Entrevista publicada em 23/07/2018 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“O setor tem capacidade de sobreviver”
Elidio Frias – Diretor-presidente da Contech

Elidio Frias

A Contech, empresa 100% nacional, líder de mercado no segmento de tratamento de vestimentas para Papel e Celulose contratou o especialista em Papel e Celulose, graduado em Química e com especialização em Marketing, Elidio Frias, para assumir o cargo de diretor-presidente da companhia. Como representante da organização, ele será responsável por gerenciar e supervisionar todas as áreas internas da empresa. A vasta expertise do profissional favorecerá a criação de novos projetos e estratégias da Contech para os próximos anos. Há 42 anos no setor de Celulose e Papel, Elidio iniciou sua carreira como responsável pela aplicação técnica de produtos químicos e, posteriormente, como gestor em empresas fornecedoras. Com extenso currículo, o especialista possui formação em Química, com cursos de pós-graduação em Química Orgânica e Celulose pela USP, além de Marketing, Administração/Gestão, Liderança de Alta Performance, Governança Corporativa e Conselho em entidades como Fundação Dom Cabral, KELLOG, Instituto Europeu de Administração de Empresas (INSEADE) e Escola de Negócios em Madrid, Espanha (ESADE). Atualmente é conselheiro na Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), tendo passado pelo conselho da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) e sendo VP do Conselho da ONG Educacional da Junior Achievement, em Santa Catarina.

 

Elidio, quais os caminhos que lhe levaram para o mundo do Papel e Celulose?

No início foi uma oportunidade que surgiu no IPT, mais precisamente no Centro Técnico de Celulose e Papel. Em seguida passei a atuar em uma importante multinacional alemã, com atividades diretamente relacionadas aos principais produtores de Celulose e Papel, foi nesse período que percebi que essa indústria iria se expandir e se tornar um importante player global, gerando empregos, negócios sustentáveis e, consequentemente, um setor importante para o país. A partir desse cenário, resolvi dedicar minha carreira profissional nesse segmento. Embora tenha tido a oportunidade de atuar em outras áreas, decidi pela continuidade no mundo de Celulose e Papel. Decisão que proporcionou enormes experiências durante esses 42 anos de atuação.

 

Como analisa o momento deste setor em nosso país?

O setor tem a capacidade de sobreviver aos diversos desafios do país. Prova disso são os registros do aumento de produção de celulose no mês de abril, que foi algo em torno de 4,5% comparado com abril de 2017. Seguindo na mesma linha, o mercado de papéis também registrou um aumento de produção de 4% (abril 2017 x abril 2018) e desta vez a recuperação não foi num segmento específico. Resta saber qual será o impacto da recente greve que afetou os transportes. Ainda não há um cálculo exato do prejuízo provocado por esse movimento e tampouco podemos medir, nesse momento, as consequências no médio prazo, mas estimam-se cifras expressivas de prejuízos para o setor.

 

Em 2017, especialistas afirmavam que o ano era de cautela. 2018 também será um ano de cautela?

As perspectivas para 2018 eram otimistas, com sinais de recuperação, comprovadas pelos aumentos de produção de Celulose e Papel, mencionados acima.
Agora, temos que avaliar as consequências da greve e a capacidade de superação da indústria de Celulose e Papel. Com base na história do setor, acredito que os desafios serão superados e que os índices de produtividade deste ano serão superiores ao de 2017.

 

E como se encontram os investimentos neste setor?

Os investimentos continuam numa crescente. Não só os produtores de Celulose e Papel continuam investindo no aumento de produção, otimização de processos e desenvolvimento dos profissionais, mas também toda a cadeia de fornecedores que atuam nesse segmento. A Contech, por exemplo, está investindo na aplicação de novas tecnologias, na automação dos sistemas, na unidade fabril e na assistência técnica para nossos clientes. Nossos investimentos visam a superar as expectativas de nossos clientes.

 

Quais os maiores desafios que você terá como presidente da Contech?

Estamos atravessando um momento político e econômico sem previsibilidade. Nossos desafios são grandes, mas facilmente administrados, uma vez que a empresa tem alta reputação no setor e profissionais capacitados. Nossa intenção é crescer no médio e longo prazo, para isso precisamos estar alinhados e criar um planejamento estratégico coerente e assertivo. O primeiro passo será assegurar que todas as áreas da Contech estejam engajadas na criação desse planejamento. Continuaremos operando dentro dos princípios básicos da governança corporativa; transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

 

Que pilares que você tem como profissional e que trará para a Contech?

Gostaria de aproveitar essa pergunta para descrever sobre uma das minhas maiores preocupações, a sustentabilidade social. Já tive oportunidade de trabalhar em projetos que vão além da gestão de um negócio. É imprescindível olhar, no mínimo, a comunidade ao redor da fábrica. Não estamos falando de trabalhos com viés de doação, mas sim de projetos que poderão garantir à comunidade uma vida melhor. Também faço parte de projetos, onde, como voluntário, promovo conversas com jovens para melhorar o entendimento deles sobre as carreiras profissionais. Pretendo implementar essas ações na Contech e tenho certeza que teremos sucesso, mesmo porque a Contech já tem projetos em andamento no entorno da fábrica.
O novo

Experiência: O novo diretor-presidente da Contech, Elidio Frias (Foto: Divulgação)

 

Como enxerga o momento da Contech no mercado?

Não poderia ser melhor. A Contech está passando por um momento ímpar em sua governança, o que garantirá a perpetuação de um excepcional trabalho iniciado há mais de 25 anos pelos seus fundadores. A Contech é reconhecidamente uma empresa com altíssima reputação técnica, que oferece aos clientes a possibilidade de otimizar os processos produtivos, mas principalmente atua no segmento de energia limpa, por exemplo, protelando o descarte prematuro de produtos têxteis usados na produção de Celulose e Papel. Essa atividade, além de proporcionar benefícios econômicos aos clientes, está diretamente ligada aos cuidados com o Meio Ambiente.

 

Manter uma empresa na liderança é um desafio que requer inovação ou sustentação?

A responsabilidade de uma empresa deve ir além de produtos e aplicações inovadoras. Uma ação está diretamente ligada à outra, temos que trabalhar fortemente nas duas direções.

 

Você também é conselheiro na ABTCP. Gostaria que falasse um pouco do seu trabalho na associação.

A ABTCP desempenha um papel fundamental para a indústria com várias frentes de trabalho, mas eu gostaria de dar destaque para o desenvolvimento de profissionais para o setor. Temos trabalhado fortemente em cursos específicos e cursos de pós-graduação para garantir ao setor profissionais com maior qualificação. Essa ação, não só assegurará o crescimento do setor, bem como melhorará, substancialmente, a qualidade de vida dessas pessoas.

 

Como o Governo tem tratado especificamente deste setor?

Prefiro não entrar nesse mérito, pois a visão dos fornecedores de insumos não é tão qualificada como a dos produtores de Celulose e Papel, onde a interface entre governo/empresa é maior.

 

A Contech é uma organização que detém grande confiança dos clientes. Acredita que isso é o seu grande diferencial?

A confiança dos clientes na Contech foi conquistada através de anos de árduo trabalho em todos os níveis de atuação. Não há dúvida que um segmento onde os investimentos são intensivos a reputação faz a diferença. Nosso propósito, visão e valores estão totalmente alinhados com a manutenção desse grau de confiabilidade.

Um vídeo sobre Papel e Celulose

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.