Entrevista publicada em 28/03/2018 por Eder Fonseca em Pensamento
 
 

“Novas tecnologias poderão mudar o foco”
Gerson Ribeiro – Desenvolvedor de Mídias Digitais e integrante do Núcleo de Experimentação Tridimensional

Gerson Ribeiro

Gerson Ribeiro é Desenvolvedor de Mídias Digitais, graduado em Desenho Industrial pela PUC-Rio e atualmente faz Mestrado em Design pela PUC-Rio pesquisando Tecnologias 3D para Medicina. Foi bolsista pelo CNPQ no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI). Trabalha no Núcleo de Experimentação Tridimensional (NEXT) e no Instituto TECGRAF, ambos da PUC-Rio. Apaixonado pelo mundo 3D e a transição entre o físico e o digital, desenvolve há 7 anos pesquisa e operação das tecnologias de prototipagem rápida (impressoras 3D), captura de superfícies (scanners 3D), Medicina e Realidade Virtual. Também possui habilidades com modelagem e rendering 3D, além de programação de interfaces físicas com Tecnologias Inteligentes como Arduíno e Gadgeteer e ambiente de desenvolvimento Processing. “Com a Realidade Virtual, acredito que é algo mais consistente, mas não acho que seja tão grandioso assim como o advento da internet. É sim uma ferramenta poderosa para as nossas necessidades atuais, mas olhando para o futuro, novas tecnologias poderão surgir e mudar o foco, como outro exemplo, até próximo, é a Realidade Aumentada. (…) A possibilidade de ver o corpo humano de outras formas, como por dentro, tem se mostrado muito impactante para os médicos, quando apresentamos em eventos, tanto a Realidade Virtual quanto a Impressão 3D”, afirma o pesquisador.

 

Gerson, como seu deu o seu interesse pelas mídias sociais e pelas tecnologias 3D para Medicina?

Aconteceu por um processo evolutivo. Entrei para o NEXT, um laboratório de experimentação tridimensional indicado por um professor devido ao desempenho em sua matéria quando estava no 3º período da graduação de Design em 2011. Primeiro aprendi sobre 3D, aprendi a modelar, a escanear, imprimir e minha função era aprender essas tecnologias para ajudar os pesquisadores da pós-graduação quando eles precisavam de algumas delas. Num segundo momento o meu professor que coordena o Laboratório, Prof. Jorge Lopes, me apresentou ao Dr. Heron Werner e então passei a trabalhar no projeto que os dois já desenvolviam de impressão de fetos em 3D. A partir daí comecei a pesquisar melhorias nesse processo, então, havia uma navegação pelas vias aéreas que eles haviam feito e que com os conhecimentos de Designer e em 3D melhorei o vídeo passor a ser em FullHD (alta resolução), depois fiz em 3D esterioscópico, Prof. Jorge então comprou um óculos Rift (de realidade virtual) e então pesquisei como portar para o óculos e por último, como portar para celular. Também otimizei o processo de tratamento dos exames tornando mais rápido o processo e impressão… enfim foi um processo que vai evoluindo e adaptando às novas tecnologias.

Pelas mídias sociais, no sentido de redes sociais eu não tenho esse interesse. Agora no sentido de participar do projeto 5Visões, sinto que é como uma gratidão e retribuição poder passar um pouco desse conhecimento aos alunos, pois eu vim de uma região carente de oportunidades mas consegui vencer isso por meio dos estudos. Estudei com bolsa, enfrentava mais de 5 horas de trânsito todo dia. Enfim, diversas dificuldades mas que não me impediram de aproveitar ao máximo as oportunidades que apareciam. E vejo esse curso como uma oportunidade a esses jovens, e acredito que com esses conhecimentos eles poderão encontrar muitas outras oportunidades.

 

Começando pelas mídia digitais. Podemos dizer que elas já estão trabalhando com todo o seu potencial?

