Entrevista publicada em 12/11/2016 por Eder Fonseca em Cinema
 
 

“O Brasil depende das produções hollywoodianas”
Marcelo Lima – Cofundador da Expocine, criador da Revista Exibidor e CEO da consultoria Tonks

Marcelo Lima

A Expocine é o maior evento da América Latina voltado à indústria cinematográfica de exibição, distribuição e empresas fornecedoras de tecnologias, serviços e produtos para o mercado. A convenção em 2015 – sua segunda edição – conquistou o posto de segundo maior evento do gênero no mundo em número de participantes. Como condutor desta operação está Marcelo Lima, que além de ser um dos fundadores da Expocine, é criador da Revista Exibidor (que tem a finalidade de divulgar informações e serviços voltados ao mercado exibidor) e CEO da Tonks (empresa de consultoria para o mercado cinematográfico de exibição e distribuição). Neste ano de 2016, o evento terá palestras e painéis de discussão com profissionais do mercado, apresentações dos estúdios, distribuidoras cinematográficas e uma feira com mais de 70 estandes de expositores de diferentes países. “Nós temos altos e baixos, com anos que explodem. Teve um ano que foi surpreendente. Numa única semana a gente tinha três filmes nacionais em cartaz, tomando conta de mais de 50% do mercado. Eu não vou lembrar o ano, mas foi aquele ano que teve “Carandiru”, “Os Normais” e o primeiro filme do padre Marcelo Rossi [no caso o ano seria de 2003]. Foi um marco aquele ano. Depois disso estamos sempre em altos e baixos. Tem ano que a gente não tem nada e tem ano que a gente explode com diversas produções”, afirma.

 

Marcelo, fale um pouco do seu começo de carreira e de como sua relação com o setor de exibição se tornou tão pujante.

A minha carreira dentro do mercado cinematográfico começou bem cedo, já que vim de uma família do setor de exibição. O meu pai trabalhou no mercado de exibição durante muitos anos, começando como faxineiro, trabalhando como lanterninha… tem toda uma história por trás da criação da exibidora do meu pai. No fim ele terminou na distribuidora Paris Filmes. A partir dali, ele decidiu abrir um cinema. Esse cinema cresceu e hoje é uma das maiores redes de cinemas do país, sendo “batizada” com o nome de Centerplex Cinemas. Há 10 anos atrás eu saí dessa empresa (Centerplex Cinemas) e decidi fundar a Tonks, que é uma empresa de consultoria para exibidores. Inicialmente a gente começou a trabalhar fazendo websites para exibidores bem no início da internet. Hoje prestamos serviços dos mais diversos tipos tanto para exibição como para distribuição. Também fundamos a Revista Exibidor e a própria Expocine. A minha carreira no mercado, sempre está atrelada desde que eu nasci. Até brinco às vezes que (algo que é real) meu berço ficava dentro da bilheteria de um cinema de Poços de Caldas [Risos]. Eu sou uma das poucas pessoas do mundo, que não me lembro qual foi a primeira vez que fui ao cinema pois nasci dentro dele.

 

Como tem sentido o mercado de cinema no Brasil nos últimos 10 anos?

Se tirássemos os dois últimos anos desta loucura que está sendo o nosso país com as crises políticas e econômicas, diria que estaríamos em franca expansão. Podemos dizer literalmente que os últimos 10 anos do Brasil, são dois terços da existência da Ancine (Agência Nacional do Cinema), que está completando este ano 15 anos. A presença da Ancine, junto com a presença do Partido dos Trabalhadores que assumiu o Governo em 2003, produziu uma presença mais forte do Estado dentro dos cinemas, com algumas intervenções e decretos nada agradáveis para o exibidor brasileiro. Do lado de bilheterias e qualidade de filmes, podemos dizer que o Brasil continua ainda bastante dependente das produções hollywoodianas, pois há uma dificuldade grande de um crescimento interno. A gente fala às vezes que ainda há uma barreira televisão/cinema, já que o pessoal prefere investir mais em televisão do que em cinema quando se trata de produções, principalmente quando falamos de Rede Globo, com suas produções que ainda são de alta qualidade. Não vemos o mesmo tipo de qualidade de produção para o cinema.

