Entrevista publicada em 14/10/2019 por Eder Fonseca em Comunicações
 
 

“Ninguém faz inovação sozinho”
Fábio Siqueira – Sócio e Creative Strategist da Talquimy

Fábio Siqueira

A Talquimy afirma ser uma agência de comunicação dedicada a responder a pergunta certa de cada marca. Com uma visão expandida e multidisciplinar, ela (nas palavras da agência), desenvolve as melhores histórias e conecta pessoas, proporcionando experiências, criando relacionamentos e gerando valor de marca e de negócio. Entre os seus sócios está Fábio Siqueira (que liderou projetos de comunicação em uma fase marcada pela invasão das redes sociais e transformação do mobile). São mais de 10 anos investindo na comunicação digital, e mais recentemente, BI, produção audiovisual, realidade virtual e inteligência artificial. Na Talquimy, ele traz tudo isso para as campanhas de comunicação, sempre com um olhar criativo e estratégico. Fábio também ministra cursos de Branded Content na Faculdade Cásper Líbero. “A inovação é um movimento de sobrevivência no nosso mercado. Não acreditamos que exista um modelo de negócio na indústria da comunicação com boas perspectivas, onde não haja inovação. Temos tido muitas oportunidades, com clientes abertos ao compartilhamento de risco, de inovar em diferentes frentes, muitas vezes implementando plataformas que não existiam antes e que passaram a ser importantes para a experiência de comunicação das marcas que cuidamos. Nesse sentido, o nosso aprendizado tem sido que a inovação é um processo constante e coletivo”, afirma.

 

Fábio, o conteúdo atualmente ganhou mais relevância do que em anos anteriores para uma estratégia de comunicação bem-sucedida?

Sim, é verdade. Apesar do uso do conteúdo para promover marcas já ser feito há muito tempo, sua aplicação, nos últimos anos, tem consolidado um modelo de comunicação onde empresas, independente do segmento que atuem, passem a atuar também como empresas de mídia. Dessa forma, o conteúdo deixa de ser apenas um recurso pontual para divulgar produtos e serviços e assume um papel central na construção de marcas, conectando-se de forma mais genuína com suas audiências e, consequentemente, gerando valor para os negócios.

 

O que é fundamental num conteúdo que queira ter êxito?

Quando falamos de conteúdo de marca, é fundamental entender que problema da audiência o conteúdo se propõe resolver e qual é a autoridade da marca para responder a esse problema de forma autêntica.

 

Hoje o conteúdo tem a obrigação de ser multimídia?

Não vejo como uma obrigação. Embora o perfil das audiências, de uma forma geral, tenha ficado mais dinâmico. A escolha de ser multimídia vai depender do comportamento do público com quem iremos dialogar e do contexto onde essa conversa acontece. Às vezes, para uma audiência específica, pode funcionar apenas o conteúdo no formato áudio, enquanto para outra, você terá de oferecer mais opções de formato para que ela consuma aquilo.

 

Como atrair a atenção das pessoas num mundo com tantas opções e dispersões?

Vivemos a chamada “economia da atenção”, onde esse recurso está cada vez mais indisponível mesmo. Mas podemos procurar essa resposta observando um pouco os sites de financiamento coletivo, onde as primeiras pessoas atraídas para um projeto, geralmente, pertencem uma rede de contatos muito próxima com um interesse natural pelo que é proposto. Nessas plataformas, a atração não acontece de forma massiva e instantânea, mas a partir de uma primeira camada de pessoas engajadas.

Acredito que atrair a atenção das pessoas, para um qualquer conteúdo hoje, possa funcionar dessa mesma forma gradual, onde você submete seu conteúdo a uma rede próxima. Além de gerar respostas valiosas e rápidas sobre quanto esse conteúdo é relevante para sua audiência, havendo sinergia com o que foi exposto, essa audiência inicial poderá já endossar aquilo e convencer uma nova camada de audiência a compartilhar seus minutos de atenção com aquele material, assim aquilo vai ganhando escala.

 

Onde entra a criatividade nesse ecossistema em sua visão?

A criatividade é fundamental a todo momento. Desde a leitura dos dados para traduzir os anseios da audiência até na escolha da linguagem que será adotada para dar vazão a um determinado conteúdo. Não vejo que exista um momento da criatividade, a entendo como uma atmosfera necessária em todas as etapas e em todos os profissionais envolvidos.

 

Quais os principais pilares da Talquimy?

Para tudo que fazemos, nos pautamos em 3 coisas: Qual é a pergunta certa que traduz os desafios de comunicação que nos propomos resolver, quais são as histórias que melhor respondem a essa pergunta e como fazemos para que essas narrativas sejam catalisadoras de diálogos de valor para a audiência e para as marcas.
Talquimy

Multidisciplinar: Sede da agência de comunicação Talquimy (Foto: Divulgalção/AP)

 

Como a Talquimy vê o chamado branded content?

Entendemos como uma forma de atuar onde a comunicação não fica reduzida a uma ferramenta de divulgação ou relacionamento, mas se funde ao próprio negócio das empresas. Isso expande a função da agência para além da criação de campanhas, a colocando como desenvolvedora de plataformas narrativas que ampliem as possibilidades da marca em todos os sentidos.

 

O que te move como diretor de criação da agência?

Por ser também um dos sócios da agência, o que me move na criação é a possibilidade de descobrir e empreender, junto aos meus sócios e ao time, em novas formas para comunicar em diferentes universos. Quando conseguimos criar, respondendo a pergunta certa e entregando valor para as marcas e suas audiências, o processo de chegar nas ideias e tirá-las do papel se torna algo muito compensador.

 

Quais as suas principais inquietações na hora da criação?

Descobrir, de maneira bem específica, qual o desafio criativo que estamos resolvendo. Essa é uma inquietação central.

 

É desafiador juntar a comunicação digital, visual e viral num “caldeirão” tão efervescente onde estamos inseridos diariamente?

Independente do meio, formato ou do efeito que se queira, acredito que o grande desafio é fazer uma comunicação relevante para todos os públicos envolvidos no processo, seja o público interno das empresas, uma audiência segmentada ou uma massa de pessoas. O desafio é fazer com que todos, marcas e consumidores, vivenciem uma experiência de comunicação que faça diferença para eles.

 

Como a Talquimy lida com a inovação e o que essa inovação foi capaz de fazer pelos clientes da agência até o momento?

A inovação é um movimento de sobrevivência no nosso mercado. Não acreditamos que exista um modelo de negócio na indústria da comunicação com boas perspectivas, onde não haja inovação. Temos tido muitas oportunidades, com clientes abertos ao compartilhamento de risco, de inovar em diferentes frentes, muitas vezes implementando plataformas que não existiam antes e que passaram a ser importantes para a experiência de comunicação das marcas que cuidamos. Nesse sentido, o nosso aprendizado tem sido que a inovação é um processo constante e coletivo, somente possível com uma boa sintonia entre agências e clientes. Ninguém faz inovação sozinho.

Um vídeo da agência Talquimy

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.