Entrevista publicada em 08/01/2018 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Temos como filosofia apostar no funcionário”
Reinaldo Varela – Fundador e presidente do Divino Fogão

Reinaldo Varela

Tudo começou no ano de 1984 quando os primos recém-formados Reinaldo Marques Varela, administrador de empresas, Álvaro Varela, veterinário, e Luís Antônio Marques de Oliveira, administrador da propriedade da família, perceberam que as saborosas comidas servidas na fazenda, localizada na região oeste do estado de São Paulo, faria muito sucesso em um restaurante. Recorreram, então, ao apoio dos pais e a responsável pelas saborosas comidas, a avó, conhecida como Dona Iza, que aceitou prontamente e fez questão de abrir seu livro de receitas tradicionais, que foram testadas pelos novos mestres-cucas. O novo restaurante, decorado com ares que remetiam aos antigos sobrados das fazendas coloniais do interior de São Paulo, foi inaugurado próximo à Avenida Rebouças, no bairro de Pinheiros, e batizado inicialmente de São Paulo – I. O cardápio era à la carte, com pratos típicos da fazenda nomeados de maneira poética, agradando a todos, principalmente ao paladar dos paulistanos. Nos anos seguintes, a rede desenvolveu receitas próprias e exclusivas que visavam atender ao gosto e ao paladar brasileiro. Além disso, outras unidades foram inauguradas por cidades do estado de São Paulo. Em 2008, a rede, então com 51 restaurantes em funcionamento, alterou seu nome para Divino Fogão e apresentou um logotipo cujo símbolo principal era um tradicional e típico fogão à lenha encontrado em fazendas do interior de SP.

 

Reinaldo, quando você acredita que acontece o “chamado” de um empreendedor para a sua vocação?

O chamado acontece quando você decide que quer ser empreendedor e investe naquilo que gosta. Meus primos e eu nascemos em Mirandópolis, no interior de São Paulo. Crescemos comendo as delícias preparadas pela nossa avó, Dona Luiza, que elaborava com muito empenho e carinho pratos típicos da fazenda em um fogão a lenha. Quando decidimos abrir o próprio negócio em São Paulo, optamos por oferecer uma comida diferenciada, caseira, que lembrasse o sabor da fazenda, como estávamos acostumados a comer.

 

Quando você teve esse chamado?

A ideia de montar o primeiro restaurante surgiu quando me mudei para São Paulo (SP) para estudar. Naquela época, sentia muita falta do cheiro e do sabor da comida que fez parte da minha infância e adolescência. Assim, em 1984, decidimos inaugurar o São Paulo – I, em Pinheiros, em um local que lembrava uma legítima casa da fazenda do interior brasileiro, todo planejado pelo arquiteto Renato Marques de Oliveira. Com toda certeza, podemos afirmar que a avó Dona Luiza, mais conhecida como vó Iza, foi uma grande apoiadora do projeto e abriu seu livro de receitas, inspirando os pratos que são servidos pela rede até hoje.

Em 1988, minha esposa, Nani Scaburi Varela, passou a integrar o negócio, o que deu um novo impulso à marca. Nascida e criada na cidade de Massaranduba (SC), ela trouxe a experiência de comerciante herdada da família. O primeiro restaurante se tornou ponto de referência para todos que vinham do interior. Além disso, ficava em um lugar próximo a muitos prédios comerciais e oferecia uma boa alternativa aos que trabalhavam na região. À noite, as pessoas se encontravam para ouvir música de viola, comer porções e petiscos, além de falar sobre rally, já que sou apaixonado pelo esporte e, até hoje, participo de competições.

Em 1992, o São Paulo – I recebeu um convite para montar uma loja no Shopping Eldorado. Assim, o restaurante foi inaugurado com balcão grande, em estilo colonial, um fogão à moda antiga, uma grande coifa de cobre sobre o fogão, muitas panelas de barro e, na parede, azulejos portugueses. O sucesso foi tanto que optamos pelo modelo de franquias.

 

Em algumas matérias é sempre ressaltado o sucesso do Divino Fogão. Como você interpreta este sucesso?

Em 1992, em meio a uma praça de alimentação cheia de redes de fast food no Shopping Eldorado, nossa loja se tornou uma grande atração, justamente por proporcionar uma alimentação presente no dia a dia dos brasileiros, baseada na combinação do arroz com feijão. Iniciamos no mercado de Franchising no ano de 1994, porém apenas com lojas em São Paulo. A primeira loja fora do estado de São Paulo foi inaugurada em 2008, em Campina Grande, mesmo ano do concurso cultural que mudou o nome da marca de São Paulo I para Divino Fogão. Após termos a experiência de loja de rua e depois com unidades em shoppings centers, percebemos que a grande oportunidade para o restaurante seria investir nas praças de alimentação nos Shoppings, modelo que adotamos até hoje. Com a expansão da rede para fora do estado de São Paulo, lançamos um concurso cultural com o objetivo de dar um novo nome à marca. Assim, uma moradora de Campinas (SP) sugeriu Divino Fogão, e acabou ganhando o concurso e um carro zero. Hoje, o Divino Fogão está presente em quase todos os estados do país, com 184 lojas em operação.