Nós temos altos e baixos, com anos que explodem. Teve um ano que foi surpreendente. Numa única semana a gente tinha três filmes nacionais em cartaz, tomando conta de mais de 50% do mercado. Eu não vou lembrar o ano, mas foi aquele ano que teve “Carandiru”, “Os Normais” e o primeiro filme do padre Marcelo Rossi [no caso o ano seria de 2003]. Foi um marco aquele ano. Depois disso estamos sempre em altos e baixos. Tem ano que a gente não tem nada e tem ano que a gente explode com diversas produções… Este ano de 2003 foi um deles. Se não me engano já fizemos 20 milhões de ingressos de filmes nacionais em 2016, o que é bem maior que os números do ano passado… Só que se a gente tirar “Os Dez Mandamentos” lá do início do ano, que foi um filme massivo e que teve um trabalho diferente com apoio da igreja [Igreja Universal do Reino de Deus], estamos tirando 10 milhões de ingressos. Se compararmos esses 10 milhões com o ano passado, estamos tirando muito baixo. Resumo da ópera: presença marcante do Estado com certas intervenções junto à comunidade exibidora; crescimento maior do mercado hollywoodiano principalmente com adaptações de livros e de HQs, além de uma situação bastante instável com altos e baixos do cinema nacional.

 

O que distingue o cinema em sua visão, de outros setores e atividades de entretenimento, que ficam em muitos casos inviabilizados e com dificuldades gigantescas de sobreviver em momentos de crise como acontece agora?

Se eu comparar com o audiovisual, temos uma forte presença de diversas áreas principalmente da televisão. Eu não sei como estão as vendas na TV em relação aos comerciais, mas vemos que a produção continua e que não teve perda de qualidade, vide o “Velho Chico”, uma superprodução onde o custo por capítulo era sempre o dobro do custo por capítulo de uma novela das nove. Agora se compararmos com outros tipos de entretenimento como viagens, passeios e bares, cinema é um dos meios de entretenimento mais barato do mercado. Eu sempre tenho falado que o sucesso do cinema em meio a crise, não é só pelo motivo de ser o meio mais barato. É um conjunto de fatores que dão o resultado do mercado atual. Já ultrapassamos a marca de 12 milhões de desempregados, só que temos outros 90 milhões de empregados. Esses 90 milhões estão naquela situação:

“Será que vou ser mandado embora ou será que vou continuar no emprego? Então prefiro não gastar…” Se ele prefere não gastar começa a sobrar dinheiro na conta dele, já que ele [trabalhador/público] continua recebendo o salário normalmente. Ele não vai gastar com viagens. Ele não vai gastar com a reforma da casa ou na compra de uma casa nova. Não gastará na troca de um carro usado para um novo. Esse dinheiro vai sobrando… E o que ele decide? Se você vai para um restaurante ou para um outro tipo de diversão como um barzinho, você fica naquele pensamento: “Será que vou gastar? É melhor eu não gastar”. Já no caso do cinema, você tem o fator psicológico do título do filme. Se o título do filme é muito forte, ele vai se preparar. Quando você vai lançar um “Batman Vs Superman”, um “Deadpool”, ou outros títulos apelativos, há uma certa programação para assistir esse filme do tipo: “Eu estou juntando uma grana, mas esse filme é imperdível, eu não posso perder!”

Então existe uma preparação para comprar esse ingresso. Há um lado psicológico que ajuda na hora de decidir aonde que ele vai gastar com entretenimento, diferente de restaurantes e bares, que é mais uma decisão de última hora. Repito, esse ponto de vista é pessoal. O que eu posso garantir é: cinema continua sendo um programa barato em conjunto com a quantidade de títulos de alta qualidade comercial que estão sendo lançados no país. Eu tenho um levantamento deste ano de 2016, no qual consta que todo mês têm um grande título, sendo que não teve apenas em setembro e outubro, pois neste período, passamos por uma entressafra. Em novembro temos dois grandes títulos que são “Animais Fantásticos e Onde Habitam” que é da mesma escritora do Harry Potter [a escritora britânica J. K. Rowling] e “Doutor Estranho” que é um título da Marvel.

 

Especialistas e cineastas que já entrevistamos, afirmam que a injusta divisão das salas de exibição, seria um dos motivos para um número reduzido de pessoas que vão ao cinema para ver filmes nacionais se formos comparar com filmes vindos de outros países como os EUA por exemplo. Qual a sua análise sobre este assunto?

