Entrevista publicada em 06/10/2020 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Qualquer mudança requer esforços e riscos”
André Ramos – CEO da Mindify

André Ramos

A Mindify é um software complementar aos prontuários eletrônicos, que automatiza protocolos médicos, reduzindo a burocracia clínica, estimulando diagnósticos precoces. O resultado prático é a inédita geração de dados clínicos do mundo real de boa qualidade, o que é especialmente útil para a gestão pública, reduzindo a inflação médica utilizada como fator de reajuste para planos de saúde. Qualquer protocolo clínico pode ser automatizado com a Mindify. Alguns protocolos já automatizados foram feitos, em parceria com médicos da Universidade Federal de Goiás. É o caso dos protocolos de Oftalmologia, elaborados em parceria com o Dr. Marcos Ávila, presidente do Centro de Referência em Oftalmologia da UFG (CEROF). “A Mindify trouxe aos hospitais e clínicas o que há de mais moderno em termos de software e modelo de negócios da quarta revolução industrial, mas com a supervisão técnica de Profissionais da Saúde de referência. Com auxílio de especialistas criamos protocolos (guide lines) altamente aderentes à realidade clínica e conforme eles são utilizados utilizamos Inteligência Artificial (IA) para sugerir otimizações aos autores desses protocolos. Fazemos um processo de Aprendizado de Máquina (Machine Learning) supervisionado e assim trazemos os benefícios da IA com a segurança da prévia validação por profisisonais de referência”, afirma o CEO da Mindify, André Ramos.

 

André, as pessoas já perceberam que a quarta revolução industrial começou?

Na Saúde, não. Infelizmente ainda vejo hospitais cometendo erros que há muito foram superados em outros setores. Por exemplo, ao contrário da indústria ou da aviação, os hospitais carecem de sistematização de processos, carecem pela adoção de novos modelos de negócios e falham em compreender que a tecnologia, tal como a Inteligência Artificial (IA), é apenas mais uma ferramenta de apoio. A justificativa para não aceitarem a quarta revolução industrial são seus supostos riscos à vida, mas ao afirmarem isso deixam de considerar as falhas comuns que fazem com que milhares de pessoas morram por dia por falhas operacionais simples ou pelo crescente custo da Saúde que a deixa cada vez mais distante dos mais pobres.

 

O que você acredita que será dramático nessa revolução?

Qualquer mudança requer esforços e riscos. Para mim o mais dramático será ver tradicionais estruturas hospitalares sendo engolidas seja pela aquisição de grupos maiores ou pelo surgimento de startups com modelos de negócios revolucionários. Embora exista sim uma conotação negativa de um hospital tradicional fechando as portas por não reagir a tempo ao novo mercado, o ponto positivo é que a inovação tende a deixar a medicina mais barata, portanto, acessível aos mais pobres.

 

Como a Mindify surge nesse ecossistema?

A Mindify trouxe aos hospitais e clínicas o que há de mais moderno em termos de software e modelo de negócios da quarta revolução industrial, mas com a supervisão técnica de Profissionais da Saúde de referência. Com auxílio de especialistas criamos protocolos (guide lines) altamente aderentes à realidade clínica e conforme eles são utilizados utilizamos Inteligência Artificial (IA) para sugerir otimizações aos autores desses protocolos. Fazemos um processo de Aprendizado de Máquina (Machine Learning) supervisionado e assim trazemos os benefícios da IA com a segurança da prévia validação por profisisonais de referência. É um ciclo de aperfeiçoamento potencializado por IA e por remuneração aos profissionais parceiros que passam a receber royalties. Quanto melhor forem os protocolos, isto é, mais aderentes à realidade e mais os autores de protocolos ganham. No fim do dia, todos ganham, especialmente a Saúde.

 

Quais os principais pilares da startup?

Inovação continuada, colaboração e reconhecimento de pessoas.

 

Como tem sido a atuação da empresa nesse momento histórico e caótico em que estamos inseridos?

A Mindify nunca cresceu tanto. Estávamos preparados para reagir rapidamente frente a qualquer demanda por automação de protocolos médicos e o combate ao Covid-19 depende de automação de protocolos. Em apenas 3 dias lançamos nossa primeira versão que ajudou aproximadamente 40 singulares da Unimed a cobrirem uma carteira de mais de 3 milhões de vidas. Isso só foi possível pela abertura da Federação das Unimeds do Estado de São Paulo (Unimed-FESP) à Inovação Aberta. Nenhuma empresa do mundo tem mais capacidade de inovação do que o somatório de todas as demais, assim quem quer de fato inovar deve fazer como Samsung, Microsoft, NTT Data e Unimed-FESP, usar o que está pronto para ganhar mercado!

