Entrevista publicada em 10/04/2019 por Eder Fonseca em Comunicações
 
 

“Todos nós temos as mesmas sementes”
Elias Awad – Jornalista, palestrante, autor e apresentador

Elias Awad

Elias Awad é formado em Jornalismo e Administração de Empresas. Depois de trabalhar por alguns anos na área comercial da Companhia Mineira de Metais, do Grupo Votorantim, ingressou no jornalismo. Como repórter, trabalhou nas principais emissoras de TV do Brasil (Band, SporTV, SBT e PSN). A atuação na área esportiva o levou a cobrir os principais eventos nacionais e mundiais, como Copas do Mundo, Eliminatórias Sul-Americanas, Copas Libertadores, Campeonatos Brasileiros e Estaduais de futebol, Pan-Americanos e outras modalidades. A partir de 2001 iniciou a carreira de escritor, especializando-se em biografias empresarias e livros de empreendedores. Alguns dos seus estrelados biografados são nomes de peso como de Samuel Klein (Casas Bahia), Mr. Fisk (Escolas Fisk), Domingos Rigoni (Movelar), Julio Simões (Grupo Julio Simões), Oscar Schmidt (basquete) entre outros. Em função da preparação do material e coleta de informações, viajou por várias cidades brasileiras e países, além de entrevistar inúmeras pessoas de destaque nacional e internacional. Com a experiência adquirida junto aos principais empreendedores do Brasil, Elias Awad desenvolveu palestras e um sistema de talk show para eventos. Em 2008, passou também a apresentar, na Rádio Eldorado, o programa BIOGRAFIAS, onde semanalmente entrevistou empreendedores de destaque.

 

Elias, para onde acredita que o mundo das comunicações está caminhando?

Certamente para um mundo rápido, ágil e impessoal. Hoje por recursos eletrônicos você encurta as distâncias do mundo e também entre as pessoas, que se comunicam sem nunca terem se visto. Mas é também um processo perigoso, pois, tudo que se faz muito rapidamente pode trazer toques de imperfeição. Não é uma regra, mas parte da mídia tem sido cada vez mais criticada e questionada, e em alguns casos tendenciosa, fugindo assim do papel de informar para formar opiniões. Sempre que atuei no dia a dia do jornalismo procurei colocar em prática umas das principais regras e normas: cheque antes de noticiar! Precisamos fazer mais isso! Um “furo” de reportagem não pode ser mais importante do que praticar a profissão na essência!

 

Quando era repórter imaginava o que está acontecendo nos meios de comunicação, principalmente o advento da internet?

Certamente eu tirei bom proveito dessa revolução e imaginava que o processo seria evolutivo, mas reforço que a velocidade com que tudo aconteceu e tem acontecido impressiona. Quem imaginaria que um presidente do Brasil seria eleito sem dar entrevistas para a TV Globo e sem se relacionar com a mídia? Acho que isso explica a força da internet e a mídia precisa também entender que talvez o que valeu para o passado, de ser o quarto poder, talvez não sirva para o presente e o futuro.

 

O que acredita que um bom repórter deve ter nos dias atuais?

Acredito que além de todos os pontos éticos e morais para a prática da profissão, onde novamente incluo a checagem da notícia e das informações com as fontes, o repórter deve ser impaciente, curioso, e sempre buscar fazer e descobrir a pergunta que o receptor da notícia faria se estivesse ao lado do entrevistado. Saber perguntar é uma das grandes virtudes do jornalista. Além, claro, de muitas qualificações, como falar dois ou três idiomas, ser culto, estar atualizado sobre o Brasil e o mundo…

 

Qual o principal adjetivo que não pode faltar na vida de um biógrafo?

Colocaria a palavra ética e tudo que ela traz conceitualmente, obrigando a agir com a verdade, clareza, justiça, informação correta, lisura… E o que considero muito importante: agir de uma forma que permita ao jornalista colocar a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos.

 

Em qual biografia teve a grata surpresa de ver que o biografado era mais do que esperava?