Eu discordo completamente dos cineastas que vocês entrevistaram. Não creio que haja uma injusta divisão de salas de exibição. O mercado de exibição de cinema é um mercado como qualquer outro. É como uma prateleira. Se você vai numa mercearia ou num hipermercado, a mercearia vai ter muito menos produtos que o hipermercado por falta de espaço em gôndola. Com o cinema é o mesmo esquema. No cinema, eu tenho as minhas salas que são as “prateleiras”. Se eu tenho poucas salas, vou escolher os produtos que me dão mais retorno financeiro, afinal, o cinema têm que pagar a sua conta. Somado a isso e com a pouca qualidade dos cinemas nacionais, fica muito difícil concorrer com o cinema norte-americano. Por exemplo, na rua Augusta você tem cinemas indies e alternativos. O que está na prateleira por lá? Filmes franceses, venezuelanos, argentinos e brasileiros. Então é como estou falando sobre a diferença da mercearia e do hipermercado. A mercearia às vezes não vende um produto de alta qualidade na gôndola, pois aquela região não compra um produto de qualidade já que preferem comprar um produto um pouco inferior e tal… Não estou dizendo que os filmes que não são americanos são de qualidade inferior, mas só fazendo uma metáfora de supermercado e cinema.

A minha visão, junto com a análise que eu já tenho por estar há bastante tempo no mercado, é que existem poucas salas de cinema. Boa parte dos cinemas do Brasil têm uma média de três ou quatro salas. Aí você lança uma média de 10 filmes por semana, não vai ter espaço para todos os filmes. O Brasil passa por uma crise, às vezes digo que é um colapso de falta de espaços para lançamentos de filmes, sendo que até os filmes americanos sofrem com isso. Eu não tenho números agora na minha frente, mas um caso claro foi o do “X-Men: Apocalipse” (filme distribuído pela Fox). Era um filme de alta qualidade comercial (não vou falar aqui sobre questões de roteiro, pois é um lado de crítico, um lado mais humano) que estava tendo uma carreira muito boa, e que simplesmente foi retirado de cartaz para entrar outro título forte do mercado hollywoodiano. Se tivesse algum outro título forte brasileiro, este título entraria. Veja por exemplo “Carrossel”, ele tem números bons; veja por exemplo “Os Dez Mandamentos”, ele também têm números bons. O problema é que falta salas no país. Enquanto aqui no Brasil um grande lançamento ocupa 50% das salas, nos EUA um grande lançamento ocupa 10% das salas. A diferença é que aqui no Brasil temos 3 mil salas e nos EUA temos 30 mil salas, além de cada cinema de lá ter 9, 10 salas… Existem complexos nos EUA que têm 20 salas! A crise que temos não é uma decisão do exibidor de não querer exibir filmes nacionais. Ele até gostaria de ter mais títulos e espaços para colocar mais títulos. Queria ter mais espaços para colocar tantos filmes, ou seja, falta sala de cinema, esse é o grande problema do nosso país. Nós temos pouquíssimas salas por complexo pela alta variedade e quantidade de filmes que são lançados por semana.

 

Quais são os aprimoramentos que faltam nas salas de exibição, para que o público tenha uma melhor experiência do espaço como um todo?

Eu acho que estamos em um caminho bom. Hoje com o surgimento das PLFs (Premium Large Format) que são cinemas como IMAX, XD, XPlus, Macro XE e todos os tipos de X que o pessoal têm criado para lançar suas marcas, os cinemas estão indo bem. Hoje você tem projetores de 4K, que você consegue ter uma alta qualidade de projeção. Você também tem som imersivo que pode chegar até 80 canais, fugindo daquele 5.1 canais que existia até pouco tempo atrás (já que subiu para 7.1). Hoje cada caixa de som dentro de um cinema pode ser um canal. Existem duas marcas grandes que cuidam dessa área que são a Dolby que têm a Dolby Atmos e a Barco que têm o Barco Auro 3D, sendo esses dois sons imersivos. Aprimoramento dentro da sala de exibição, eu creio que estamos no auge de qualidade dos cinemas, falta claro saber onde estão esses cinemas. Em São Paulo, temos uma boa quantidade desses cinemas, dando até para mapeá-los (passam de 10), mas custa caro ter um complexo inteiro com essa qualidade. Eu venho de uma viagem a trabalho que fiz pela Europa, mas precisamente em Barcelona na Espanha. Lá conheci um cinema muito interessante. São vinte e poucas salas, e todas essas salas são cinema de alta qualidade de som e imagem. Foi gasto uma fortuna, sendo um exemplo que é possível ter um cinema com som imersivo 100%, com tela gigante e tudo mais… só que custa caro. Posso dizer que por aqui, não falta muita coisa não. O que falta é pegar os cinemas antigos e reformar, só que isso é uma questão financeira e de estratégia de cada uma das empresas exibidoras.