 

Quais os pilares fundamentais da marca Divino Fogão?

A marca é acolhedora e oferece uma comida fresquinha, a qualquer hora do dia, com opções para atender a todos os perfis de consumidores. Quem gosta de uma comidinha da fazenda, pode encontrar o pernil, a linguiça com polenta, frango com quiabo e torresmo. Para aqueles que preferem uma refeição mais balanceada, temos 17 opções de saladas diárias, com a inclusão de sementes no cardápio, como linhaça, chia e quinoa, além de grelhados (frango, carne magra e peixe).

 

Quais os erros mais comuns cometidos pelos entusiastas que se tornam franqueados do Divino Fogão?

Antes de se tornar um franqueado, conversamos muito com o interessado para ver se é aquilo mesmo que ele deseja. Este é o principal ponto quando você decide empreender: escolher algo que combine com o seu jeito de trabalhar, com os horários que deseja fazer, se gosta realmente de cozinhar ou de estar envolvido com a cozinha. Também realizamos um treinamento prévio para que os novos franqueados tenham menos chance de cometer erros. Se eles ocorrem, seja na gestão ou em algum momento mais crítico, o franqueador está ali para auxiliar.

O que percebemos é que alguns erros ocorrem quando algum franqueador quer mudar alguma prática que já foi definida pela rede como a mais apropriada. Lógico que podemos rever alguns pontos, mas certamente os modelos que adotamos são fruto de estudo e de cases de sucesso que acumulamos ao longo de mais de três décadas.

 

Como tem enxergado o momento das franquias em nosso país?

O setor de franquias no Brasil registrou um crescimento de 7,8% no terceiro trimestre do ano passado, se compararmos com o mesmo período de 2016. O Divino Fogão acompanha o mesmo ritmo de crescimento. No primeiro semestre do ano de 2017, tivemos um aumento de 7% e fechamos o ano com crescimento total de 15%. Por se tratar de um segmento em que os modelos de negócios já foram testados e estão consolidados, o número de fechamento de lojas é pequeno, o que dá mais segurança aos que desejam investir no próprio negócio. Além disso, o segmento de alimentação é um dos que mais se destacam, mesmo em períodos difíceis.
Nani Scaburi Varela

Arrojado: Reinaldo Varela e sua esposa Nani Scaburi Varela (Foto: Divulgação)

 

No que o Divino Fogão se destaca de outras franquias que atuam no mesmo setor?

Em nossa rede, o franqueado tem liberdade e espaço para opinar e sugerir, além de inovar com receitas locais. Ou seja, tudo que dá certo pode ser compartilhado com outras lojas da rede. Dessa forma, estamos em constante processo de inovação e isso motiva nossos franqueados. Também investimos em treinamento para manter o sabor típico da fazenda e não perder a essência da marca, além de oferecer uma variedade de pratos, saladas e sobremesas em buffet. Esporadicamente, apostamos em algumas campanhas que auxiliam na fidelização dos consumidores da marca e que atraem pessoas que desejam experimentar o sabor da fazenda.

 

Qual a importância dos treinamentos para a manutenção da qualidade da marca?

Os treinamentos são fundamentais para manter o padrão de qualidade e atendimento da marca em todo o país. Fazemos questão de promover treinamentos periódicos e, anualmente, temos uma convenção em que podemos trocar experiências, compartilhar o que está dando certo, os principais desafios.

 

Como a inovação é tratada no Divino Fogão?

Estamos atentos às principais transformações tecnológicas que podem auxiliar em nosso negócio, de forma que todas as lojas estejam informatizadas e possam acompanhar as novidades do Divino Fogão. Queremos processos mais ágeis, que garantam maior produtividade e satisfação do nosso cliente.

Também mantemos uma comunicação constante com o nosso público por meio de mídias sociais, como Facebook e YouTube. Lançamos em 2016 o “Divino Minuto”, que apresenta semanalmente as principais receitas do Divino Fogão.

 

Quais os paralelos do empresário e do piloto de rally para ser um vencedor nas duas pontas?

Sou um apaixonado tanto pelas pistas quanto pela comida da fazenda, por isso combino as duas atividades – comandar uma franquia de alimentação e ser piloto. De cada uma das experiências, extraio ensinamentos que coloco em prática no dia a dia do rally ou da franquia. O esporte, por exemplo, me deu uma nova visão sobre aspectos ligados à liderança, motivação e, principalmente, ao espírito de equipe. Levando todos estes fatores em consideração, pude colocar tudo isso em prática por meio de estratégias e conceitos que podem ser utilizados no rally e no comando do Divino Fogão. Já nas unidades das redes, temos como filosofia apostar no funcionário e confiar no potencial de cada um deles, que são parte fundamental no sucesso da rede como um todo.

Um vídeo do empresário Reinaldo Varela

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.