Entrevista publicada em 25/08/2017 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Há discussões acontecendo sobre tecnologias vestíveis”
Felipe Barreiros – Fundador das startups Ponte21 e MasterTech

Felipe Barreiros

Felipe Barreiros é formado em Sistemas de Informação pela FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista). Tem também um MBA em Gestão Estratégica de Negócios, Executive Program na Singularity University e MasterClass da Hyper Island. Passando por empresas como HP, Microsoft e FIAP, hoje lidera a Ponte21 e seu braço de educação, o MasterTech. A Ponte21 entrega um produto em apenas 8 semanas. “É uma empresa apaixonante focada em acelerar o processo de inovação em organizações ao conectar os nativos digitais aos imigrantes digitais”, diz o empresário com orgulho. Já o MasterTech é uma plataforma para desenvolvimento de habilidades do século 21, onde os profissionais mais qualificados do mercado oferecem aulas, workshops, cursos e programas imersivos para entregar conteúdo aplicável no seu dia a dia. “Por mais rápido que a tecnologia avançou nos últimos anos, diversas leis de como você se relaciona com as pessoas, como as pessoas gostam de se sentir se mantiveram. As pessoas ainda gostam de ser bem tratadas, gostam de ser lembradas, não suportam ser incomodadas e querem criar reais relações. Entender que do outro lado existe um ser humano com necessidades, ambições, desejos e sonhos é crucial pra qualquer pessoa que queira viver nesse mundo. (…) Ainda temos muitas empresas no Brasil que não entenderam que tecnologia é parte crucial”, afirma o empreendedor.

 

Felipe, nossa cultura ainda tende a ver o empresário como um capitão da indústria (com vários funcionários, com uma grande sede física…), e às vezes, até desdenha do empreendedor que tem uma startup com dois ou três funcionários por exemplo. Essa mentalidade é prejudicial em que pontos em sua visão?

Olá Eder. Primeiro de tudo, obrigado pela entrevista e pelo momento de bate-papo. Na minha visão o profissional do futuro é o empreendedor ou intraempreendedor que faz seus projetos acontecerem e entrega muito valor à sociedade. Desde que abri minha empresa, aprendi muito sobre como adicionar valor às outras pessoas e como realmente transformar carreiras.

Dentro do processo de me tornar um empreendedor, tive que deixar antigos vícios como egoísmo e trazer cada vez mais humildade de senso de direção para fazer com que a empresa crescesse, da maneira que as pessoas que trabalhavam comigo esperavam.

 

As empresas de um modo geral, já entenderam o papel da tecnologia em seus negócios?

Acredito que não. Ainda temos muitas empresas no Brasil que não entenderam que tecnologia é parte crucial da estratégia da empresa. Eu ministro diversos cursos pelo Brasil para ensinar executivos a aliar tecnologia na parte da estratégia da empresa. Sem ter a habilidade de lidar com tecnologia e aplicá-la como diferencial da empresa, haverão muitos concorrentes que farão o mesmo trabalho mais barato, mais rápido e com maior eficácia.

 

Em seu Twitter, você afirma que é fanático por conhecer, aprender e ensinar. Quais os momentos mais incríveis em sua carreira, que você conheceu, aprendeu e ensinou com uma profundidade sem igual?

Com 19 anos eu tive a oportunidade de participar de uma imersão de 3 meses onde meu trabalho era estudar. Antes dessa atividade eu era um garoto que sempre ficou de recuperação e nunca tinha visto o real valor em estudar. Digo, com muita certeza, que encontrei um propósito para estudar. Algo que realmente refletia em ações palpáveis no meu dia a dia. Desde então, livros, audiolivros, workshops, eventos, palestras, imersões, bootcamps e conteúdos online são uma das formas que uso para crescer e desenvolver o que eu venho criando.

 

O conteúdo ainda é o rei no mundo digital?

A curadoria do conteúdo é.

 

Qual erro pode ser fatal para quem atua no mercado digital?

