Entrevista publicada em 28/05/2014 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Nosso foco é absorver as aquisições”
Marco Stefanini – Fundador e CEO da Stefanini IT Solutions

Marco Stefanini Marco Stefanini cursou geologia na Universidade de São Paulo, mas não teve muito tempo para colocar os conhecimentos teóricos em prática. “Quando saí da faculdade, no começo dos anos 80, era o auge da crise do FMI. A profissão deixou de ser atrativa para se tornar um patinho feio”. Resultado: trabalhou apenas um mês como geólogo antes de virar professor por outros noventa dias. Sua vida mudaria completamente. A companhia Stefanini nasceu com o nome do empreendedor, na casa dele, com objetivo de treinar profissionais em TI. Com mais ou menos oito meses, alugou o primeiro espaço na Avenida Paulista. “Bonito, mas bem pequeno”; recorda, mensurando que a sala de 38 metros quadrados dividia-se entre escritório e uma sala de aulas. A Stefanini anunciou faturamento aproximado de R$ 2,11 bilhões em 2013, montante 11% maior que os R$ 1,9 bilhão anunciados em 2012, e tem objetivo de ser uma empresa de R$ 4 bilhões em 2016. “A Stefanini aposta em quatro grandes tendências (mobilidade, cloud computing, Big Data e social Tools) e elas se relacionam entre si. Para a consolidação da mobilidade, as ferramentas de cloud precisam estar maduras para suportar a oferta. Da mesma forma, a utilização eficiente das ferramentas sociais dará suporte para o Big Data/ Analytics. A adoção de novas tecnologias caminham juntas”, afirma o empresário.

 

Marco, fale para nós como foi o começo da sua carreira.

Me formei em geologia, mas entrei na área de TI por uma conjuntura econômica. Como era um mercado que estava crescendo e existiam poucas instituições de ensino que atuavam na área, muitas empresas contratavam estudantes da área de exatas e forneciam treinamento. Foi assim que eu comecei a atuar em tecnologia. Hoje a Stefanini é uma multinacional brasileira com 27 anos de atuação no setor de serviços em TI. Totalmente verticalizada por segmento de indústrias, a consultoria possui grande expertise no mercado financeiro (atende as dez maiores instituições financeiras do país), telecomunicações, seguradoras e setor público. Estamos presentes em 30 países e nossa oferta de serviços abrange Consultoria, Integração, Desenvolvimento de Soluções e Outsourcing para Aplicativos e Infraestrutura; e ainda BPO para processos de negócios. Hoje reconhecida mundialmente, a Stefanini está entre as 100 maiores empresas de TI do mundo (BBC News) e foi apontada como a terceira empresa transnacional mais internacionalizada, segundo ranking da Fundação Dom Cabral.

 

Como era a área de TI na época em que você ingressou no setor?

Há 27 anos o cenário mundial e nacional era muito distinto.

 

Quais são as principais dificuldades que você encontrou quando começou a operar na área de TI?

A principal era a falta de profissionais. Tanto que a Stefanini começou como uma empresa de treinamento. Hoje ainda mantemos o treinamento como foco da empresa e temos na Stefanini, a empresa do grupo responsável por serviços de capacitação profissional. Não entregamos apenas treinamentos, mas sim serviços de formação e capacitação profissional, aderentes às reais necessidades de negócio dos nossos clientes.

 

Você afirma sempre que as dificuldades devem ser transformadas em oportunidades. Como o empreendedor deve reagir quando a dificuldade atormenta o seu sonho?

Acho que é aquela ideia de ver o copo meio cheio e enxergar nas crises que oportunidades ela pode te trazer. Essa sempre foi a minha visão ao conduzir a empresa nos momentos mais turbulentos.

 

Hoje no mundo empresarial, muitos falam em formas complicadas para se obter resultados. Como estabelecer formas simples para que o resultado seja o melhor possível?

Acreditamos na simplicidade como uma forma de nos tornar mais ágeis e obter melhores resultados. Simplicidade não é ser simplista. Está mais ligado a ter metas simples e de fácil mensuração, ter uma gestão não complexa para ter decisões mais rápidas. Para isso, buscamos sempre reduzir os excessos em busca de uma maior eficiência.

 

A Stefanini está em 30 países. O que uma empresa precisa para se estabelecer e conseguir os objetivos quando se trabalha em nações completamente diferentes?

Metodologia e processos eficientes, com flexibilidade para absorver diferentes culturas. Em cada país mesclamos esses dois valores, levando para cada operação nossos valores, mas abertos para aprender com diferentes culturas. Escritório em São Paulo

Tecnologia: Escritório da Stefanini em São Paulo (Foto: Germano Lüders/Exame)

 

O Brasil tem poucas empresas que atuam no setor de tecnologia, uma delas é a Stefanini. O que seria necessário para que mais empresas nacionais, pudessem competir de um modo mais abrangente no cenário global?

Buscar competitividade e eficiência operacional, além de destacar os nossos diferenciais, com uma oferta de serviços com mais valor agregado.

 

O faturamento da Stefanini deve alcançar 4 bilhões de reais em 2016. Nos fale mais sobre essa projeção.

A Stefanini anunciou faturamento aproximado de R$ 2,11 bilhões em 2013, montante 11% maior que os R$ 1,9 bilhão anunciados em 2012. Diante de um expressivo investimento nos últimos cinco anos em aquisições, complementado por um grande crescimento orgânico. 2013 foi um ano de mudanças, investimentos internos, definições de prioridades e ganho de fôlego para a próxima meta: dobrar de tamanho nos próximos três anos. Nós estabelecemos o objetivo de ser uma empresa de R$ 4 bilhões em 2016 e definimos uma nova estrutura para acomodar o novo ciclo de crescimento. Mesmo em uma situação de mercado desfavorável, na qual o país passou por forte desaceleração, conseguimos reorganizar a empresa e obter crescimento.

 

A empresa deve abrir o seu capital em curto prazo?

No momento o nosso foco é absorver as aquisições realizadas.

 

Mobilidade, computação em nuvem ou os dois, qual será a grande disputa das empresas de tecnologia daqui para frente?

Os dois. Na verdade a Stefanini aposta em quatro grandes tendências (mobilidade, cloud computing, Big Data e social Tools) e elas se relacionam entre si. Para a consolidação da mobilidade, as ferramentas de cloud precisam estar maduras para suportar a oferta. Da mesma forma, a utilização eficiente das ferramentas sociais dará suporte para o Big Data/ Analytics. A adoção de novas tecnologias caminham juntas. O Brasil segue como alvo de investimento, com projetos de melhorias de eficiência operacional e a abertura de duas novas empresas em áreas estratégicas. Social Tools, Mobilidade, Analytics/ Big Data e Cloud Computing são as quatro tecnologias que seguem como foco de atuação da nossa empresa.

Um vídeo do empresário Marco Stefanini

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.