Entrevista publicada em 13/01/2020 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“O empreendedorismo tem esse poder”
Elizabete Monteiro – Sócia-fundadora da rede Tio Coxinha

Elizabete Monteiro

Elizabete Monteiro começou inicialmente fazendo os salgados na garagem de casa e deixando em consignação em estabelecimentos. Montou também uma pequena barraca em uma feira semanal de Caraguatatuba (SP) para vender os salgados já fritos na hora. O sucesso foi tanto que o marido logo se uniu a ela e juntos investiram em um equipamento profissional para a produção. Com o grande número de vendas, os sócios decidiram abrir a primeira loja e mais duas logo na sequência, abrangendo uma área mais ampla em sua cidade. Em 2013, a partir da terceira loja, perceberam que gerenciar todos os pontos comerciais mantendo a qualidade seria uma tarefa complicada. Foi quando decidiram implantar o sistema de franquias da marca Tio Coxinha, dividindo o conhecimento e a responsabilidade com os franqueados. Hoje, a Tio Coxinha é especializada em salgados tradicionais como coxinha, kibe e risole, em tamanho mini e festa, além de sabores diferenciados como o ‘bolinho caipira’, famoso na região do Vale do Paraíba. A franquia já conta com 14 lojas localizadas estrategicamente nas cidades de Caraguatatuba, Ubatuba, Ilhabela, São Sebastião, São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba e Guarulhos. Em plena expansão, a marca fatura 3 milhões de reais ao ano e prevê alcançar a meta de 60 lojas franqueadas em 5 anos. “Acredito que me superar todos os dias seja o meu maior obstáculo”, afirma a empreendedora.

 

Elizabete, a palavra resiliência faz parte do seu DNA. Como essa resiliência se tornou o seu trunfo para o momento em que vive atualmente?

Desde a minha infância tive que aprender a lidar com situações adversas, dificuldades emocionais e financeiras. Acredito que a vida da empreendedora moderna se resume a isso. Queremos constantemente contribuir para um mundo melhor, porque você começa querendo mudar a sua vida e de sua família, e automaticamente você já começa a mudar a vida das pessoas que estão a sua volta. Isso dá uma sensação ótima. É saber que você não está nesse mundo apenas de passagem, você veio para deixar uma marca, uma história e um legado. E isso me motiva. Dinheiro é ótimo e se faz necessário, mas, o legado que você pode deixar na vida das pessoas, isso sim é extraordinário.

 

Quais os maiores obstáculos que tiveram que ser transpostos para você se estabelecer como empresária?

Acredito que me superar todos os dias seja o meu maior obstáculo. Eu fui uma babá que virou faxineira, que virou promotora de vendas e que se transformou em uma empresária. Eu e meu marido (que também é o meu sócio), viemos de uma família em que não se tem nenhum empresário, somos os primeiros a empreender. Então, mudar essa mentalidade não só minha, como da minha família, de que eu poderia fazer diferente, foi um dos primeiros desafios. Mas, como sempre gostei de desafios, essa também foi uma barreira que contribuiu e muito para que eu crescesse tanto pessoalmente quanto profissionalmente.

 

Fale um pouco mais sobre o nascimento da marca Tio Coxinha.

Nasci em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, tive uma infância bem humilde, mas, sempre enfrentei os problemas de cabeça erguida e buscando o melhor para mim. Desde muito nova eu já sabia que queria mais do que a vida oferecia e fui buscar: vendi verduras e legumes no bairro em que morava, para ajudar em casa e também cosméticos através de catálogos de marcas famosas. Durante muito tempo atuei como promotora de vendas, vendi trufas e cheguei até pegar emprestado com meu marido a quantia de R$ 6 mil para tentar empreender com máquinas de costura, negócio que não deu muito certo e acabou se tornando meu primeiro fracasso. Em meados de 2012, uma das minhas filhas estava para fazer aniversário e um dos meus sonhos era proporcionar a ela uma grande festa. Sem dinheiro e com muitas dívidas, decidi que faria o possível para eu mesma produzir todos os itens da festa e assim economizar. A ideia era inicialmente fazer 5 mil salgados. Comecei a produzir na garagem de casa, com bastante antecedência, e fui congelando a produção no próprio freezer.

Ao testar as receitas e chamar amigos e familiares para provar, eles acabavam perguntando se estava vendendo e claro, como eu estava sem dinheiro, acabava vendendo. A produção para a festa não ia para frente. Foi então que descobri que poderia fazer daquilo um negócio. Nascia ali a Tio Coxinha. Comecei inicialmente fazendo os salgados na garagem de casa mesmo e deixando em consignação em estabelecimentos. Montei também uma pequena barraca em uma feira semanal da cidade para vender os salgados já fritos na hora. O sucesso foi tanto que, além do marido, que já havia se unido a mim na sociedade há um tempo, chamei também um casal de sobrinhos para embarcarem no negócio. Juntos, investimos em um equipamento profissional para a produção dos salgados. Com o grande número de vendas, decidimos abrir a nossa primeira loja e mais duas logo na sequência, abrangendo uma área mais ampla na cidade. Em 2013, a partir da terceira loja, percebemos que gerenciar todos os pontos comerciais mantendo a qualidade seria uma tarefa complicada. Foi quando decidimos implantar o sistema de franquia da marca Tio Coxinha, dividindo o conhecimento e a responsabilidade com os franqueados.