 

Como tem enxergado a visão dos empresários que investem no mercado cinematográfico em nosso país?

Aqui eu divido em dois setores: o setor dos investidores e o setor das famílias. O setor das famílias são as empresas nacionais. Todas elas (com exceção de uma), foram construídas a partir de capital familiar. É o pai, a mãe e os filhos que tocam a companhia. Esse tipo de empresário eu considero como um herói. Sofrem com o Custo Brasil que todo mundo conhece, além de sofrer com as dificuldades político-econômicas que o nosso país sempre sofreu, como a intervenção do Governo como disse na segunda questão (e isso não é exclusivo do PT, já que sempre houve intervenção do Estado). Existe uma intervenção forte dentro dos cinemas, pois eles acham que são donos dos auditórios, vide a questão da meia-entrada, onde você é obrigado a dar 50% de desconto e não recebe subsídio nenhum do Governo para dar esse desconto. Você é dono de um produto, e o Governo exige que você cobre metade daquele produto, o que é irreal e totalmente inconstitucional. E tem o outro lado que é o lado dos investidores, basicamente os cinemas de marcas internacionais. É claro que por questões financeiras eles não sofrem muito, já que recebem valores de fora para conseguir investir no país. Eles também têm um pouco mais de facilidade para negociar com os shoppings mais badalados. Então hoje, na questão de investimentos, eu posso dizer que os cinemas estão indo bem, mas ambos os lados preferem aguardar a situação para saberem onde investir. Estamos ainda numa fase de indecisão de investimentos, ou seja, por mais que eles tenham valores guardados estão gastando pouco. E um outro porém também, é que o cinema é dependente dos shopping centers. Como a crise atual atacou diretamente o varejo e os shoppings, estamos com pouca quantidades de shoppings sendo inaugurados, por consequência, poucos cinemas são inaugurados.
Expocine 2015

Sétima Arte: Alguns dos participantes da Expocine 2015 (Foto: Celluloid Junkie)

 

A Revista Exibidor do qual é diretor, tem a ambição em se tornar a “Bíblia” do cinema no país como a influente francesa “Cahiers du Cinéma”, ou ela foi criada para outras finalidades mercadológicas?

Completamente diferente. A revista “Cahiers du Cinéma” é mais voltada para a área de produção e do consumidor final. Já a Revista Exibidor sempre teve o foco de trabalhar com os cinemas, ajudando as pessoas a trabalhar com cinema e a operar um cinema. Traz também feedbacks do mundo, como o que têm acontecido lá fora, além de casos de sucesso para que a gente torne nosso mercado de cinema ainda mais profissional. A Revista Exibidor hoje tem cinco anos de idade, tendo diversos casos de sucesso nesses últimos 5 anos. Tivemos intervenções que todos os cinemas fizeram a partir de uma notícia ou de uma reportagem que nós realizamos. É gratificante, claro. Nós já somos referência no mercado brasileiro e estamos tentando ser referência na América Latina, mas a comparação com “Cahiers du Cinéma” não tem nada a ver. Uma coisa é o consumidor final e outra coisa é atender o mercado cinematográfico de exibição. Nós somos tão influentes como a revista “BoxOffice” dos EUA, “Côté Ciné” da França e “Theatre World” da Índia… estamos nesse nível de revistas, ou seja, a revista que conversa com o dono do cinema e não com os produtores de filmes ou com um distribuidor de filmes.

 

Gostaria que falasse um pouco sobre a Tonks e o que tem feito para fazer com que a consultoria seja valorizada, diferenciada e inovadora no mercado.

Nós temos trabalhado nesses 10 anos para criar soluções de alta qualidade e indispensáveis para o mercado de distribuição e exibição. Algumas destas inovações, são confidenciais por estratégias nossas de mercado, mas a gente sempre busca melhorar a vida operacional tanto do exibidor como do distribuidor, fazendo análises de mercado e tentando prever resultados para o futuro. Não digo resultados de renda, já que não é o nosso Know-how, mas previsões de como o mercado será daqui a alguns anos, além de como vamos trabalhar daqui a alguns anos ajudando numa estratégia mais operacional do cinema. Fora as outras soluções que temos lançado e que o mercado tem abraçado e trabalhado junto com a gente. Hoje nós temos mais de 20 soluções que o mercado de exibição e distribuição utilizam para facilitar a vida deles na operação dessas duas áreas.

 

A Expocine é o maior evento da América Latina voltado à indústria cinematográfica de exibição. Quais os desafios em gerir um negócio como esse?