Sinceramente, em todos os meus livros, escrevo agora o 27.º (“José Aroldo Gallassini – Uma Visão Compartilhada”), houve uma grata surpresa ao conhecer não apenas o sucesso deles ou o resultado alcançado nos dias atuais, mas sim como tudo aconteceu. Meus biografados me permitem conhecê-los na essência de suas vidas. É apaixonante e enriquecedor! Cada personagem que biografei, como Samuel Klein (Casas Bahia), Celso Moraes (Kopenhagen, Lindt e Brasil Cacau), Affonso Brandão Hennel (Semp Toshiba e Semp TCL), Oscar Schmidt, Mário Gazin (Lojas Gazin e Gazin Holding), Mr. Fisk (Escolas Fisk e PBF), João Uchoa (Universidade Estácio de Sá) e tantos outros me surpreenderam e ensinaram demais!

 

Você levou algum ensinamento de um biografado para sua vida pessoal e profissional?

Inúmeros! São conceitos de vida e aprendizados riquíssimos tanto em motivação quanto em inspiração e que utilizo na atuação como escritor, palestrante e jornalista, como pai, como empreendedor, como amigo… enfim, em todos os “papeis” que, assim como eles, posso “representar” na vida!
O palestrante

Arrojo: O palestrante, apresentador, autor e jornalista, Elias Awad (Foto: Divulgação)

 

Qual a principal característica que esses empreendedores que foram biografados apresentam em comum?

Destaco a autoconfiança! Quando estão determinados em realizar aquilo que querem, não há nada que os demova da realização dos seus sonhos e objetivos! A pessoa pode não ter dinheiro para realizar algo, mas se tem atitude, as coisas acontecem. Agradeço a Deus por ter colocado esses gênios empreendedores no meu caminho e que buscam constantemente gerar riqueza, contratando tantas pessoas que constroem suas trajetórias profissionais, adquirem seus bens, viajam, criam e formam seus filhos…

 

Algumas dessas características é inerente a sua própria trajetória?

Acredito que ser arrojado, perseverante, empreendedor, criativo, entre outras características importantes e que constam nos empreendedores, sejam sementes que frutificam com o passar do tempo. Todos nós temos as mesmas sementes, mas em alguns elas “morrem”… porque falta “sol”, “adubo”, “regar”…

 

Você também é um entrevistador talentoso. Como o entrevistador pode retirar o melhor do seu entrevistado?

Obrigado pelas palavras gentis! O entrevistador deve pesquisar e conhecer a fundo seu entrevistado, praticar e desenvolver seu estilo de entrevista e, como já citei, saber perguntar! E prestar atenção na resposta! É na resposta que está muitas vezes a melhor próxima pergunta.

 

Motivação é algo interno ou externo em sua visão?

Acredito que seja algo que se encaixe nessas duas situações. Podemos acordar se sentindo extremamente motivados e dispostos a viver aquele dia intensamente e, certamente, assim acontecerá. Mas também podemos estar vivendo um momento de medo e insegurança, e aí devo buscar “ferramentas” para reverter isso, que pode ser por meio da leitura de um texto, de uma frase, das conversas com irmãos, pais ou algum amigo, assistindo a um vídeo… e, assim, transformar a insegurança em motivação.

 

Depois de biografar, entrevistar e viver as suas próprias experiências, como define a palavra sucesso?

Sucesso é aplicar com perfeição o somatório de conhecimento, perseverança, atitude, arrojo, religiosidade, criatividade, estratégia, realização de metas e objetivos, empreender na carreira solo ou como colaborador de uma empresa… Ou seja, não há apenas um tópico que explique o sucesso, mas sim a união de fatores. Da mesma forma, fracasso é a falta de perseverança, atitude, arrojo, religiosidade, criatividade, estratégia… Mas para concluir posso dizer que mesmo aplicando vários fatores para se chegar ao sucesso a “cereja do bolo” é amar o que faz! Posso afirmar que não há no mundo profissional mais realizado do que eu na profissão e isso torna a vida pessoal mais feliz! Busquei intensamente este estágio na minha trajetória e o encontrei há 15 anos. Ter sucesso é viver um dia a mais, e não um dia a menos!

Um vídeo do autor Elias Awad

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.