Entrevista publicada em 10/07/2020 por Eder Fonseca em Pensamento
 
 

“A vida digital veio para ficar”
Daniel Bialski – Presidente do Clube A Hebraica

Daniel Bialski

Em 19 de março, foi lançado o canal de comunicação “Hebraica Nossa Casa”. O projeto visa estreitar os laços do Clube A Hebraica com os associados. Diariamente, são diversos vídeos, fotos e textos informativos sobre diferentes temas como: atividade física, culinária, cultura judaica, conteúdo infantil, entre outros. Para acompanhar o Hebraica Nossa Casa, é só acessar uma das redes sociais: Instagram (@hebraicasp), Facebook (Clube Hebraica SP) ou YouTube (Clube Hebraica SP). O tradicional clube é presidido por Daniel Leon Bialski. Bialski é mestre em Processo Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008). Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1992). Membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e da Comunidade de Juristas de Língua Portuguesa (CJLP). Foi vice-presidente da Comissão de Prerrogativas da Seccional Paulista da OAB entre os anos 2008/2009. Ingressou na banca fundada por seu pai e mentor (Dr. Helio Bialski), ainda no ano de 1988, então denominada “Helio Bialski – Advogados Associados”, onde estagiou. Ao graduar-se em 1992, passou a figurar como sócio do escritório, o qual passou a denominar-se “Bialski Advogados Associados“. Atua nas diversas áreas do Direito Penal, possuindo destacada atuação perante os Tribunais do país. Também milita na esfera do Direito Administrativo Sancionador.

 

Daniel, qual a importância de instituições como Clube Hebraica, num momento único e dramático como o atual?

A maior importância é a de referência do fortalecimento comunitário, unindo nossos sócios e as pessoas à nossa volta em ações sócias de ajuda, colaboração e integração.

 

Sua responsabilidade social como presidente aumenta?

Induvidosamente. Não é uma tarefa fácil para ninguém, mas planejamos o fechamento, contamos com o apoio dos sócios e voluntários. Sou um presidente ativo e mais do que antes, estou perto e atento a todas as decisões e pessoalmente redijo os comunicados e cartas aos sócios para tentar expressar da forma mais sincera possível, o que fazemos e porque fazemos.

 

É o seu maior desafio administrativo?

A Hebraica foi um dos poucos clubes que até agora não demitiu funcionário algum. E esse é o maior desafio. Contamos com algumas centenas de funcionários, prestadores de serviço. Fizemos e estamos fazendo nossa parte para que esse impacto não seja ainda maior em todos. Além disso, negociamos redução de valores de serviços, manutenções, etc… justamente para poder controlar o caixa do clube de forma a conseguir adimplir com todas nossas obrigações.

 

Quais reflexões você tem tirado desse período?

Escrevi e escrevo várias vezes que a luta pela vida vale qualquer sacrifício e como sei de amigos e pessoas próximas que perderam parentes próximos, esse distanciamento era necessário. Critiquei a forma como isso foi feito, com planejamento errado, mas não tenho dúvida que os nossos governantes tentaram acertar, porém, o inusitado e o imponderável agiu nesse caso a dar dimensões muito maiores do que se esperaria. A maior lição que retiro é que nossos filhos e netos façam deste um mundo muito melhor, usando os exemplos de união desse momento para construir o futuro, extirpando os graves fatos de intolerância e radicalismo que se viu espalhado pelo mundo.

 

Acredita que teremos um mundo mais humano depois dessa pandemia?

Certamente, a união que vivenciei e vivencio é a maior prova disso. Ao menos na comunidade judaica, as entidades estão irmanadas, os dirigentes estão unidos para proteger e ajudar os nossos e também os membros da comunidade maior. Várias campanhas foram e serão feitas nesse sentido.

 

Quais foram as principais iniciativas do Clube até o momento?

A principal foi ter em 24 horas implementado um clube virtual, colocando a Hebraica na casa de cada pessoa. Criamos a plataforma Hebraica Nossa Casa, com aulas, vídeos, lives, conteúdo diversificado de religião, direito, medicina, artes, culinária, humor, etc… trazendo entretenimento e conhecimento aos nossos sócios e amigos. A equipe do clube de funcionários e voluntários trabalhou e trabalha com uma dedicação imensa e isso fez a diferença. Fomos o primeiro e somos um dos únicos clubes que tem um canal permanente. Hoje são mais de 5 milhões de acessos. Além disso, fizemos campanha de vacinação gratuita para os sócios, além de testagem de Covid em parceria com o Hospital Albert Einstein e recentemente arrecadação de roupas e donativos em parceria com a UNIBES.
O presidente da Hebraica

Determinação: O presidente do Clube A Hebraica, Daniel Bialski (Foto: Arquivo/AP)

 

Como se deu a ideia do Hebraica Nossa Casa?

Na reunião de diretoria que externei a necessidade do fechamento da nossa sede, disse que iríamos criar e implementar um canal digital e pedi a colaboração de todos. E assim foi feito, estávamos no ar no dia seguinte. Pessoalmente cuidei e cuido do conteúdo com a ajuda da minha diretora Mariza e dos funcionários do setor e hoje posse dizer que é realmente um sucesso dentro e fora da comunidade. Personalidades nacionais e internacionais nos deram o prazer de poder trazer os sócios mais perto de nós.

 

Esse projeto pode continuar no pós-Covid-19?

Vai continuar. A vida digital veio para ficar. Continuaremos implementando-o, porém, apenas reduziremos as lives justamente porque o convívio físico está fazendo falta. O clube tem que ser o encontro para prática esportiva e algumas atividades socioculturais importantes, e que seja para todas as idades.

 

Como tem sido essa experiência virtual com os sócios?

Otimista. Temos recebido elogios diversos da forma com que lidamos com tudo o que ocorreu e a solução para que todos continuassem conectados embrionariamente com nossa segunda casa, a Hebraica.

 

Os jovens foram trazidos novamente para o clube em sua gestão. Qual a importância dos jovens para oxigenação da Hebraica?

Eu vejo pelos meus filhos. O que fazemos hoje é para que as próximas gerações deem continuidade. Em hebraico se diz “Ledor Vador”. De geração em geração. Nós precisávamos despertar novamente o carinho e a paixão dos jovens pelo clube e atrai-los para que novamente a Hebraica se tornasse um centro de encontro para tudo, esporte, amizade, eventos… e felizmente conseguimos… Eles retornaram e tivemos no ano incrível de crescimento no número de sócios e frequentadores.

 

O Clube Hebraica estará mais forte depois desse tempo sombrio?

Respondo essa pergunta, pedindo licença para corrigir o verbo. Estamos e estaremos mais fortes. Apesar das dificuldades, no último dia 07 retomamos nossas atividades corriqueiras e novamente o clube será um centro de alegria por cada um de seus cantos.

Um vídeo do Clube A Hebraica

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo do Panorama Mercantil.