Acredito que nunca atingirão seu potencial pois existe uma relação muito próxima com a criatividade. Sempre haverá alguém que pode pensar no uso de uma tecnologia num campo diferente ao que ela foi criada, isso é uma facilidade do meio digital, pois você pode programar para fazer o que você tiver ideia. A Realidade Virtual na Medicina é um exemplo disso, criada para jogos, encontraram diversas outras funcionalidades para essa tecnologia. Então, o céu é o limite!

 

Como se encontra o mercado audiovisual em nosso país neste momento?

Eu não sei dizer muito sobre o assunto, pois como estou no meio acadêmico, não acompanho muito o mercado. Por outro lado, pelo que vejo dessas tecnologias, acredito que existem oportunidades, justamente por que essas tecnologias são amplas aplicabilidades. Então para o que quer seguir com Medicina, existem diversos hospitais, centros de pesquisa, ou na área do petróleo, na área do entretenimento, da construção civil além de todas as subáreas delas. Embora tudo no Brasil é difícil e caro acredito também que isso entrave um pouco o surgimento de novas oportunidades mas quando há possibilidade, é difícil achar alguém capacitado.

 

E a formação dos profissionais deste setor?

A formação acredito ser boa, mas também é algo recente. A minha graduação por exemplo nasceu em 2006 (mídias digitais). Existem também alguns cursos com foco técnico nessa área, geralmente chamados de jogos.

 

Quais as maiores falhas (se é que elas existem) que você analisa na formação destes profissionais?

Acho que muitos alunos entram focados em jogos. Às vezes perdem a oportunidade de encontrar outras aplicações para as coisas que aprendem. Os professores podem ajudar nisso. Inclusive é por isso que irei falar de Medicina Fetal na aula.

 

A inteligência artificial irá mudar todos os relacionamentos humanos de fato?

Sim, mas acho que não o nosso, mas as crianças que nascerem para frente.
Escaneamento 3D

Tecnologia: Escaneamento 3D realizado pelo laboratório NEXT (Foto: Reprodução)

 

Em que parte da nossa sociedade estas mudanças serão mais sentidas a níveis dramáticos?

Acredito que as partes mais ricas, que como um país como nosso, são os que terão mais acesso.

 

O designer Cyrill Etter, afirmou que a Realidade Virtual é o início de algo grandioso para a humanidade. Concorda com essa afirmação?

[Risos]. Não muito. São muito grandes as possibilidades e aplicações, mas não podemos esquecer do Kinect por exemplo, que captava seus movimentos e te dispensava de usar controles para comandar coisas eletrônicas e digitais, parecia incrível, mas hoje, saiu de linha. Com a Realidade Virtual, acredito que é algo mais consistente, mas não acho que seja tão grandioso assim como o advento da internet. É sim uma ferramenta poderosa para as nossas necessidades atuais, mas olhando para o futuro, novas tecnologias poderão surgir e mudar o foco, como outro exemplo, até próximo, é a Realidade Aumentada.

 

E o que mais poderia dizer ainda sobre este tema que para a maioria da população é inimaginável?

Eu diria que falando em criatividade, muita coisa é possível, e se você tem alguma ideia que parece impossível, na verdade pode ser sim. Talvez não hoje mas no futuro, com o Realidade Virtual foi assim, existem tentativas desde antes dos anos 50, mas a tecnologia não dispunha de meios ainda, mas esse dia chegou em 2014 aproximadamente. Foi assim com as impressoras 3D também, as primeiras datadas dos anos 80, só se tornaram viáveis nessa última década. O que esperar do futuro?

 

Quais serão os maiores impactos da tecnologia 3D na Medicina?

Tenho visto que são muito grandes. A possibilidade de ver o corpo humano de outras formas, como por dentro, tem se mostrado muito impactante para os médicos, quando apresentamos em eventos, tanto a Realidade Virtual quanto a Impressão 3D. Heron fala que essas tecnologias auxiliam muito na hora da comunicação, sobretudo em casos de patologias quando reúne-se uma equipe de médicos com especialidades diferentes e querem planejar uma intervenção e em situações didáticas também são muito relevantes.

Um vídeo da NEXT sobre 3D

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.