Entrevista publicada em 14/08/2019 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Empresários brasileiros precisam se preparar”
Antonio Miranda – Diretor de marketing do Global Business Institute

Antonio Miranda

Antonio Miranda é especialista em marketing e tem 20 anos de atuação. É licenciado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo, e obteve certificação de especialização em marketing da Kellogg School of Management da Northwestern University. Em 2015, quando foi para os Estados Unidos, por meio de uma oportunidade profissional da carreira executiva que mantinha em uma multinacional, decidiu compartilhar seu conhecimento e uniu-se a outros brasileiros fortemente gabaritados para orientar empreendedores que desejam investir em território americano. Atualmente, Antonio Miranda ocupa o posto de diretor de Marketing e Vendas do Global Business Institute, referência do segmento empreendedorismo na Flórida. O GBI é uma instituição de apoio aos negócios brasileiros nos Estados Unidos. O hub foi criado por empresários com larga experiência nos trâmites e necessidades para se investir no maior mercado do mundo, desde o planejamento estratégico inicial até pesquisas de mercado, passando pela orientação na elaboração de business plans, estratégias de marketing, obrigações tributárias, contabilidade e funções administrativas características do ambiente corporativo norte-americano. “Empreender no Brasil é um desafio enorme! O empresário tem que trabalhar uma grande parte do tempo para vencer um competidor voraz chamado Máquina Estatal”, afirma.

 

Antonio, empreender no Brasil é um desafio. Como classifica empreender nos EUA?

Empreender no Brasil é um desafio enorme! O empresário tem que trabalhar uma grande parte do tempo para vencer um competidor voraz chamado Máquina Estatal, com a sua burocracia e taxações descomunais. Mas engana-se quem pensa que empreender nos EUA é mais fácil devido ao menor nível de burocracia. Enquanto o Brasil ainda é um país muito fechado para a competição global, os EUA é um mercado muito mais aberto e dinâmico, e isso faz com que o nível e a quantidade dos concorrentes sejam muito mais elevados. Ou seja, para vencer nos EUA, além de trabalhar muito, o empresário deve trabalhar de forma planejada, eficiente e em constante busca por inovação.

 

Como se deu o surgimento do Global Business Institute?

O Global Business Institute (GBI) surgiu da união de empresários que estavam insatisfeitos com a realidade de práticas pouco profissionais e antiéticas de algumas Consultorias de Internacionalização de Empresas e Influenciadores de Mídias Sociais que levam inúmeras empresas de origem brasileira a fracassarem no mercado americano. Durante anos as empresas fundadoras do GBI viram boas ideias de negócio e grandes empresas naufragarem nos EUA devido à venda do caminho fácil para o sonho americano, através de um alto pedágio, repleto de “jeitinhos” e “facilidades”, propagados por algumas consultorias e influenciadores digitais bastante difundidos. Assim, para trazer uma nova alternativa ao “caminho fácil”, algumas empresas de origem brasileira com reputação inquestionável estabeleceram o Instituto para poderem compartilhar seus conhecimentos e a realidade sobre como é possível empreender nos EUA de forma responsável e estruturada, baseando-se em inteligência de mercado, planejamento de alto nível e excelência em execução.

 

O que molda a visão da sua organização?

O Global Business Institute tem a visão de que é possível construir um ambiente de negócios mais previsível e confiável nos EUA. O foco são empresas que planejam estabelecer uma operação internacional e estão em busca de um parceiro de negócios que possa suportá-las para construir as fundações – de inteligência de mercado e planejamento de negócios. É preciso habilidade profissional e assistência qualificada para permitir que o projeto se torne um negócio de sucesso. Acreditamos que não somos meros intermediadores entre empresários brasileiros e o mercado internacional. Nos comprometemos com a execução e os resultados dos nossos clientes, pois, fazemos apenas o que é o “core business” das empresas que fundaram o Instituto.

 

E quais os seus pilares?

Ética, confiança, integridade e profissionalismo.

 

O que é ser empreendedor num mundo em constantes mudanças?

