Entrevista publicada em 16/10/2013 por Eder Fonseca em Artes
 
 

“O trabalho do ator é incessante”
Sylvia Bandeira – Atriz, produtora e escritora

Sylvia Bandeira

A atriz Sylvia de Sousa Bandeira Ferreira nasceu em Genebra na Suíça. Participou de trabalhos importantes na TV Globo como as minisséries Avenida Paulista, Quem Ama Não Mata, Agosto e as novelas Um Sonho a Mais, Roda de Fogo, Bebê a Bordo, Um Anjo Caiu do Céu, O Beijo do Vampiro, Vila Madalena e Suave Veneno. Seus últimos trabalhos na TV foram em Vidas Opostas, Promessas de Amor, Amor e Intrigas e Balacobaco todas na Rede Record. Recebeu o prêmio Heloneida Studart-ALERJ de “Melhor Atriz” no Rio de Janeiro em 2011 pelo seu trabalho na peça “Marlene Dietrich – As Pernas do Século”. Indicação ao prêmio Shell de “Melhor Atriz” em 2011 pela mesma peça. Recentemente, lançou o livro “Mamãe Costura e Essa Noite Vou Te Ver”, onde faz relatos da sua vida e de sua vitoriosa carreira. “O diretor tem sempre razão, pois ele tem a visão do todo de um determinado trabalho. Ele é como a figura do “pai” e o ator tem mania de discutir o seu papel, ao invés de entrar no clima proposto e aí sim imprimir a sua verdade. (…) Não sei se absoluta, mas no teatro não dá para mentir. Tem que saber projetar a voz, se colocar em cena, usar toda sorte de gama de emoções para tocar o público sem o recurso do “cue” da regravação. O teatro é ao vivo. (…) As coisas mudaram e acredito que independente de qualquer coisa, quem tem talento fica”, afirma a atriz, produtora e escritora. 

 

Muitos dizem que se fizéssemos uma lista com as melhores atrizes do Brasil, você certamente estaria entre as dez primeiras. Como a espectadora Sylvia Bandeira vê a atriz Sylvia Bandeira?

Fico feliz e lisonjeada em fazer parte dessa lista! Como espectadora de mim mesma sou sempre muito crítica e implacável! Mas as vezes gosto de algum trabalho em que realmente me entreguei de corpo e alma.

 

Vamos supor que estivesse começando a sua carreira de atriz hoje, acredita que teria o mesmo repúdio que teve há 35 anos atrás da classe artística?

As coisas mudaram e acredito que independente de qualquer coisa, quem tem talento fica.

 

Você diz que a beleza da sua profissão é que está sempre aprendendo. Se um ator ou uma atriz não tiver essa visão, eles poderão se perder caindo no deslumbramento, principalmente no dias atuais que tudo inclusive o sucesso, é mais acelerado e efêmero?

Definitivamente! O ator que acredita só no sucesso e no conceito de “celebridade” mais cedo ou mais tarde vai cair do cavalo. O trabalho do ator é incessante. Temos Bibi Ferreira, Marília Pêra e tantos outros que não me deixam mentir.

 

Entrevistamos cineastas e todos foram unânimes: no cinema existe mais capricho. Quando foi perguntada em uma entrevista sobre as diferenças da televisão e do cinema, você disse que a televisão é a arte do improviso e o cinema é o sonho. Por que você acredita que o cinema fascina tanto quem faz e quem assiste?

O cinema é magia pura. Sou apaixonada pelo escurinho das salas de exibição. Claro que hoje temos seriados extremamente bem feitos que conseguem muitas vezes recriar essa magia.

 

Existe algo que lhe incomoda nas publicações que cobrem o mundo da televisão, do cinema e do teatro?

As fofocas em geral que se concentram no aspecto pessoal da vida do artista e não nos seus feitos.

 

Todos sabem que você foi casada com o apresentador Jô Soares. Qual a principal dica profissional, que ele lhe deu (se é que ele fez isso) e que você aplica ao seu trabalho?

Que o diretor tem sempre razão, pois ele tem a visão do todo de um determinado trabalho. Ele é como a figura do “pai” e o ator tem mania de discutir o seu papel, ao invés de entrar no clima proposto e aí sim imprimir a sua verdade.
Marlene Dietrich

Talento: A atriz na peça “Marlene Dietrich – As Pernas do Século” (Foto: Divulgação)

 

O que existe de Marlene Dietrich em Sylvia Bandeira e vice-versa, já que você se aprofundou na obra da atriz e cantora alemã, para fazer “Marlene Dietrich – As Pernas do Século”?

Como ela, sou poliglota, ela se exilou, indo morar em vários países e eu como filha de diplomata também. Estava sempre se reinventando, de grande atriz de cinema virou cantora reconhecida em shows mundo afora. Modestamente, na peça canto profissionalmente pela primeira vez e fui elogiada.

 

É complicado colocar na cabeça de um ator e de uma atriz, que existe vida além da tela do plim-plim?

Na minha não, já que sempre repito essa frase quando me perguntam porque não estou mais na TV e eu, há anos na Record! Bem agora para a alegria de todos pretendo voltar em breve para o tal plim-plim…

 

Existe um conceito que diz: “Se quiser saber se um ator é bom de verdade, veja ele no teatro”. Podemos dizer que isso é uma verdade absoluta?

Não sei se absoluta, mas no teatro não dá para mentir. Tem que saber projetar a voz, se colocar em cena, usar toda sorte de gama de emoções para tocar o público sem o recurso do “cue” da regravação. O teatro é ao vivo.

 

Fale da sua experiência como apresentadora, sobre tudo no programa “8 ou 800″, uma espécie de “Show do Milhão” na época.

Entrava muda e saía calada. Pela primeira vez senti a responsabilidade de falar para milhões de pessoas. Foi legal como aprendizado. Paulo Gracindo apresentava e eu era a moça que fazia algumas perguntas aos candidatos ao prêmio máximo.

 

Quando escrevia o livro de memórias “Mamãe Costura e Esta Noite Vou Te Ver”, existiu um momento em especial que os sentimentos ficaram muito fortes, levando você as lágrimas ou a uma imensa alegria?

Existem passagens dolorosas, tristes, alegres e engraçadas. Ao mergulhar nelas muitas vezes me emocionei.

 

Você acredita que a escrita é um caminho natural para a sua carreira, já que o seu bisavô Gustavo de Sousa Bandeira, foi um imortal da Academia Brasileira de Letras, ou seja, está no sangue?

Não sei se está no sangue, mas a paixão pela palavra escrita sempre esteve presente na minha vida. Tenho dito que plantei uma árvore, tive três filhos e hoje escrevi um livro. Vamos ver se continuo…

 

Qual o maior equívoco que as pessoas cometem ao falar sobre a vida e a carreira de Sylvia Bandeira?

Hoje não tanto, mas houve um tempo em que havia sempre uma certa preocupação em ressaltar a “beleza” em detrimento do “talento” que muitos insistiam em não reconhecer. O tempo mudou o “equívoco” até porque o tempo é o maior aliado dos atores.

Um vídeo da atriz como Marlene Dietrich

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.