Entrevista publicada em 23/07/2020 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Somos uma empresa de cientistas”
Eugenio Caner – Sócio-fundador da Murabei Data Science

Eugenio Caner

A empresa de ciência de dados Murabei, está participando de iniciativas sobre monitoramento da pandemia do Covid-19, a exemplo da Antena Covid (em parceria com o Hospital Albert Einstein) e o Covid Radar (em parceria com a Serasa e diversas outras empresas). A análise de dados também tem sido amplamente utilizada pelos grandes clientes da Murabei, nos setores bancário, de e-commerce e mídia social no atual momento. Isso porque, em razão da pandemia, tem havido uma grande mudança na relação das empresas com os clientes e consumidores na oferta e consumo de serviços e produtos, afetando os processos decisórios. Dessa forma, a análise de dados vem contribuindo para as companhias se reposicionarem em termos de logística e oferta de seus produtos e serviços. Por exemplo, na área bancária, mudou a demanda pelos saques em caixas eletrônicos. Locais que antes tinham maior procura por cédulas de dinheiro foram trocados por outros. Ações de marketing também têm sido afetadas em função desse cenário atual e o fluxo de acesso a mídias sociais também modificou com a maior permanência em casa das pessoas e, logo, a busca por produtos e serviços. O sócio-fundador da Murabei é o engenheiro, Phd, Eugenio Caner, que nasceu em Cuba, mas desde o início da década de 1990 mora no Brasil, onde cursou Doutorado na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

 

Eugenio, como as empresas têm utilizado a análise de dados em seus negócios?

A análise de dados permite as empresas compreenderem como está a relação dos seus clientes com os produtos e serviços que oferecem e quais estratégias adotar a partir dessa leitura. É uma ciência que aproxima as decisões empresariais do método científico. Também é altamente útil para as ações de marketing, que podem ser traçadas considerando os dados sobre reações dos clientes aos estímulos de compra a determinados produtos e serviços, seja individualmente ou uma tendência de massa de consumidores.

 

A pandemia mudou esse comportamento em algum ponto?

Sim, pois, a movimentação dos clientes para suas necessidades de consumo alteraram como reação às medidas de isolamentos social. As pessoas passaram a ficar muito mais tempo em casa, bem como passaram a utilizar muito mais o acesso remoto aos portfólios das empresas. O fluxo de pessoas que era alto em determinado supermercado ou agência bancária, por exemplo, passou a crescer em outros locais, obrigando as companhias a reorganizarem sua logística para atender a essas necessidades. A análise de dados sobre essas variações no comportamento dos clientes tem sido fundamental para o reposicionamento das empresas.

 

Os setores bancários e de e-commerce são os que mais utilizam a análise de dados no momento?

Com certeza são dois setores que fazem uso da análise de dados com bastante intensidade e reforçaram essa verificação neste momento. No caso dos bancos, precisaram reprogramar a quantidade de cédulas nos caixas eletrônicos, pela mudança na movimentação das pessoas, assim como reavaliar o portfólio de produtos financeiros oferecidos, pois, as aspirações de seus clientes também sofreram impacto. O e-commerce teve um aumento exponencial por causa do acesso remoto e migração das compras nas lojas para o online, o que obrigou as empresas a se organizarem para atender o crescimento dos pedidos. A análise de dados está sendo fundamental nessa orientação. Mas não são apenas esses setores, temos também o de mídias sociais, altamente vinculado à análise de dados sobre navegação dos internautas, assim como na aplicação industrial para previsão de falhas de equipamentos, desvio da qualidade na produção, acidentes de trabalho, entre outras funções.

 

Como essa análise afeta o processo decisório dos consumidores?

O mercado de consumo se profissionalizou há algum tempo no Brasil. As empresas tomam decisões baseadas em perspectivas de consumo de seus clientes e esses podem aderir aos produtos das empresas tanto de forma racional, baseada em necessidades reais por determinado artigo, ou por impulso, de maneira completamente irracional. Por exemplo, quando alguém compra algo que não precisa e nem havia pensando antes, apenas reagindo a determinado impulso.

 

É possível prever o comportamento do consumidor ao analisar dados?

O marketing e a publicidade já trabalham isso há tempos, mas a análise de dados permite um passo à frente, ao mapear de forma científica essa relação e oferecer dados probabilísticos que podem tornar mais eficaz as decisões das empresas para cativar os consumidores alvo.

 

Quais os pilares que moldam a visão da Murabei como organização?

Somos uma empresa de cientistas, que amamos os dados e o método científico desenvolvido com ética e profissionalismo. Avaliamos que bolas de cristal e algoritmos mágicos não funcionam. Oferecemos uma visão científica capaz de entregar com objetividade e independência resultados corretos e coerentes. Ponto importante, acreditamos na interação simbiótica homem-máquina como um novo paradigma das análises. Ou seja, queremos aumentar a inteligência humana por meio da ciência de dados, nunca substituí-la por inteligências artificiais.
Murabei

Dados Exatos: O sócio-fundador da Murabei, Eugenio Caner (Foto: Divulgação/AP)

 

Voltando a análise de dados. Como o marketing tem sido transformado por essa ferramenta?

É uma relação dual, pois, o marketing e a análise de dados funcionam em tempos diferentes. O método científico demanda um certo tempo para amadurecer a análise e fornecer resultados mais próximos da realidade, ainda que sejam probabilidades. Esses resultados é que podem embasar as decisões de marketing. No entanto, os processos decisórios do setor de marketing muitas vezes tem de ser imediato, seja porque apareceu uma oportunidade a ser explorada com apelo publicitário ou em função dos próprios ritmos internos das grandes corporações. A beleza dessa relação é que, gradativamente, está havendo uma aproximação dos dois mundos, em que um pode aproveitar a experiência empírica do outro e avançar em suas ações.

 

Qual será a maior revolução desse campo e que ainda afetará grande parte da população?

Uma questão imediata é como a análise de dados vai operar no cenário pós-Covid, com a economia muito afetada e retração do consumo, devido ao desemprego. Estamos refazendo toda nossa programação e leitura de dados para compreender os fatores econômicos atuais que afetam a população e as empresas, de modo a embasar soluções para equacionar esse problema. Se conseguirmos ser bem-sucedidos nisso, já será uma grande revolução nesse campo.

 

Fale um pouco sobre a Antena Covid.

Antena Covid é uma bela iniciativa do hospital Albert Einstein, sem nenhum custo envolvido, da qual participamos. A ideia é compartilhar as necessidades dos gestores e médicos que estão na frente de batalha, bem como as soluções relacionadas com o uso do Data Science que possam ajudar. Por exemplo, entender os fatores que levam determinadas comunidades a ter uma incidência maior de contágio do que outras. Nosso aporte tem sido um grão de areia, mas sentimos orgulho disso.

 

Gostaria que também falasse sobre o Covid Radar.

O Covid Radar é uma iniciativa ainda mais ampla de mapeamento do Covid-19, liderada pelo Serasa, e com dezenas de empresas envolvidas, dentre as quais a Murabei. O intuito é de reunir fontes de dados para criação de análises e modelos matemáticos com foco na doença e na recuperação econômica. Dessa forma, podemos oferecer à sociedade, às empresas, às instituições do Estado e à população, em geral, apoio na tomada de decisões. Para nós, é uma honra poder fazer parte deste grupo.

Um vídeo sobre Data Science

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo do Panorama Mercantil.