Entrevista publicada em 08/02/2019 por Eder Fonseca em Publicidade
 
 

“Existe muita incerteza ainda pela frente”
Denis Filippini – Sócio e COO da Mestiça

Denis Filippini

Comandada pelos sócios Marcelo Ramos, Denis Filippini e Eduardo Lovro, a Mestiça apresentou seu novo posicionamento no mercado de publicidade, com um modelo operacional que prioriza a performance com criatividade para gerar resultados para os clientes. As mudanças contemplam o seu rebranding, a reformulação do site e a expansão de sua sede em São Paulo. Com pilares em solução, inovação, capacitação e criatividade, o novo posicionamento cria um modelo de negócios ainda mais competitivo e que visa acompanhar em tempo real as transformações vividas pelo mercado publicitário. As mudanças promovem maior integração entre os departamentos da agência e impactam em aspectos como efetividade e entrega, relacionamento com os clientes, estudos de mercado e performance. Vale salientar que a agência foi uma das pioneiras em núcleo de retail e franchising. “A Mestiça cresceu muito nesses últimos dois anos e como independente (sem pertencer a nenhum grupo) temos velocidade e autonomia para mudar. Nosso rebranding tirou inclusive a palavra agência ou propaganda. Hoje assinamos apenas Mestiça e vendemos planejamento estratégico de comunicação. Nosso discurso é bem recebido pelos novos clientes e onde batemos na porta. E claro, com retorno também. (…) Hoje nossa visão é muito mais focada no que os clientes procuram”, afirma o publicitário Denis Filippini.

 

Denis, o que é ser um profissional da publicidade no século XXI?

Ser um profissional da publicidade no século XXI é se renovar, reinventar todos os dias. A Quarta Revolução Industrial é um turbilhão de informações, conteúdo e inovação tecnológica e não podemos perder este bonde. Existe muita incerteza ainda pela frente e precisamos ficar ligados.

 

O que você acredita ser as maiores falhas da publicidade na atualidade?

Nosso mercado precisa se renovar e poucos profissionais ou agências estão olhando para o próprio umbigo e fazendo uma autocrítica. Os principais pontos na minha opinião são que continuamos dependentes de remuneração de veículos e muitos deles (os mais digitais) estão tirando intermediário, no caso a agência e indo direto nos clientes… precisamos abrir os olhos. E um segundo ponto são os profissionais que estão cansados dos modelos tradicionais de agências onde o trabalho é muito puxado e pouco valorizado.

 

E os maiores acertos?

Agências que estão olhando para o cliente com um olhar muito mais estratégico e entregando trabalhos que rompem os muros da criatividade e tem muita estratégia envolvida. Isso mostra para o cliente que os profissionais conhecem o mercado, o assunto e estudaram muito para entregar muito além de comunicação, entregam resultado. E esse é um outro ponto positivo, deixar de ganhar quanto mais o cliente gasta com verba de comunicação e ganhar conforme o cliente ganha. Uma matemática difícil, mas que alguns já estão conseguindo equalizar e mudar o padrão de comissionamento que o mercado carrega por tantos anos.

 

Como tem visto o digital neste mercado?

O digital nos 20 anos que trabalho com comunicação vem engolindo o analógico, porém, não irá substituir em alguns casos. Eu vejo essa mudança importante e o digital como uma ferramenta que traz agilidade e informação no mundo conectado e cada vez mais incerto cheio de mudanças em que vivemos. Agora os grandes desafios são como utilizar de forma correta e ética todas as informações que o mundo digital coleta e como preservar a integridade e sigilo dos usuários.

 

Quais são os principais pilares da Mestiça?

Performance com criatividade. Estes são nossos principais pilares.

 

O que molda a visão da agência?

Hoje nossa visão é muito mais focada no que os clientes procuram. Eles estão cansados das agências e querem um parceiro que seja relevante para os negócios deles.
Agência Mestiça

Mercado Competitivo: Os sócios da criativa agência Mestiça (Foto: Divulgação/AP)

 

A agência já colhe frutos do seu reposicionamento e rebranding?

Sim com certeza. A Mestiça cresceu muito nesses últimos dois anos e como independente (sem pertencer a nenhum grupo) temos velocidade e autonomia para mudar. Nosso rebranding tirou inclusive a palavra agência ou propaganda. Hoje assinamos apenas Mestiça e vendemos planejamento estratégico de comunicação. Nosso discurso é bem recebido pelos novos clientes e onde batemos na porta. E claro, com retorno também.

 

Qual será o papel de uma agência independente como a Mestiça neste tabuleiro?

Essa pergunta é ótima e eu valorizo muito ser uma agência independente. Não foi fácil começar um negócio em 2008 (ano de crise mundial) eu sendo o mais velho dos sócios com 27 anos na época e completar 10 anos entre as maiores do mercado brasileiro. O papel das independentes é mudar o jogo, jogar um jogo diferente sem medo de errar e com agilidade. Arriscar mais, errar mais, ajustar a rota, ou seja, é ter sangue nos olhos pra bater de frente com as gigantes sem medo e ter a coragem de um dia ser uma agência que cria tendência e inovação.

 

Agências e consultorias podem ser aliadas em algum ponto?

Acredito que sim. Como disse anteriormente, não acredito que uma coisa substitua outra, tanto que o que escuto no mercado é que as consultorias estão adotando os modelos das agências, ou seja, fazendo mais do mesmo. Agora, as agências têm que olhar para isso com atenção e fazer uma autocrítica e entregar mais estratégia para seus clientes.

 

Como a inovação é encarada pela agência?

Hoje inovação é vista como primordial. Não é a toa que encubamos algumas startups com a Vee Benefícios que traz inovação para este mercado de benefícios e é cem porcento digital; a Klink empresa de inteligência Artificial e Machine learning que em poucos meses têm resultados muito expressivos e agora a Streammus que é uma plataforma para músicos que querem viver de música e inclusive foi levada para o Web Summit em Portugal no ano passado. Fora isso alguns fomos estudar abordagens de inovação como Design Thinking, Lean Innovation e outras abordagens com foco no ser humano.

 

Você afirmou que mercado está amadurecendo e se transformando. Esse amadurecimento e transformação será a tônica?

Sim, tem que ser a tônica ou ficaremos no meio do caminho. O mercado está mais maduro. Existem grandes empresas fazendo grandes trabalhos e construindo grandes marcas. Esse é o nosso papel: construir grandes marcas, ser relevantes para as empresas e as empresas serem relevantes para os consumidores.

Um vídeo institucional da agência Mestiça

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.