Entrevista publicada em 03/09/2014 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Sucesso não é um estado permanente”
Luiz Marins – Antropólogo, consultor, palestrante e empresário

Luiz Marins

O sorocabano Luiz Almeida Marins Filho é antropólogo. Estudou Antropologia na Austrália (Macquarie University onde foi orientando do famoso antropólogo Prof. Dr. Chandra Jayawardena) e na Universidade de São Paulo (USP – orientando da Profa. Dra. Thekla Hartmann); Licenciado em História, estudou Direito, Ciência Política, Negociação, Planejamento e Marketing em cursos, e também em universidades no Brasil e no exterior. É autor de livros de sucesso como o famoso “Homo Habilis – você como empreendedor” – Editora Gente – SP – 2005. Também é empresário, tendo empresas de sucesso nos ramos de Agribusiness; (Universidade do Cavalo, Fazenda Chaparral); Comunicação, Marketing e Motivação, (Commit, Comunicação e Marketing), além de outros títulos e de um currículo com vasto serviços prestados a grandes empresas. “Se alguém quiser ser líder deve lembrar que a liderança tem seu fundamento no exemplo. Líder e “chefe” são duas coisas diferentes. Chefe é aquele que tem o poder de mandar e nem sempre consegue fazer com que as pessoas o obedeçam; líder é aquele que consegue com que as pessoas façam o que mais desejam e sabem fazer, orientados por alguém (o líder). Assim, o líder deve ter um profundo comprometimento com seus liderados. Ele deve se comprometer com o sucesso de seus liderados”, afirma o palestrante. 

 

Professor, como uma empresa que age como uma lebre pode se tornar um leão no mercado?

Ninguém consegue enganar todos por muito tempo. Você pode enganar poucos por muito tempo ou muitos por pouco tempo, mas todos por muito tempo é impossível.​ Assim, uma empresa que ruge como lebre, se quiser se tornar um leão deve lembrar de duas coisas: (a) ter qualidade elevada, fazer tudo com o máximo de excelência; (b) dar tempo ao mercado para reconhecê-la como leão, isto é, fazer bem feito por muito tempo. É preciso lembrar que o mercado ainda terá a sua imagem de lebre rugindo como leão e para que ela mude essa imagem demora muitos anos agindo como um verdadeiro leão.

 

Quais as principais características de uma pessoa que vive a melhoria contínua do autoengano?

Ela acredita que o sucesso possa ocorrer (no longo prazo), sem muito esforço (trabalho duro), sem qualidade, com pessoas de baixa formação e, principalmente, sem valores éticos e morais elevados. Esse é o maior autoengano: acreditar que seja possível vencer tomando atalhos duvidosos em vez do caminho correto.​

 

No Brasil existe muitos cargos hierárquicos. Quando a hierarquia atrapalha uma empresa em busca de resultados mais consistentes?

Quando ela é desnecessária. O que falta para a empresa é foco. Sem clareza no foco e foco no resultado, as empresas vão inchando seus níveis hierárquicos num autoengano de que o problema está na liderança, nas chefias e assim há muitos generais e poucos soldados e esses poucos soldados são mal preparados para a guerra do mercado. As empresas não entenderam ainda de que no Brasil – onde nossas escolas técnicas são poucas e as regulares não formam bem seus alunos – a empresa tem que assumir (se quiser ter sucesso) um papel fundamental na formação técnica de seus colaboradores. Se isso é bom ou ruim para a empresa é outro problema. A realidade é que se não fizer esse papel não terá sucesso. Se ficar esperando dos governos, morrerá antes. ​

 

Uma palavra muita usada hoje no mundo corporativo é a resiliência. Um empreendedor pode vencer no mundo dos negócios sem ter resiliência?

Com muitos concorrentes, com qualidades semelhantes e preços similares as empresas vivem num mundo competitivo como nunca existiu. Assim, a capacidade de vencer obstáculos todos os dias e continuar trabalhando é essencial. Churchill [Winston Churchill, político conservador e estadista britânico 1874 - 1965] tinha uma definição de sucesso que acredito ser a melhor definição de resiliência: “Sucesso é ter a capacidade de passar de um fracasso para outro, sem perder o entusiasmo”.

 

Como nasce um líder?