 

A Saúde é a área que mais investe em Inteligência Artificial em números absolutos. Em que momento isso se tornou claro para você e principalmente para o seu modelo de negócio?

Nosso negócio é novo, a empresa não. Há 10 anos já tínhamos clareza de que a IA para a Saúde seria o futuro. Inclusive, antes de nos tornarmos a Mindify já tínhamos feito vários testes e projetos com IA para a Saúde. Nosso negócio mudou há 3 anos, quanto deixamos de focar na Saúde Preventiva e Esportes para focar na área de diagnóstico e tratamento médico, fizemos isso buscando faturar. Tínhamos o objetivo de melhorar a Saúde e para isso nada melhor que a prevenção, certo? O problema é que encontramos dificuldade em fazer as pessoas pagarem por inovação para prevenção, fomos então obrigados a pivotar para área médica onde a percepção de valor era muito mais clara. Fizemos isso para sobreviver enquanto empresa, depois com mais caixa, quem sabe, voltamos a atuar com prevenção.
O CEO da Mindify

Tecnologia e Inovação: O CEO da elogiada Mindify, André Ramos (Foto: UFG/AP)

 

Qual a importância de se economizar o tempo dos médicos na estrutura de dados dos pacientes?

Várias pesquisas apontam o Prontuário Eletrônico como sendo a principal causa de estresse dos médicos, eles chegam a perder 70% do seu tempo em burocracia inerente à informatização. Ninguém se torna médico para preencher formulário. Nosso entendimento é que as equipes médicas, que incluem todos os Profissionais da Saúde, devem ter o máximo de tempo para os pacientes ou o máximo de tempo para atender mais pacientes. Assim estamos melhorando a qualidade, reduzindo custos e aumentado a oferta de serviços de Saúde. Não há outro caminho para engajar profissionais e reduzir os custos da Saúde senão enfrentando os gargalos da informatização e é isso que a Mindify faz usando IA e a colaboração de profissionais de referência.

 

Como a inovação é tratada pela startup?

Nós respiramos inovação. Dormimos pensando em como tornar nós mesmos obsoletos e acordamos colocando em prática esses pensamos. Em razão dessa postura estamos recebendo inúmeros reconhecimentos nacionais e internacionais referendando a problemática que tratamos, assim como nossas soluções. Dentre esses reconhecimentos estão:

Primeiro lugar no Brasil e segundo lugar mundial no concurso de inovação para Saúde da multinacional japonesa NTT DATA realizado em Tóquio em janeiro de 2020; Seleção para o programa de inovação aberta da UNIMED-BH em 2019; Prêmio de melhor startup para Saúde do SEBRAE e AMBIOTEC na Feira Hospitalar 2019, a maior da América Latina; Terceiro lugar no prêmio de Inovação da Roche Farmacêutica em 2018; Financiamento de projeto de pesquisa em IA aplicada ao diagnóstico de doenças raras de pulmão do governo da Inglaterra por meio do Global Challenges Research Fund (GCRF). Destaca-se que este financiamento é destinado para inovações de alto impacto global, de alto risco e que apresentem propostas inovadoras e equipes com nível de capacitação à altura dos desafios.

 

Já tem recebido propostas para levar o produto para fora do nosso país?

Sim, e ficou claro pra gente que a dificuldade de uso de prontuário eletrônico não é brasileira, médicos do mundo todo têm dificuldades o que indica que a Mindify tem um potencial global. Neste sentido já estamos em tratativas em Portugal, Inglaterra e Japão.

 

O que é fundamental para o sucesso de uma healthtech?

Resiliência. É muito difícil inovar na Saúde, pois, como citado acima, as pessoas têm muito medo, por sinal infundado, de errar. Logo dão pouca abertura para a inovação, para superar isso é necessário encontrar early adopters tal como a Unimed-FESP, Unimed-BH e HCor.

 

Como enxerga o futuro da Mindify no pós-Covid-19?

Com o Covid-19 ganhamos espaço e conseguimos provar nosso valor. Agora temos casos de sucesso contundentes e o mundo será nosso foco!

Um vídeo da plataforma Mindify

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo do Panorama Mercantil.