Entrevista publicada em 13/08/2020 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“As empresas precisam de novas competências”
Jacqueline Resch – Consultora e sócia-diretora da RESCH RH

Jacqueline Resch

Jacqueline Resch é a idealizadora da RESCH RH e da metodologia de grupos colaborativos, oferecida no portfólio da consultoria. É empreendedora desde 1993, além de professora e autora. É formada em Psicologia pela PUC do Rio de Janeiro, tem MBA em Gestão pelo COPPEAD e é certificada em Facilitação Sistêmica de Processos Coletivos pela Fundación Moîru e em Práticas Colaborativas e Dialógicas pelo Taos Institute. A RESCH começou em 2002 com uma ideia: oferecer serviços de recrutamento e seleção em formato boutique, de um jeito muito próximo e personalizado para cada cliente. A vontade da RESCH desde o princípio de suas atividades era gerar bons encontros e atender às necessidades das empresas conciliando a experiência técnica a todo o cuidado que a recomendação de profissionais exige. “As novas demandas e a crescente digitalização dos negócios vão sempre gerar oportunidades, mas é preciso estar atento a estes movimentos de mercado e atualizar constantemente nossos conhecimentos e habilidades de modo a manter a empregabilidade em alta. Mesmo na pandemia, os setores de saúde, varejo, logística, bem como TI, demandaram profissionais. Em contrapartida, não podemos negar que a pandemia trouxe como consequência um enorme número de demissões como uma primeira reação de proteção dos negócios sobre dias de incertezas”, afirma a empreendedora.

 

Jacqueline, o que é fundamental para um profissional que está buscando recolocação no mercado num dos momentos mais conturbados da história?

É verdade, o momento é dos mais complicados, mas, muitas vezes nestes momentos também ativamos recursos e/ou descobrimos novas possibilidades de seguirmos individual e coletivamente. Neste momento, é fundamental manter o equilíbrio com uma rotina de atividades (como manter e expandir os contatos, prospectar oportunidades e acompanhar os sites das consultorias de recrutamento e seleção, por exemplo), gerenciar a ansiedade, ter clareza do que quer e do que tem a oferecer, sem perder a perspectiva das condições de mercado. Ficar muito atento às oportunidades e acionar a rede de contatos com critério é importante.

 

Quais as competências necessárias para esses novos tempos?

Acho que a adaptabilidade e flexibilidade são as grandes competências dos tempos atuais. Lidar com a incerteza, a ambiguidade e as mudanças constantes vai ser cada vez mais requerido de todos nós. Não vivemos mais a época da estabilidade, do certo ou errado, ou de uma única verdade. Os problemas são complexos, portanto, diferentes visões ajudam a encontrar a melhor solução para aquela situação específica. E muitas vezes a melhor solução vem como resultado do diálogo de pessoas com visões e abordagens diferentes. A diversidade é uma riqueza humana que devemos cultivar e nos nutrir dela. Então, além da adaptabilidade, a capacidade de escutar, dialogar e de colaborar são competências relevantes nos novos tempos.

 

A acelerada digitalização deve afetar esse “novo profissional” em que termos?

A digitalização permite que o profissional se conecte mais rápida e facilmente com muitas pessoas e temas. O acesso é total e a todo o momento surge novas informações. Mas como não é possível se aprofundar em tudo, é necessário investir tempo e energia para investigar e estudar os temas de maior interesse. Eleger prioridades ajuda muito no foco, concentração e em entregas de qualidade.

 

Como esses profissionais devem agir numa entrevista de emprego?

A entrevista é o momento de se apresentar a empresa, deixando claro a sua experiência e as contribuições que pode dar. Concentre-se nas perguntas do entrevistador, forneça as informações com objetividade, mas, deixando claro sua marca pessoal na forma como realizou aquela tarefa ou administrou uma determinada situação. E o mais importante: seja autêntico e sincero com você e a empresa. Não adianta conseguir a oportunidade agora e daqui a pouco perceber que aquela cultura não combina com você.

 

Conhecimento e comportamento ainda são fundamentais. Como mesclar bem esses dois pontos?

Conhecimento e comportamento tem que andar juntos. O conhecimento é mais fácil de adquirir, mas é preciso mantê-lo sempre atualizado. Quanto ao comportamento, é o autoconhecimento que vai nos possibilitar reconhecer nossos recursos, nossos pontos fortes de modo a potencializá-los, como também identificar aqueles comportamentos que temos desejo ou precisamos aprimorar.

 

Existem perspectivas de aberturas de novas vagas?

As novas demandas e a crescente digitalização dos negócios vão sempre gerar oportunidades, mas é preciso estar atento a estes movimentos de mercado e atualizar constantemente nossos conhecimentos e habilidades de modo a manter a empregabilidade em alta. Mesmo na pandemia, os setores de saúde, varejo, logística, bem como TI, demandaram profissionais. Em contrapartida, não podemos negar que a pandemia trouxe como consequência um enorme número de demissões como uma primeira reação de proteção dos negócios sobre dias de incertezas.
A consultora e empreendedora

Demandas: A consultora e empreendedora, Jacqueline Resch (Foto: Marcos Ramos)

 

Você já afirmou que vagas de substituição sempre vão existir. Esse cenário será alterado pós-pandemia?

O mundo vem mudando muito e de forma rápida. Como disse, penso que a adaptabilidade é a grande competência dos tempos atuais. E não estou falando da adaptabilidade como submissão a uma situação, mas da plasticidade de encontrar novos recursos e possibilidades, de estarmos abertos a novos conhecimentos. As vagas de substituição sempre existirão porque o mundo não é estático, as necessidades das empresas mudam e as expectativas dos profissionais também. Então as pessoas se movimentam para novas oportunidades e as empresas precisam de novas competências.

Mas é importante pensar que o mundo do trabalho está mudando muito e o vínculo empregatício não será a única forma de trabalhar, seja para garantir o sustento, seja para realizar um propósito. Muitas pessoas se reinventaram na pandemia por falta de opção e acabaram descobrindo talentos e transformando-os em trabalho de onde podem obter renda.

 

O que os recrutadores estão buscando nesses profissionais?

Além das competências técnicas para cada vaga específica, as competências cada vez mais demandadas pelas empresas são: adaptabilidade, comunicação (e aqui entra também a capacidade de escuta e diálogo), pensamento crítico, criatividade, iniciativa, autogestão, entre outras.

 

Quais as maiores necessidades das empresas na atualidade?

Pessoas flexíveis para se adaptar a novas situações e superar obstáculos, que sabem conviver com a incerteza, tenham disposição para agir e aproveitar oportunidades e sejam capazes de atuar em colaboração com os outros.

 

Qual o peso da Inteligência Emocional para a obtenção de êxito nesse processo?

O peso é enorme. Porque quando estamos atentos as nossas emoções e somos capazes de reconhecê-las, conseguimos administrá-las, exercendo o autocontrole e cuidando de nossos relacionamentos com o entorno.

Um vídeo da consultora Jacqueline Resch

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo do Panorama Mercantil.