Se alguém quiser ser líder deve lembrar que a liderança tem seu fundamento no exemplo. Líder e “chefe” são duas coisas diferentes. Chefe é aquele que tem o poder de mandar e nem sempre consegue fazer com que as pessoas o obedeçam; líder é aquele que consegue com que as pessoas façam o que mais desejam e sabem fazer, orientados por alguém (o líder). Assim, o líder deve ter um profundo comprometimento com seus liderados. Ele deve se comprometer com o sucesso de seus liderados. Ele deve se desafiar para que seus liderados tenham sucesso. Ele tem que fazer tudo com atenção aos detalhes e terminar tudo o que se proponha a fazer (follow-up). Um líder tem que gostar de gente, de pessoas e estar disposto a desaparecer para que seus liderados apareçam.​

 

Num mundo cada vez mais concorrido, muitos têm se esquecido de suas famílias. Como lutar para ter uma carreira bem-sucedida, e ao mesmo tempo não esquecer da sua família?

Esse é o maior desafio contemporâneo. Como equilibrar trabalho e família. Esse equilíbrio só é possível com a compreensão e o diálogo entre os casais e esse diálogo ser alicerçado em valores e princípios elevados. As nossas pesquisas mostram que mais de 50% dos trabalhadores têm esse problema como o que mais lhes tira o sono. É preciso, portanto, que também as empresas compreendam essa realidade e favoreçam a conciliação trabalho-família de forma concreta.
26º livro

Motivação: Marins e o seu livro “Tudo o que é fácil já foi feito” (Foto: Aldo V. Silva)

 

Qual a sua visão sobre os workaholics?

Há, no mínimo, dois tipos de workaholics: o que trabalha muito, com prazer, se “embebeda” com o que faz e ainda consegue uma vida equilibrada e aquele que faz do trabalho a única razão de sua vida. Esse último é um infeliz que tem a capacidade de infelicitar muitas pessoas. É um desequilibrado. E há muitos nessa categoria. Aqui novamente é falta de consciências de valores permanentes e transitórios. Pessoas que jogam todos as sua fichas em valores transitórios (que passam – transit) um dia cairão na realidade de que não investindo em valores permanentes nada terão ou restará quando os transitórios passarem. Os valores permanentes são, dentre outros, saúde, família, amigos, espiritualidade, respeito social e reconhecimentos, etc.

 

O que um colaborador deve fazer para estar sempre motivado na empresa em que atua?

Motivação é uma porta que se abre por dentro. Não é autoajuda, nem emoção. Ele deve, permanentemente, buscar os “motivos”, as razões, de ordem lógica, racional, para entender o que faz, por que faz e como fazer. Ele não deve se deixar levar pela emoção de momentos difíceis e tomar decisões emocionais. Ele deve entender que todos somos obrigados a trabalhar e que trabalho não é lazer, é difícil mesmo e nem sempre agradável. Há pessoas que têm a ilusão de que a vida é fácil e se desmotivam tomando decisões emocionais. Veja os links seguintes: Decisões Emocionais e Tudo o que é fácil já foi feito.

 

Como um jovem deve agir para achar a sua verdadeira vocação?

Ele deve fazer uma análise bem calma do que ele sempre gostou de fazer, de brincar. Desde criança. Deve lembrar das coisas que lhe dão prazer em fazer, em estar, em pensar. E procurar uma profissão que se coadune, o mais possível, com essas suas preferência naturais. Em seguida ele deve investir muito na sua formação para ser excelente no que fizer. E depois aprender a gostar do que faz em vez de viver se perguntando se é daquilo que gosta. ​

 

Em muitos casos professor, familiares jogam uma verdadeira “pá de cal” nos sonhos dos seus entes queridos. O que uma pessoa que tem um ideal, deve fazer para que as vozes de pais, mães, irmãos e outros não façam desistir do seu propósito?

É preciso, antes de mais nada, verificar se essa “pá de cal” não são conselhos acertados de pessoas mais experientes. Tomando em conta que sejam apenas negativismos, a pessoa deve desenvolver uma disciplina e força interna muito grandes para vencer esses maus conselheiros e seguir em frente em seu sonho. Agora é preciso levar em conta uma coisa: uma pessoa tem o direito de seguir seu sonho por mais absurdo que possa parecer aos outros, mas não pode esperar o dinheiro, a compreensão e ajuda de quem não acredita. Ele terá que lutar sozinho muitas vezes. Eu também não tenho o direito de querer que todos concordem e financiem um sonho do qual não acreditam ou não sonhem, ou na minha capacidade de realizar o sonho. ​

 

O sucesso é uma escolha diária?

É uma corrida sem linha de chegada! Você tem sucesso fazendo durante muitos anos, uma série infindável de coisas certas, com base em valores elevados, etc. O dia em que você deixar de fazer o que trouxe você ao sucesso, ele desaparecerá de uma hora para outra. Sucesso não é um estado permanente. É, realmente, uma conquista diária.​

Um vídeo do consultor Luiz Marins

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.