Entrevista publicada em 14/07/2020 por Eder Fonseca em Pensamento
 
 

“Melhor é garantir uma imunização total”
Joana Bion – Chefe do setor de análise clínica do Lach Laboratório

Joana Bion

Em meio a uma maior oferta de testes para Covid-19, muita gente fica na dúvida de qual exame fazer. “A corrida maior, nesse momento, é de pessoas que acreditam ter tido contato com o vírus no início da pandemia e não conseguiram fazer o exame à época”, explica Joana Bion, chefe do setor de análise clínica do Lach Laboratório. Mas engana-se quem acha que o teste rápido – aquele que você encontra nas farmácias – é o mais eficaz. O único exame que garante um resultado 100% correto no caso de sorologia para IGG neutralizante – anticorpo definitivo e único que confere imunidade – é o feito pelo método Elisa. “Este teste, analisado em laboratório, é mais completo por se basear numa reação química que torna mais visível a reação antígeno-anticorpo, mais eficaz para identificar o IGG neutralizante. Já nos testes rápidos, não sabemos exatamente com qual reagente essa identificação é feita. A maioria dos testes rápidos só detecta o IGM e IGG, mas sem uma especificação. Por isso, o falso negativo ou falso positivo não podem ser descartados”, afirma a especialista Joana Bion. O Laboratório e Clínica Lach, que fica na Rua Jardim Botânico, é o único no Rio de Janeiro a oferecer exame de sorologia por este método alemão considerado um dos mais confiáveis e recomendados no mundo. “É o único exame confirmatório que garante segurança para o retorno às atividades daqueles que estão realmente imunes”, reforça Joana.

 

Joana, um novo normal sem a vacina para o novo coronavírus seria possível?

Acho que essa pergunta depende mais da disciplina das pessoas do que do vírus. Sempre existiram doenças como o influenza que também possuem alto índice de mortalidade (mesmo com a vacina) e a população ainda não tinha aprendido que hábitos como lavar as mãos e usar máscaras poderiam ajudar a contê-la. Todos os anos de junho a agosto há aumento dos casos de influenza até os dias de hoje. Se existisse disciplina para que tomássemos cuidado com o próximo e com nós mesmos, os casos por ano teriam sido diferentes. Isso serve não somente para influenza, mas para outras doenças contagiosas também.

 

Qual a importância de outras vacinas para a imunização da nossa população?

Bom, em tempo de pandemia manter a imunização em dia é fundamental! E essa regra vale para crianças, adultos e idosos. É importante se vacinar para outras doenças que também matam centenas ou milhares de pessoas a cada ano. O Brasil tem um dos maiores programas de imunização do mundo e a população precisa entender que todos precisam de vacina. No Brasil entre 2015 e 2017, oito em cada dez mortes por pneumonia foram de idosos, o que corresponde a mais de 80% das mortes pela doença. Nesse período, foram registrados cerca de 200 mil óbitos por causa do mal, uma média de 66,5 mil casos por ano, ou sete por hora.

Além da vacinação anual da gripe, é importante que idosos e pessoas com doenças crônicas respiratórias (asma e bronquite) mantenham em dia a carteira de vacinação para diferentes cepas da pneumonia. O mesmo vale para portadores de doenças respiratórias crônicas. A rede pública ainda não disponibiliza as vacinas para pneumovírus, mas elas podem ser encontradas na rede particular e uma única dose reduz em até 70% o risco de morte. No Lach temos dois tipos de vacinas que, juntas garantem imunidade para até 23 variantes de pneumovírus.

 

Como conscientizar a população sobre a importância das vacinas?

Mostrando dados. Um bom exemplo é citar que muitas doenças comuns no Brasil como poliomielite, sarampo, rubéola, tétano e coqueluche, doenças comuns no passado, e que as novas gerações só ouvem falar em histórias. E isso só foi possível porque as pessoas se vacinaram, acreditaram na ciência.

 

Por que nem sempre a vacina garante uma imunização completa?

Porque em alguns casos, o organismo não reage como esperado e é necessário fazer uma segunda dose, o chamado reforço. Aqui no Lach oferecemos um exame que verifica o nível da imunização. A partir de trinta dias após receber a primeira dose da vacina, o paciente pode realizar o teste. Mesmo quando não imuniza totalmente, a vacina faz com que a doença seja mais branda. Mas claro que o melhor é garantir uma imunização total. E isso precisa ser verificado com os testes.

 

Isso também pode ocorrer com as vacinas em teste para o novo coronavírus?

Sim, pode. Nem todos produzem anticorpos. Muitos estão sendo vacinados pela vacinação comunitária (como era antigamente), mas há os reclusos que estão sem contato com o mundo externo há meses que não estão protegidos e muitos deles fazem parte do grupo de risco que já tem alguma dificuldade de produzir anticorpos. Sempre haverá pessoas desprotegidas, por isso a disciplina e o respeito com o próximo são tão úteis quanto a vacina.

 

O que garante a imunização total?

Que após a vacina a pessoa desenvolva títulos suficientes de anticorpos. O que é considerado suficiente varia entre doenças e vacinas, mas é definido pelos estudos e este valor é divulgado no laudo, quando testamos os anticorpos.
Laboratório Lach

Teste Elisa: A especialista do Lach Laboratório, Joana Bion (Foto: Divulgação/AP)

 

Por que o Teste Elisa é tão eficaz para esse fim?

Porque ele é o único exame que garante um resultado 100% correto no caso de sorologia para IGG neutralizante – anticorpo definitivo e único que confere imunidade. É mais completo por se basear numa reação química que torna mais visível a reação antígeno-anticorpo, mais eficaz para identificar o IGG neutralizante. Com os testes rápidos não conseguimos saber exatamente com qual reagente essa identificação é feita. A maioria dos testes rápidos só detecta o IGM e IGG, mas sem uma especificação. Por isso, o falso negativo ou falso positivo não podem ser descartados, tornando o método Elisa o mais eficaz. Além disso, é o melhor procedimento para identificar imunidade de pacientes recuperados da Covid-19, tornando o único exame confirmatório que garante segurança para o retorno às atividades daqueles que estão realmente imunes. O Lach é o único no Rio de Janeiro a oferecer exame de sorologia por este método alemão considerado um dos mais confiáveis e recomendados no mundo.

 

Como fazer esse teste chegar em quase toda população?

Precisaria de grandes centros com mão de obra especializada. Ainda assim, existem regiões onde isso é muito difícil. Estamos falando de um teste que exige tecnologia, tempo e tem alto valor agregado.

 

Testes rápidos não são seguros?

Eles fazem um bom papel epidemiológico e são capazes de chegar nas pontas… mas usualmente são considerados testes de triagem e são encaminhados para confirmações.

 

Como deixar testes rápidos mais seguros?

Algumas marcas têm sensibilidade maior. É fundamental escolher bem e tomar cuidado para executar o teste tal como manda a bula, usando sempre materiais descartáveis, utilizando-os na fase onde conseguimos atingir o maior potencial de sensibilidade do teste. Isso enquanto não se desenvolve tecnologias superiores, são os cuidados que podemos ter.

 

É possível usar em testes rápidos, metodologias que são usadas no Teste Elisa?

Talvez um engenheiro biomédico poderia responder melhor essa pergunta, cada teste tem limitações e qualidades, e são sintetizados de forma singular. A reação antígeno-anticorpo do Elisa é uma reação mais complexa do que a possível dentro de um cartucho de teste rápido, mas eu particularmente acho que tudo é possível… ou que pelo menos, vale o estudo.

Um vídeo do Lach Laboratório

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo do Panorama Mercantil.