São vários. Você tem um novo desafio a cada ano, para fazer um evento do porte da Expocine. E claro, a quantidade de desafios diminui também. Para realizar a Expocine pela primeira vez, literalmente demoramos três anos. Isso se deu por existir muita política no meio. Existe também a questão financeira, além de muito convencimento. Criar uma marca do zero e tentar fazer um evento que custa um valor altíssimo que passa dos seis dígitos é complicado. Eu diria que a primeira vez que pensamos em fazer a Expocine, era mais o desafio do convencimento; o segundo ano era o desafio de dizer que a gente era capaz de repetir o sucesso do ano anterior, já que muita gente acha que você faz tudo aquilo e depois não tem fôlego para fazer a segunda vez; o terceiro ano você tem um desafio maior que é dizer que você é capaz de fazer algo todo ano sem repetir o ano anterior. Para completar esse desafio, ou melhor, para completar esta lista de desafios, a gente no ano passado engatinhou, mas este ano estamos com um pouco mais de voracidade para conquistar o mercado latino-americano. Então o maior de todos os desafios nos nossos próximos 4 ou 5 anos é convencer estrangeiros latino-americanos de que eles são bem-vindos ao território brasileiro.

Percebemos a partir de pesquisas, que há uma certa aversão ao Brasil em relação aos países latino-americanos que falam espanhol. Eles têm medo da língua portuguesa. Eles têm muito mais medo de entrar em território brasileiro do que entrar em território americano por causa da barreira da língua. Isso atrapalha um pouco de você conseguir trazer donos de cinema e operadores de cinema de outros países aqui para o Brasil. Para este ano de 2016, eu posso dizer que estamos bem-sucedidos, já que conseguimos uma boa quantidade de países, passando de 15 ou 20 que vão estar presentes na Expocine entre 16 e 18 de novembro. Já recebemos credenciamento da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, do Equador, da Venezuela, da Colômbia, do Chile… tem gente do Panamá, impressionantes pessoas da Índia e da China… três pessoas da Finlândia, EUA virá com certeza, do México… Então é importante que essas pessoas venham. Tudo bem que são poucas, mas serão elas que farão o boca a boca para que no ano que vem seja ainda maior. Quando voltarem para os seus respectivos países vão falar: “Cara, vale a pena, nós somos bem-vindos ao chegar na Expocine. Eu tenho um manual na minha língua, todas as apresentações têm um tratamento para falar em espanhol…”; Então esse é o desafio, afinal o Brasil já conquistamos. A Expocine é um sucesso dentro do território brasileiro. Recebemos todos os exibidores e operadores do mercado cinematográfico e de exibição na Expocine, e com isso chegamos ao teto. Agora temos que expandir, pois percebemos que há um crescimento cada vez maior de presença estrangeira no evento.

 

Quais são as dúvidas mais recorrentes do mercado audiovisual, no que se refere a nova lei para salas de cinema acessíveis?

As dúvidas são as mais frequentes: que equipamento utilizar, como se portar a isso, enfim… A instrução normativa da Ancine é meio aberta ainda, então não dá pra você saber exatamente o que o dono do cinema precisa realmente, e nem como ele deve fazer. Sabemos que a parte da Lei da acessibilidade que estão criando, obriga você a trabalhar com libras, closed caption e audiodescrição. Só que libras e closed caption são para surdos. Então fica a dúvida se eu tenho que usar os dois, só um, ou se há uma hierarquia de ter a prioridade de um ou de outro. Isso está difícil de entender. A Ancine está bem solícita em relação a isso, sendo que ela [Ancine] estará presente na Expocine e vai querer tirar todas essas dúvidas diretamente com os exibidores.

 

O público total do cinema no primeiro semestre de 2016 foi de 101,4 milhões de pessoas. Qual a estimativa para o ano como um todo?

A expectativa é que ultrapasse pelo menos os números do ano passado. O ano de 2015 fechou com 170,7 milhões de ingressos, então a expectativa é que ultrapasse isso. Não dá para falar que vamos dobrar, pois estamos com uma entressafra grande entre os meses de setembro e outubro, diferente do primeiro semestre de janeiro a junho onde pelo menos um grande título era lançado no cinema. Em novembro nós temos dois grandes títulos e alguns lançamentos nacionais de peso… Minha aposta pessoal é que alcance algo em torno de 80 milhões neste segundo semestre, com isso dando 180 milhões, o que daria um aumento de 10 milhões em relação ao ano anterior. Vamos aguardar e esperar os resultados finais deste último trimestre.

Um vídeo do influente evento Expocine

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.