Entrevista publicada em 26/05/2017 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Falta investimento governamental nas modalidades esportivas”
Marcos Farber – Sócio-diretor da Farber Marketing Esportivo

Marcos Farber

Marcos Farber é bacharel em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), pós-graduado em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/SP), pós-graduado em Marketing Esportivo pela Universidade Estácio de Sá e coach esportivo formado pela Academia Panamericana de Coaching. Foi Diretor Executivo da Afif Sport Business, consultoria em gestão e marketing do Esporte, membro da Abragesp (Associação Brasileira da Gestão do Esporte), membro do Grupo de Excelência no Esporte do Conselho Regional de Administração (CRA/SP), além de palestrante em diversas instituições entre elas: IAEPETEL – Londrina/PR, PUC/ SP e THE360. É Membro do GEAT (Grupo de Excelência em Ativações de Patrocínio) e atualmente é sócio-diretor da Farber Marketing Esportivo e Colunista do grupo Marketing Futebol Clube no Facebook. “Os dirigentes de futebol ainda têm em mente que um patrocínio numa camisa do time resolve tudo e trará retorno financeiro da noite para o dia. Isto é um erro fatal, pois sabemos que outras ações que envolvem os programas de sócio torcedor, ativações de patrocínio entre outras, trazem um retorno de marca muito maior e menos oneroso do que estampar na camisa do clube. (…) O Marketing Esportivo no Brasil vem num crescente muito grande em virtude de termos tido eventos importantes”, afirma o especialista em Marketing Esportivo.

 

Marcos, antes de mais nada, nos fale um pouco de sua carreira e como se interessou pelo Marketing Esportivo.

Sou administrador de empresas de formação com pós-graduação em Marketing. Atuei profissionalmente sempre nesta área, mas sempre me interessei pelo Marketing Esportivo através de livros, cursos e palestras, além de networking. Resolvi abraçar esta área a partir do momento que conheci um dos pioneiros da gestão esportiva no Brasil, Antonio Afif que me incentivou muito. Montamos uma consultoria que durou dois anos onde aprendi muito e há um ano, resolvi criar a minha consultoria: a Farber Marketing Esportivo.

 

Como se encontra hoje o Marketing Esportivo em nosso país de um modo geral?

O Marketing Esportivo no Brasil vem num crescente muito grande em virtude de termos tido eventos importantes de âmbito mundial nos últimos anos (Copa do Mundo de futebol de 2014 e mais recentemente Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro em 2016). Os negócios do esporte geram muita receita, muitos empregos e a tendência é que novos esportes sejam incorporados a estes eventos, até então não muito divulgados e comercializados pelas mídias televisivas e impressa além das redes sociais.

 

O que difere o Marketing Esportivo do país de outras parte do mundo, sobretudo o Marketing Esportivo da Europa e dos EUA?

A principal diferença dos países europeus e dos EUA para com o Brasil é o profissionalismo. Os esportes são encarados como um entretenimento para o público gerando grandes espetáculos com organização, planejamento e execução de gestores esportivos habilitados para isto. Podemos ver isso nos eventos dos EUA, como por exemplo o basquete da NBA e na Europa com a própria Champions League.

 

Como se deu a formação da sua empresa Farber Marketing Esportivo?

Como disse anteriormente, fui diretor da Afif Sport Business onde Antonio Afif e eu éramos os diretores da Consultoria em Marketing Esportivo que em 2016 chegou ao fim de um ciclo muito interessante onde atuávamos em alguns braços que até hoje mantenho na Farber: organização de palestras de Marketing Esportivo em todo Brasil, coaching esportivo, ativações de patrocínio, patrocínio pontual, programas de sócio torcedor, match day entre outras ações.

 

Quais as principais dificuldades de operar neste setor?

As principais dificuldades são o amadorismo dos gestores, dos dirigentes esportivos e dos empresários que não têm uma visão macro do negócio esportivo. Aliado a isso, ainda posso afirmar que as faculdades do país, não propiciam formação digna com este ramo de atividade.

