Entrevista publicada em 20 de junho de 2017 por Eder Fonseca em Artes
 
 

“Para mim é a própria vida”
Guido Totoli – Artista plástico, escultor e ceramista

Guido Totoli

O artista plástico, escultor e ceramista Guido Totoli nasceu em Salerno na Itália. Frequentou a escola de arte local, estudou pintura, escultura e cerâmica. Chegou ao Brasil em 1958 onde no mesmo ano conheceu expoentes das artes plásticas do país. Participou sempre de exposições e eventos importantes do mundo das artes. Em 2003 participou da Exposição 450 anos, com a obra “Viagem em águas brasileiras”. No momento atual está focado na produção de cerâmica, enfeites, pássaros, esculturas monumentais para jardins e todos os ambientes. Em todas as regiões da Itália é possível encontrar uma cidade famosa pela fabricação de cerâmica artesanal. Em toda a Península a argila se torna objeto de decoração, testemunhando épocas precisas como expressão de arte. No Brasil, em São Paulo, um pouco dessa incrível riqueza cultural pode ser encontrada no atelier do ceramista ítalo-brasileiro, que domina a arte de criar, confeccionar e produzir cerâmica onde se nota sua inspiração para o belo. O atelier de pintura cerâmica e escultura, foi inaugurado na década de 60 e após todos estes anos de absoluto sucesso, sua maior produção são as peças de cerâmica artesanal como bichos, cachepots, frutas, pé de mesa, placas frases e pratos. Também peças únicas de cerâmica esmaltada, exclusivas belíssimas e de extremo bom gosto. “Eu sempre digo que não se faz bastante pela plena difusão da arte no Brasil”, afirma o artista.

 

Guido, o que a arte significa em sua existência?

Para mim é a própria vida. Acredito que para outros artistas também seja. Já para o público em geral é cultura.

 

Quando a arte deve ter um papel social?

Não há tempo. Creio que deve ter sempre.

 

E quando ela não deve ter?

Quando usada para fins egoísticos.

 

Pietro Maria Bardi (cofundador do MASP), foi um divisor de águas em sua carreira?

Não sei se posso afirmar isso, mas com certeza, foi um bem para a arte no Brasil.

 

Quando você teve ideia de criar as primeiras ninfas e esculturas com formas abundantes e expressivas que dá um tom único em suas realizações?

Isso estava encubado dentro de mim desde criança e naturalmente foi crescendo, pois vivi em um ambiente de cultura milenar, como por exemplo a Magna Grécia, que teve forte influência na região do Cilento, na Itália, onde nasci.

 

Temos vários artistas italianos que se naturalizaram brasileiros. Acredita que a cultura italiana que traz sua magia desde o Renascimento, contribuiu para esse celeiro de talentos do qual faz parte influenciando-os de alguma forma?

Tenho certeza que os artistas italianos abrilhantaram a riqueza artística brasileira. Mas cada uma tem suas qualidades próprias.
O escultor

Artífice: O escultor e ceramista Guido Totoli e sua ninfas (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Como se deu a criação da sua obra “Viagem em águas brasileiras?”.

Pelo meu encanto pelas maravilhosas paisagens deste país.

 

Em 1949, o senhor frequentou a escola de arte em Mercato Cilento em Salerno na Itália. Quais são os pilares que essa formação lhe deu na prática?

Não eram propriamente escolas naquela época. Artistas importantes da região criavam grupos e passavam seus conhecimentos. Naturalmente o dom de cada um aflorava naquele momento.

 

Como enxerga a arte que é praticada em nosso país e sua difusão nos meios midiáticos?

Eu sempre digo que não se faz bastante pela plena difusão da arte no Brasil e também daqui para fora.

 

No momento o senhor está focado na produção de cerâmica, enfeites, pássaros, esculturas monumentais para jardins e outros ambientes. Nos fale um pouco mais sobre isso.

Existem 2 momentos: a arte decorativa e mais popular como meio de trabalho e a arte da pura inspiração, onde tenho certeza que é fruto do DNA.

 

O que acredita ter sido primordial para que continuasse em plena forma artística durante esses mais de 50 anos de trabalho?

Como disse acima, está no meu DNA. Eu vivo para pintar, esculpir, desenhar. É minha vida. Paixão que começou aos 4 anos para não haver fim.

Um vídeo do artista plástico Guido Totoli

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.