Ignorar que do outro lado tem pessoas. Por mais rápido que a tecnologia avançou nos últimos anos, diversas leis de como você se relaciona com as pessoas, como as pessoas gostam de se sentir se mantiveram. As pessoas ainda gostam de ser bem tratadas, gostam de ser lembradas, não suportam ser incomodadas e querem criar reais relações. Entender que do outro lado existe um ser humano com necessidades, ambições, desejos e sonhos é crucial pra qualquer pessoa que queira viver nesse mundo.

 

Eu gostaria que falasse um pouco das suas startups Ponte21 e MasterTech.

A Ponte21 surgiu pra acelerar o processo de inovação nas empresas. Muitas pessoas vêm pra mim e perguntam como eles podem criar um aplicativo, um sistema web ou algo digital que possa melhorar determinado processo. Foi aí que tivemos o insight de trazer as metodologias que são usadas em startups para grandes empresas. Pegamos emprestado diversas destas técnicas e aplicamos no dia a dia das organizações. Os resultados são excelentes!

O MasterTech veio preencher uma lacuna no mercado de educação de tecnologia. Não formamos profissionais de TI. Formamos profissionais de tecnologia. Trabalhamos com desenvolvimento, marketing digital e negócios digitais para acelerar o aprendizado de um profissional que não quer ficar 2 ou 4 anos sentado em uma sala de aula. Fazemos isso em apenas 8 semanas. Em nosso primeiro ano de startup, foram mais de 1.200 alunos presenciais que tivemos.
Escola Viva

Visionário: Barreiros falando de empreendedorismo na Escola Viva (Foto: Arquivo)

 

Como vê o atual momento das startups em nosso país?

Crescente. Há 3 anos pouco se falava disso e o “ecossistema” que vemos hoje não estava nem perto de como está. Mas tenho certeza que há muito o que fazer para que ele cresça e possa gerar cada vez mais “malucos” que desejam empreender e agregar mais valor à sociedade.

 

Quais as principais dificuldades em fazer crescer uma startup, num país volátil como é o nosso?

Incerteza é o principal ingrediente em uma startup. Nosso país tem muito. Acredito que outro é o volume de oportunidades que vemos em nosso país. Muitas das discussões que temos hoje nos coworkings que trabalhamos é como levaremos a tecnologia brasileira para os brasileiros e para fora do país. Realmente acredito que esteja na hora de pararmos de exportar soja e começar a exportar código.

 

O mercado móvel é o grande filão das empresas que de alguma forma atuam na internet ou enxerga outras possibilidades além dessa?

Celulares, tablets, computadores são apenas meios que nos ajudam a acessar os serviços que são desenvolvidos mundo à fora. A tecnologia sempre vai mudar. E a forma de acessarmos conteúdos também. Muitas pessoas não assistiam filme nos metrôs porque o seu plano 3G não suportava, aí veio o Netflix e fez com que você pudesse baixar no Wi-Fi e assistir a caminho de casa.

Há muitas discussões acontecendo sobre tecnologias vestíveis e serviços que são ativados através de sons (Google Home e Amazon Echo). Essa otimização de serviços fará com que você seja cada vez mais produtivo.

 

Você acredita que a computação em nuvem, será a grande disputa das empresas de tecnologia daqui para frente?

Já está sendo! Empresas como Microsoft, Amazon e Google estão correndo atrás umas das outras para poderem se diferenciar e não cair na comoditização do produto que eles oferecem. Satya Nadella, CEO da Microsoft, anunciou há dois anos que qualquer baixa dos preços da Amazon, a Microsoft também seguirá.

Desde que lançamos nossas startups, fizemos parcerias extraordinárias que nos fizeram ter custo quase zero de nuvem.

 

O que o ato de empreender representou em sua jornada de vida até aqui?

Completa mudança na forma de pensar, completa mudança de carreira e completa mudança de valores (para melhor!).

Um vídeo do empreendedor Felipe Barreiros

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.