É ter uma clara compreensão de como o seu esforço pode ter um impacto positivo para a sociedade, através de inovação, desenvolvimento de pessoas, qualidade na entrega dos produtos e serviços, e alinhamento com as melhores práticas de responsabilidade socioambiental.

 

Buscar informação correta é essencial para um negócio. Quanto uma informação incorreta pode penalizar um empreendimento?

Vemos esta questão com imensa preocupação e nos esforçamos para esclarecer aos empresários que as informações incorretas são a base de sustentação do castelo de cartas do “caminho fácil”. Informações incorretas levam à construção de premissas de negócios inviáveis e o consequente fracasso. Por isso, colocamos como primeira etapa do nosso Processo de Internacionalização de Empresas a obrigatoriedade de se realizar uma pesquisa de mercado profissional e consistente.
O diretor de marketing

Mercados: O diretor de marketing da GBI, Antonio Miranda (Foto: Divulgação/AP)

 

Como o planejamento faz parte desse ecossistema?

Ao contrário do que muitos acreditam, o planejamento, como atividade em si, é apenas a quarta etapa desse modelo. Antes do planejamento, acreditamos que é necessário ter um profundo entendimento do mercado em que se quer ingressar, desenvolver uma estratégia de marketing e vendas bem estruturada e factível para, apenas então, iniciarmos o planejamento do negócio (business plan). No que chamamos de “Fase de Design” do projeto, o planejamento é o que vai transformar em ciência exata tudo aquilo que se elaborou com um olhar de Ciências Humanas nas etapas que precederam o planejamento.

 

A competição nos EUA é muito mais acirrada do que no Brasil em muitos pontos. Como se sobressair neste cenário?

Para os apreciadores dos ensinamentos de Sun Tzu (general e filósofo chinês, autor do famoso “A Arte da Guerra”), os empresários brasileiros precisam se preparar para lutar em uma guerra num território de condições desconhecidas, inimigos que também têm pontos fortes e pontos fracos, mas, principalmente, precisam ter um claro entendimento de que a vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço. E o preço para se sobressair no mercado mais valioso do mundo é composto pelo desenvolvimento de inteligência de mercado confiável, estratégia de marketing e vendas que indique como vencer num nicho bastante específico, planejamento de negócios profissional e responsável, execução de alto padrão e com afinco e, sobretudo, paciência, resiliência e persistência para entender que a guerra se vence com o acúmulo de batalhas vencidas.

 

Você tem uma lógica interessante quando diz que sucesso no Brasil não é garantia de sucesso mundial…

Isso é uma realidade que muitos empresários brasileiros custam a aceitar. Nos últimos anos presenciamos inúmeros casos de tradicionais empresas brasileiras que tentaram expandir seus negócios ao nível internacional e que fracassaram por tentar fazer com que o consumidor internacional se transformasse em um consumidor brasileiro. O mito de que “se eu dei certo no Brasil, eu posso dar certo em qualquer lugar” gera a soberba – que é a principal inimiga dos empresários brasileiros que querem internacionalizar suas operações.

 

Fale mais sobre esse assunto.

Em se tratando de competitividade empresarial internacional, apesar de o empresário brasileiro ser reconhecido mundialmente pela sua criatividade, flexibilidade e resistência a altos e baixos, pesa o fato de termos sido criados em uma cultura em que um bom “apagador de incêndios” é mais valorizado que um bom planejador, e isso é incompatível com a lógica que prevalece em países altamente competitivos tais como: Estados Unidos, Japão, Alemanha, China e Reino Unido, por exemplo. Penso que o esforço do atual ministro da Economia, de estabelecer meios para que haja uma maior abertura da economia brasileira e uma diminuição de entraves burocráticos para que se possa empreender, irá forçar, no longo prazo, a classe empresarial a se tornar mais ciente da necessidade de adotar uma cultura de gestão mais pragmática, globalizada e atual. Essa transformação deverá passar por uma mudança de paradigmas culturais básicos, desde não chegar atrasado para uma reunião de negócios com um cliente estrangeiro, até paradigmas de gestão mais elevados como a adoção de metodologias de excelência em inteligência de mercado, estratégia, planejamento e execução.

Um vídeo do executivo Antonio Miranda

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.