 

Qual o principal pilar da sua empresa em sua visão?

Acredito que seja a paixão pelo negócio e o comprometimento. Nossa empresa nasceu para realizar um sonho de menina e para mudar a minha vida e a da minha família. Uma festa de 15 anos. Todo dia eu acordo e penso nisso. Quando vem as dificuldades, eu lembro o motivo que fez com que eu começasse essa empresa. Então, eu levanto e vou em busca de não só resolver todos os percalços, mas, também alcançar novos desafios que vem para me motivar.

 

Esse pilar foi acrescentado ou ele já era o seu norte de vida?

Esse pilar nasceu quando tivemos os nossos primeiros obstáculos, quando não tínhamos dinheiro para comprar os insumos para produzir os salgados, por exemplo. Eu consegui um cartão de crédito para comprar os insumos e realizar as encomendas e foi ali que eu percebi que não tinha mais volta, que aquela empresa já fazia parte da minha vida e que eu faria de tudo para vê-la dando certo.

 

Como funciona o sistema de franquias da marca Tio Coxinha?

Hoje, para abrir uma unidade de nossa rede é preciso um investimento no valor de R$ 100 mil. Trabalhamos com uma previsão de retorno de 12 a 18 meses e com lojas no modelo express, com opção de delivery. Não cobramos royalties e oferecemos total treinamento de marketing, financeiro, mídias sociais, manuseio de produtos, armazenamento, sistemas de gestão, limpeza e atendimento ao cliente, ou seja, todo suporte necessário para que a loja funcione. Hoje, nossa principal exigência é que nossos parceiros franqueados sejam comprometidos e engajados com o seu próprio negócio, tenha sede de conhecimento e de vencer, de fazer parte dessa família que chamamos de Tio Coxinha.
Tio Coxinhas

Empreendedorismo: A fundadora da Tio Coxinha, Elizabete Monteiro (Divulgação)

 

O que é necessário para se tornar franqueado da marca?

Se identificar com o negócio, no caso o ramo alimentício, ter comprometimento não só com si próprio, mas também com os clientes e com a marca.

 

Como tem sido a procura por parte dos franqueados?

Geralmente a procura vem através dos próprios franqueados, onde o cliente consome o produto e tem uma experiência na loja, vê ali uma oportunidade de negócio para a sua região. Nisso, eles entram em contato com a franqueadora, pelo site, para obter mais informações. Temos também uma equipe de vendas focada em conquistar novos parceiros.

 

O que é ser uma mulher de negócios num cenário ainda dominado por homens?

Apesar de saber que o ambiente de negócios ainda é muito machista e que muitas mulheres sofrem, todos os dias, diversos tipos de preconceitos, procuro não deixar que isso me afete. Sempre me posiciono como a empresária/empreendedora que sou, mostrando meu profissionalismo e porquê mereço estar ali. Se de alguma forma eu percebo qualquer tipo de desconfiança sobre minha capacidade, por ser mulher e eu vejo que alguém não confia em mim, eu mostro a ela que eu acredito em mim, e isso basta. E não deixo que isso me abale. Acredito que só assim, enfrentando de frente é que iremos conseguir acabar com essas diferenças. As pessoas só fazem com você o que você deixa elas fazerem.

 

Em 5 anos vocês pretendem ter 60 lojas franqueadas. Como esse crescimento foi previsto para chegar a tal número?

Através da formatação da franquia, fizemos o mapeamento de algumas regiões que queremos estar nos próximos 5 anos para ir fortalecendo a marca. Optamos por um crescimento em espiral, para a marca ir ganhando força e notoriedade aos poucos.

 

O que ainda falta para a sua empresa no mercado em que ela está inserida e que você encara como um desafio diário?

Hoje o nosso maior desafio é fortalecer a marca em outras regiões, assim como aconteceu na cidade de Caraguatatuba, que foi onde nasceu a marca. Sempre pensamos em como fazer com que tanto os clientes antigos, quanto os novos se apaixonem pela marca. Fazer com que ela fique conhecida e reconhecida no ramo em que atua. Temos consciência de que temos uma marca encantadora, que tem por trás gestores que sonham em transformar essa empresa numa marca reconhecida, fazendo com que o sonho de outras famílias se realizem, assim como aconteceu comigo, que é de ter o seu próprio negócio. Poder contribuir para que essas famílias tenham uma oportunidade de crescimento, tanto pessoal, quanto profissional. Quando você muda a vida de uma família, tudo que está a sua volta muda. E o empreendedorismo tem esse poder.

Um vídeo da rede Tio Coxinha

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.