Entrevista publicada em 06/09/2019 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Temos um mundo a ser explorado”
João Pedro Paro Neto – CEO da Mastercard Brasil e Cone Sul

João Pedro Paro Neto

João Pedro Paro Neto é graduado em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e possui especialização em Produtos pela University of Pensilvânia – Wharton School (localizado no estado da Califórnia, Estados Unidos) e em Marketing pela Northwestern University – Kellogg Graduate School of Management (também nos Estados Unidos). Antes de juntar-se à Mastercard, esteve por nove anos no banco Itaú, onde liderou a área comercial para clientes corporativos. Ele também teve passagens pelo Citibank, ABN Amro Bank e Interatlântico. “No Brasil, mais de 4.500 cidades já estão aptas a realizar este tipo de pagamento. Os setores que lideram o número de transações sem contato são as mercearias e supermercados, seguido pelas lanchonetes e restaurantes e pelos postos de gasolina. No comparativo ano a ano, entre dezembro de 2017 e dezembro de 2018, esse tipo de pagamento cresceu aproximadamente 10 vezes, saltando de 130 mil transações em 12/2017 para 1,4 milhão de transações em 12/2018. Globalmente, uma de cada cinco transações feitas de forma presencial é realizada com tecnologia por aproximação. Os pagamentos por aproximação são o método dominante de pagamento nos PDV na Austrália (92%), República Tcheca (84%), Geórgia (83%), Polônia (74%), Hungria (73%) e Chile (51%)”, afirma o influente executivo.

 

Estamos chegando ao fim da era do papel-moeda?

Finalmente chegamos na era dos pagamentos por aproximação. Porém, um dos grandes desafios do setor ainda é combater o uso do dinheiro e ampliar a penetração dos meios eletrônicos de pagamento. Segundo a ABECS – Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, apenas 34% das transações domésticas são feitas por meios eletrônicos de pagamento. Por isso, o nosso maior concorrente é o dinheiro físico, que ainda representa um alto custo para a sociedade.

 

Quais os maiores desafios para o fim do papel-moeda em um país tão complexo como o Brasil?

Segundo o Banco Central, apenas em 2017, R$800 milhões de reais foram gastos na administração do dinheiro (aquisição, acondicionamento e guarda, distribuição, seleção, destruição e outros), enquanto notas falsas representaram um rombo de R$36 milhões apenas no último ano. De acordo com estudo do Bacen, no comércio o volume de pagamentos em espécie recuou de 55% em 2013 para 50% em 2018, enquanto o uso do cartão de débito subiu de 14% para 20% no período. Embora o dinheiro ainda represente a maior parte das transações, o uso de outros meios não eletrônicos já vem caindo, como os cheques, cuja utilização caiu de 3% para 1%, seguido pelos cartões de crédito (de 26% para 25%).

 

Qual o futuro dos meios de pagamentos em sua visão?

Ainda temos um mundo a ser explorado em transações digitais. Para melhorar a experiência do usuário, aumentar a conversão de vendas e otimizar o e-commerce, estamos explorando o potencial dos pagamentos por aproximação, evoluindo o débito e apostando cada vez mais em transações seguras. Além disso, apostamos continuamente em modelos disruptivos de negócios com as fintechs.

 

Como a Mastercard encara esse desafio?

Conseguimos acompanhar o crescimento do mercado e estar sempre alinhados às necessidades de nossos consumidores. A evolução digital abre enormes oportunidades e desafios. Cada vez mais, o consumidor está conectado a dispositivos móveis, seja por meio do celular, tablet ou acessórios (wearables) e busca uma experiência de pagamento mais rápida, segura e sem atrito. As carteiras digitais já vêm conquistando um importante espaço no mercado brasileiro. Inclusive, um dos principais avanços da indústria de meios de pagamentos nos últimos anos diz respeito aos pagamentos por aproximação. Essa foi uma das pautas lideradas pela Mastercard e discutidas com todo o setor na ABECS. Os pagamentos por aproximação são um método rápido, prático e seguro para as compras do consumidor, porque oferecem a conveniência de fazer transações apenas tocando os dispositivos em um leitor habilitado.

