Entrevista publicada em 02/08/2019 por Eder Fonseca em Artes
 
 

“Reflexões internas alinham as observações externas”
Antonio Peticov – Pintor, desenhista, escultor e gravurista

Antonio Peticov

A Galeria Ricardo Von Brusky e Cacá Nóbrega apresentam a exposição “A Luz de Antônio Peticov”, com abertura dia 2 de agosto, a partir das 18h. No sábado, dia 3 de agosto, às 18h, a galeria promove uma palestra com o artista. Nascido em Assis, no interior do estado de São Paulo em julho de1946, viveu a sua infância em Cachoeiro de Itapemirim, no estado do Espírito Santo, mudando para São Paulo em tempo para a comemoração do IV Centenário da cidade, quando foi à inauguração do Parque do Ibirapuera, evento que muito o marcou. O início de sua adolescência foi vivido no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, ficando por lá até completar seus 14 anos. Foi nessa cidade, ainda maravilhosa, que ele descobriu a sua vocação artística ao conhecer Mario Sales Jr., o MARÇAL. A partir dos 16 anos, de volta à capital paulistana, divide seu tempo entre as Artes Visuais e o mundo da música tendo sido o responsável pela banda que viria a se tornar Os Mutantes. Exilando-se em Londres em 1970 transferiu-se para Milão no final de 1971 onde permaneceu até 1985, quando passou a residir e trabalhar em New York (lá permanecendo por outros 14 anos). Seu trabalho foi difundido mundialmente através de capas de discos e de livros assim como calendários, cartões postais e posters, geralmente associado às suas mostras. “A “Transformação do ordinário no extraordinário” sempre é totalmente atemporal”, afirma.

 

O que você trouxe da sua infância para o homem e principalmente para o artista que se tornou a posteriori?

O clima de hospitalidade e harmonia que reinava em minha casa onde meus pais construíam um lar.

 

A arte deve ter um papel social?

Sendo a arte a “Transformação do ordinário no extraordinário” o papel social que exerce é sempre da maior relevância.

 

Como você classifica a sua arte?

A manifestação física de uma curiosidade infinita.

 

Para você, a criatividade é oriunda de reflexões internas ou de observações externas?

As reflexões internas alinham as observações externas.

 

O que essa criatividade trouxe de singular para a sua obra?

Uma observação mais atenta do Universo que nos cerca.

 

Quais obstáculos devem ser removidos do caminho do artista para que ele encontre a sua singularidade?

Os grilhões em que o ego nos amarra podem obstruir a visão clara que deve iluminar um caminho singular, o seu.
O pintor

Singularidade: O pintor, desenhista, escultor e gravurista, Antonio Peticov (Foto: AP)

 

Buscar a atemporalidade em suas criações deve ser o caminho natural de um artista?

A “Transformação do ordinário no extraordinário” sempre é totalmente atemporal.

 

Suas esculturas em neon exibidas em Milão na década de 80, estão nesse grau de atemporalidade?

Passados quase 40 anos estou conseguindo, apenas agora, a perceber o seu grau de atemporalidade a partir do conhecimento da penetração que tiveram.

 

Que detalhes fazem o seu deleitar quando se lembra das criações dessas obras em especial?

Alguns tipos de “feedback” que obtive com a maciça divulgação de meus posters cujas imagens reproduziam as esculturas com neon. Em meados dos anos 80 a saudosa artista Amelia Toledo pediu que lhe desse uma cópia de meu poster “The Ladder”, porque sua mãe moribunda queria tê-lo em frente ao seu leito. Um pai que quis comemorar a reunião com um filho que não via há 14 anos escolheu o poster da escultura “Natura” como fundo para a foto que fez dos dois.

 

Qual o combustível para a continuação de uma carreira que é tão bem-sucedida como a sua?

Curiosidade focada.

 

Quais os principais equívocos e principais verdades que as pessoas cometem ao falar sobre a vida e a obra de Antonio Peticov?

Serei eu apenas “o carinha do arco-íris?”. Serei eu apenas “o rei do LSD?”. Que sou inquisitivo e generoso? Que depois de tanto tempo aprendi alguma coisa?

Um vídeo do pintor Antonio Peticov

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.