava saindo nas revistas.

 

No mundo atual, todos de alguma forma, devem saber vender. O que pessoas e organizações, precisam fazer para obter sucesso em suas vendas?

Treinar e capacitar cada dia mais seus colaboradores. Hoje muitas empresas fazem uma convenção anual e pronto, acham que está tudo resolvido, grande engano, isso não é mágica! Os gestores precisam entender que treinamento deve ser mensal ou até semanal. É como o ar que respiramos, todo momento precisamos dele pra viver… Assim é o treinamento, precisa ser frequente para sua equipe estar sempre atualizada e motivada para atender e encantar cada dia mais.

 

Vamos falar de educação. O senhor estudou até o quarto ano primário, mas sempre teve uma voracidade pela leitura, o que de certa forma, abriu os seus horizontes. O que deveria ser feito em nosso país, para que a população tivesse incentivo para ler, ou acredita que isso é mais uma questão individual?

Hoje tudo é bem mais fácil, qualquer pessoa pode ter acesso à leitura. Sempre digo, que quem consegue ler, vai sempre mais além, consegue enxergar mais oportunidades. No mundo de hoje é preciso aproveitar mais as redes sociais, não apenas para ficar de conversa fiada, mas sim receber e mandar mensagem que te levem rumo ao conhecimento, a novas formas de fazer, a novas formas de saber o que esta acontecendo e finalmente, aprender cada dia mais. Todo dia aprendemos, portanto é preciso estar atento que todo e qualquer conhecimento é importante, por essa razão, a leitura precisa ser um hábito na vida das pessoas. Muitos treinam e malham, mas esquecem de malhar o órgão mais importante do seu corpo, o cérebro. Ele precisa estar o tempo todo “bem alimentado” de informações. Hoje em dia é muito barato o acesso à internet que chegou para mudar e facilitar a vida de todos.

 

Atualmente o senhor é um dos 10 principais palestrantes do país. Como surgiu as palestras em sua carreira?

De uma forma inesperada. Eu gosto de conversar com as pessoas, de contar histórias. Um belo dia um cliente professor de uma universidade me convidou para falar para turma dele. Eu fiquei nervoso demais, mas fui lá e pronto. Contei como fazia na banca de revistas para ter uma visibilidade tão grande, daí muitas outras turmas foram me chamando, então vi uma outra oportunidade de faturar e fui fazer cursos, seminários, treinar com fono, fazer aulas de teatro, etc.

 

Você sempre afirma, que os empresários devem pensar no benefício dos seus colaboradores e não apenas no seu lucro individual. Como tem sentido essa questão no meio empresarial do nosso país?

Continuo com o mesmo pensamento, sem equipe, ninguém chega a lugar algum. É preciso remunerar de forma digna os colaboradores, pois aí tudo se transforma. Valorizar a equipe é fazer sua empresa sair na frente das outras. Muitos não pensam assim, eu sei, mas o resultado esta aí para quem quiser ver, é preciso mudar para se manter no mercado.

Jornais e revistas

A Superação: Jussier Ramalho na banca de jornais (Foto: Magnus Nascimento)

 

Uma frase sua: “O empreendedorismo é a coragem de enfrentar o medo”. Quantas vezes o senhor teve medo quando estava empreendendo?

Todo dia se tem medo, somos humanos… Empreender é entrar num abismo, ninguém sabe se vai dar certo. O que sempre defendo é que você precisa ter coragem para enfrentar o medo e seguir em frente sempre.

 

O que acredita ser mais difícil, criar ou consolidar uma marca no mercado?

Consolidar sem dúvida é muito mais difícil, pois é preciso entender que seu serviço ou produto precisa amadurecer e continuar sendo consumido de forma cada dia melhor e pra isso é preciso estar muito atento e trabalhar duro para se aparar todas as arestas.

 

Como ser uma empresa diferenciada, valorizada e ao mesmo tempo inovadora?

Cada um tem a empresa que projeta. Ser inovador hoje, não é recriar nada, não é criar uma roda, ser inovador é você reinventar a forma de rodar, isso sim vai te diferenciar no mercado.

 

O que é ter sucesso para o senhor?

Gostar do que se faz, poder abraçar com muito amor e determinação sem ficar ou ter mágoas e poder partilhar momentos com a família, pois os executivos ficam muito tempo distante de seus familiares só pensando no dinheiro e se esquecem de momentos tão maravilhosos que é poder ir deixar um filho na escola, de poder participar com ele num jogo de futebol… Isso pra mim é ser feliz, é ter sucesso!

 

O que faz o senhor se emocionar profundamente quando lembra da sua trajetória de vida, e que ao mesmo tempo o faz pensar que a sua jornada valeu muito a pena?

Não é valeu, o certo pra mim é está valendo a pena! Olhando para traz, faço uma reflexão e vejo como minha mãe foi importante em minha vida. Com ela aprendi perseverar, ser determinado, buscar sempre o impossível. Lembro muito quando pensava em desistir em alguns momentos e dela sempre ouvia a voz firme: “Jussier, você não vai desistir, você não nasceu pra ser um merda! Você nasceu pra vencer, vamos lá rapaz, água na boca, disfarça a fome, vamos vencer com fé em Deus”. Quando ouvia essas palavras, parecia mágica, eu me enchia de energia sei lá de onde e buscava formas pra seguir em frente. Nos momentos mais difíceis ela estava lá, firme na forma dela de nos dar carinho, mas sem nunca deixar a peteca cair. Hoje ainda está comigo, no seu leito acometida com Alzheimer, não nos reconhece mais, mas sua presença ainda é muito importante para minha vida. Tudo que faço lembro de minha mãe, sou voluntário no Lar da Vovozinha (instituição que atende idosas em Natal) para poder amenizar um pouco daquelas que um dia foram importantes na vida de alguém e que hoje ficam lá, sendo que algumas nem recebem visitas de seus familiares, isso dói muito… Aí eu digo agora aos leitores, quer saber se você é amado? Quando alguém não é mais útil geralmente são descartados, ficam nos asilos e nos últimos quartos da casa onde vivem, nunca são convidados a opinar nem participam das decisões. É por isso que se você ainda tem seus pais, ame-os enquanto pode e não permita nunca que se sintam inúteis ou menos importantes na sua vida.

Um vídeo do palestrante Jussier Ramalho

Patrocinado por:
Sapato Site




Imprimir

Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.