 

Fale mais sobre isso.

No Brasil, mais de 4.500 cidades já estão aptas a realizar este tipo de pagamento. Os setores que lideram o número de transações sem contato são as mercearias e supermercados, seguido pelas lanchonetes e restaurantes e pelos postos de gasolina. No comparativo ano a ano, entre dezembro de 2017 e dezembro de 2018, esse tipo de pagamento cresceu aproximadamente 10 vezes, saltando de 130 mil transações em 12/2017 para 1,4 milhão de transações em 12/2018. Globalmente, uma de cada cinco transações feitas de forma presencial é realizada com tecnologia por aproximação. Os pagamentos por aproximação são o método dominante de pagamento nos PDV na Austrália (92%), República Tcheca (84%), Geórgia (83%), Polônia (74%), Hungria (73%) e Chile (51%).

 

Quais as maiores mudanças desse mercado nos últimos 10 anos e que tiveram um impacto brutal nos negócios da Mastercard?

Mais do que uma empresa de cartão de crédito, a Mastercard é hoje uma empresa de tecnologia para a indústria de meios de pagamento eletrônico, envolvendo soluções para emissores, adquirentes e lojistas. A empresa vem atuando especialmente com o desenvolvimento de soluções que aumentam a conveniência e a segurança de seus clientes tanto no mundo físico, como o pagamento por aproximação ou contactless, como no mundo digital, como o uso de biometria comportamental para a autenticação do usuário.
O CEO da Mastercard

Uma Gigante: O CEO da Mastercard, João Pedro Paro Neto (Foto: Divulgação/AP)

 

Qual a situação da Mastercard no Brasil?

O Brasil é o segundo maior mercado consumidor da Mastercard, atrás apenas dos EUA, um mercado cujo potencial de crescimento é gigantesco. Entender como a dinâmica do mercado opera, conhecer profundamente as expectativas e a forma como os clientes se comportam no ambiente digital e reconhecer o papel essencial da tecnologia e inovação nos permitem antever às principais tendências do setor e desenvolver produtos e soluções de vanguarda para a indústria de pagamentos eletrônicos.

 

Como o consumidor brasileiro tem lidado com o popularmente chamado “dinheiro de plástico?”.

Nós identificamos, através de pesquisas, que nossos clientes desejam serviços relevantes e uma experiência de compra mais simples e menos burocrática, ou seja, mais fácil. Por isso, trabalhamos para que a experiência de pagamento seja a mais simples, segura e inteligente em toda a jornada de compra, para que o consumidor possa dedicar seu tempo para atividades que realmente importam em seu dia a dia.

 

O que é vital para uma desenvolvedora de soluções digitais como é a Mastercard?

A empresa atua com foco no desenvolvimento de soluções que aumentam a conveniência e a segurança de seus clientes tanto no mundo físico, como o pagamento por aproximação, como no mundo digital, como o uso de biometria comportamental. Trabalhamos para fazer com que a experiência de pagamento seja mais simples, integrada, conectada e protegida. Para que onde existir uma transação, exista Mastercard.

 

Qual o norteamento da empresa hoje e que ainda a norteará num futuro próximo?

A Mastercard está se transformando em uma desenvolvedora de soluções digitais e já pode ser considerada uma empresa de tecnologia, pois, a Mastercard é mais que uma empresa de cartão de crédito, é hoje uma empresa de tecnologia para a indústria de meios de pagamento eletrônico, envolvendo soluções para emissores, adquirentes e lojistas. A empresa vem atuando especialmente com o desenvolvimento de soluções que aumentam a conveniência e a segurança de seus clientes, tanto no mundo físico, como o pagamento por aproximação, como no mundo digital, como o uso de biometria comportamental para a autenticação do usuário.

Um vídeo de João Pedro Paro Neto

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.