Entrevista publicada em 29/10/2014 por Eder Fonseca em Economia
 
 

“Não me considero como uma banqueira”
Alessandra França – Diretora-presidente do Banco Pérola

Alessandra França

Graduada em Marketing, MBA em Gestão de Pessoas e MBA em Banking, a paranaense Alessandra França se tornou uma das grandes articuladoras de ações de transformação social do país. Durante 7 anos trabalhou no Projeto Pérola, organização que de beneficiada chegou a coordenadora, cargo máximo do organograma organizacional. Entre 2008 e 2009 participou do processo de formação de empreendedores de negócios sociais realizado pela Artemisia Brasil (pioneira na disseminação e no fomento de negócios de impacto social), do qual foi selecionada entre os cinco melhores empreendedores. Atualmente ela coordena o Banco Pérola, que concede empréstimos para jovens de Sorocaba (o banco também tem uma franquia social no estado do Tocantins). O Pérola nasceu quando Alessandra percebeu que os jovens que estudavam tinham muita dificuldade para fazer seus projetos avançarem. Eles não tinham crédito, mesmo que os valores requeridos fossem pequenos. Até Janeiro de 2013 o Banco Pérola já contava com 341 negócios apoiados e emprestava valor superior a 1 milhão de reais. “O Fundo é regulado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e recebe investidores para que possamos emprestar para empreendedores de baixa renda. O investimento mínimo é de R$ 25.000,00 e a rentabilidade é de 120% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário)”, afirma a empreendedora social. 

 

Alessandra, antes de se dedicar ao banco, você era a principal líder do Projeto Pérola. O que é basicamente o Projeto Pérola?

O Projeto Pérola é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), focada em educação e cidadania.

 

Qual foi a sua reação na primeira vez que viu o trabalho do “banqueiro dos pobres” Muhammad Yunus (economista e banqueiro bengali fundador do Grameen Bank), já que ele é a sua grande referência?

Me surpreendi com o tema do livro, pois achava até então, muito difícil mudar a vida das pessoas com pouco dinheiro.

 

Quando você diz que é banqueira para as pessoas que ainda não a conhecem, como elas reagem, já que em nosso país os banqueiros em muitos casos não são bem vistos?

As pessoas costumam me chamar de banqueira, mas eu não me considero como uma banqueira e também não me intitulo desta forma. Me vejo muito mais como uma articuladora de ações de transformação social que usa como ferramenta o dinheiro.

 

Um dos objetivos do Banco Pérola, é desenvolver a consciência protagonista dos jovens. Como definiria essa consciência protagonista?

Definiria como a consciência de que o jovem é capaz de transformar a sua realidade através do seu trabalho e empenho.

 

Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou quando decidiu colocar o seu projeto de pé?

Inúmeras: fatores como idade, gênero e condição social são apenas três de muitos que poderia citar.

 

A taxa de inadimplência dos bancos nacionais é de 7% em média, já no Pérola é de apenas 2%. Vocês têm algum estudo sobre esses números que são excelentes para o setor em que atuam?

Acredito que este número é uma realidade do microcrédito, devido ao acompanhamento e consultoria oferecidos aos empreendedores da rede durante o processo de crédito.Equipe do Pérola

Inovação: Alessandra França e a equipe do Banco Pérola (Foto: Reprodução/AP)

 

Sabemos que um político local ofereceu uma mesada para assumir a diretoria do banco. Como foi isso?

Infelizmente isto é mais comum do que gostaríamos, mas nós acreditamos em um modelo diferente que passa principalmente pela integridade. O Banco Pérola somente crescerá com trabalho e honestidade.

 

Qual a sua visão sobre o empreendedorismo em nosso país?

O empreendedor necessita de um ambiente mais propício, no entanto, este assunto é amplamente discutido há muito tempo. A missão do Banco Pérola é contribuir para melhorar esta realidade.

 

Como são escolhidas as cidades que terão uma franquia do Banco Pérola, já que sua ideia é crescer no interior ao invés de estar nas grandes cidades?

Escolhemos locais que tenham bons parceiros, que compartilhem dos mesmos valores que os nossos.

 

Como funciona o Pérola Fundo de Investimentos?

O Fundo é regulado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e recebe investidores para que possamos emprestar para empreendedores de baixa renda. O investimento mínimo é de R$ 25.000,00 e a rentabilidade é de 120% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

 

Dos vários casos de sucesso do banco, nos cite um em especial que está vivo em sua mente, e que sempre a faz acreditar que o caminho que tomou foi o mais correto.

Vários são os casos, mas os que mais me inspiram são os do vídeo institucional do Banco Pérola, pois, acompanhei desde o início.

Um vídeo da empreendedora Alessandra França

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.