 

Os solavancos da economia nacional, tem de alguma forma, prejudicado o Marketing Esportivo brasileiro?

Sim. Com esta crise e recessão no Brasil, muitos investimentos que poderiam ser direcionados para o esporte estão indo para outros setores como na produção, nos maquinários, no pagamento de altos impostos entre outros. Outro aspecto é a falta de investimento do Governo Federal nas modalidades esportivas, nos patrocínios dos atletas e que geram cada vez mais problemas no esporte nacional, vide posição na tabela de medalhas na última Olimpíada.
Loja do Palmeiras

Marketing Esportivo: Marcos Farber na loja do Palmeiras (foto: Arquivo Pessoal)

 

Quais os erros mais comuns quando um clube de futebol busca patrocínio no mercado?

Os dirigentes de futebol ainda têm em mente que um patrocínio numa camisa do time resolve tudo e trará retorno financeiro da noite para o dia. Isto é um erro fatal, pois sabemos que outras ações que envolvem os programas de sócio torcedor, ativações de patrocínio entre outras, trazem um retorno de marca muito maior e menos oneroso do que estampar na camisa do clube. É nesta tecla que a Farber Marketing Esportivo vem desenvolvendo projetos de conscientização do empresariado e dos dirigentes esportivos de mudança de postura.

 

O que seria um Marketing Esportivo bem-sucedido?

O Marketing Esportivo bem-sucedido deve ser administrado por profissionais competentes, que buscam sempre se reciclar, com novos conhecimentos teóricos principalmente de países europeus e dos EUA. Um intercâmbio seria o ideal. Disciplinas práticas e teóricas nas universidades seriam bem-vindas.

 

Você é membro da Abragesp (Associação Brasileira de Gestão dos Esporte). Quais os pilares que norteiam o trabalho dessa organização?

A Abragesp tem a missão de ser uma entidade referência pela disseminação de conhecimento na área da Gestão do Esporte no Brasil, unindo professores, pesquisadores, profissionais e acadêmicos com objetivos bem claros, que são dar visibilidade aos estudos realizados por pesquisadores e profissionais brasileiros no cenário nacional e internacional, além de incentivar pesquisas, estudos, congressos, cursos e demais iniciativas (revistas científicas, grupos de estudos e prêmios) que tenham por objetivo o aumento da produção de conhecimento na área da Gestão do Esporte.

 

Qual a importância das Web TVs na estratégia das organizações que atuam no mercado de Marketing Esportivo?

As Web TVs não são uma tendência, sendo uma realidade tecnológica aplicada no futebol. O momento marcante e inicial aqui no Brasil, foi no Campeonato Paranaense deste ano, onde Atlético e Coritiba, não chegaram a um acordo com a TV aberta e com a TV fechada para a transmissão do clássico local, usando a Web TV como forma de transmissão. Os canais oficiais de Atlético-PR e Coritiba no YouTube ganharam entre 15 mil e 20 mil novos inscritos e as transmissões na plataforma, até o fechamento desta reportagem, chegaram a 455 mil e 224 mil visualizações, respectivamente. Já nas fanpages, o Rubro-Negro (Atlético) bateu 1,2 milhão, enquanto o Coritiba registrou 773 mil exibições.

 

Como a palavra inovação é encarada na Farber Marketing Esportivo?

A palavra inovação é algo que a Farber Marketing Esportivo tem como princípio. Não só a inovação tecnológica onde estamos antenados nas novidades mas nas ações desenvolvidas como por exemplo, o coaching esportivo, curso este que terminei recentemente e que direciona, planeja e determina as metas e objetivos dos atletas para um rendimento melhor dentro das suas funções esportivas.

Os projetos de sócio torcedor (ferramenta que aproxima o torcedor do clube) é uma inovação em se tratando de clubes médios e pequenos do futebol brasileiro e com isto manterão seus clubes ativos no cenário nacional.

Um vídeo do executivo Marcos Farber

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.