Entrevista publicada em 20/05/2019 por Eder Fonseca em Pensamento
 
 

“Transformação é um elemento da evolução humana”
Celso Braga – Sócio-diretor do Grupo Bridge

Celso Braga

Celso Braga é sócio-diretor do Grupo Bridge, psicólogo e mestre em Educação, pós-graduado em Psicodrama, Sócio-Educacional pela ABPS, além de ser professor supervisor pela FEBRAP. Acumula experiência de mais de 25 anos em desenvolvimento humano e projetos de conexões educacionais e inovação. É autor dos livros “A Jornada Ôntica” (2013), “O Hólon da Liderança” (2015), “Inovação: diálogos sobre a prática” (2016), “Inovação: diálogos sobre colaboração produtiva” (2017), “A Magia dos Sentimentos: 27 emoções para transformar sua vida” (2018) e recentemente lançou os livros em versão digital “Lifelong Learning – Aprender para a Vida” e “Empowerment – uma liderança que inspira”. É coautor também do livro “Educação para Excelência” (2010). No seu novo livro “Empowerment – uma liderança que inspira”, Braga destaca quatro maneiras de liderar ou influenciar pessoas: influenciar com autoridade, influenciar oferecendo suporte, influenciar de maneira consultiva e influenciar por desafios. Afirma ainda que o estado ideal é o equilíbrio destes quatro modelos na forma de atuar, a partir da ênfase e da maturidade que se deseja para cada time. “A vida conserva 70% e se transforma 30% sempre, este princípio é imutável. Então estamos sempre mudando, o que acontece é que por causa da tecnologia começamos a perceber esta situação mais efetiva e rapidamente”, ressalta o psicólogo.

 

Celso, gostaria que falasse um pouco sobre a sua carreira para quem ainda não lhe conhece.

Fui colocado numa posição de liderança cedo. Com 19 anos e 40 liderados. Quando estava me dedicando a construir uma carreira de especialista técnico estudando engenharia, trabalhar representava dinheiro para bancar a Universidade. Apanhando muito, levei dois anos para me tornar um líder mediano. Nunca fui líder quando pequeno ou na adolescência, então posso dizer que é possível aprender a liderança. Larguei engenharia, fiz minha formação em psicologia porque gosto de pessoas. Refletindo atualmente, vejo que minha vocação sempre foi ajudar pessoas a superarem seus limites expandindo seu potencial para serem mais ativas e felizes no tempo presente. Ao migrar para área de desenvolvimento de pessoas 30 anos atrás encontrei meu sócio no Grupo Bridge, Sérgio Cruz, e em 1995 fundamos as bases de tudo que fazemos no grupo Bridge hoje.

 

Quais os pilares que norteiam as realizações do Grupo Bridge até o momento?

Após alcançar 150 mil pessoas e mais de 40 mil líderes com nossos programas, temos a certeza de que ajudamos pessoas a encontrarem seu máximo potencial para pertencer e transformar ambientes profissionais e empresariais no caminho da excelência. Transformar culturas ajudando as pessoas a trazerem resultados para si e para os negócios é extremamente gratificante quando percebemos que são mudanças com grande profundidade.

 

Que missão considera ser a principal do Grupo no seu âmbito de atuação?

Nossa missão é ser a ponte entre grandes avanços tecnológicos e sociais com o avanço das pessoas, que são os agentes principais das mudanças, no uso de suas potencialidades.

 

Vamos falar um pouco sobre transformação. O que gera transformação em um mundo que muda rapidamente todos os dias?

Transformação é um elemento da evolução humana, cultural, tecnológica, social e ambiental. As transformações são movimentos inerentes à vida. A vida conserva 70% e se transforma 30% sempre, este princípio é imutável. Então estamos sempre mudando, o que acontece é que por causa da tecnologia começamos a perceber esta situação mais efetiva e rapidamente. Só que esta condição de vivermos em transformação está aí a milhares de anos.

 

Essas transformações devem ser irrigadas com quais estímulos externos e internos?

Perceber que estamos mudando, que o mundo está mudando, que tudo muda. Deve nós tirar de um conforto, de achar que não precisamos fazer nada, para entender nossa parte em influenciar as mudanças levando estas mais para o que desejamos que possa acontecer. Exemplo: um profissional que acreditava que sabia tudo há três anos, hoje percebe que tem muito para aprender e pode pensar melhor sobre onde quer estar e como.

 

Onde se encontra a inovação neste cenário?

Tudo é inovação. As pessoas pensam em inovação como ser o Steve Jobs, o Einstein, o distintivo. Mas inovar quer dizer fazer algo novo que você mesmo, ou a organização nunca fez, o que é ser novo e inovador. Definição dada pelo MCTI em 2011. Pense como é ser inovador para uma criança dar o primeiro passo. Claro que podemos pensar em novos produtos e modelos de negócio, etc. Fiz uma experiência com um time de auxiliares numa instituição financeira com pequenas ideias aplicadas ao cotidiano, que trouxeram em 15 dias, 7 milhões de reais em resultados. O que é inovar então? Usar nosso potencial para fazer algo diferente que nos leva a algo melhor.
O sócio-diretor

Desenvolvimento: O sócio-diretor do Grupo Bridge, Celso Braga (Foto: Divulgação)

 

Qual o papel do líder nesse ecossistema?

É aquele que está lá para incentivar, apoiar, ensinar, influenciar as pessoas para que usem individualmente e coletivamente o máximo de seu potencial. Para desafiar para que as pessoas acreditem que podem fazer uso maior de suas capacidades.

 

Você afirmou que os líderes têm pouco conhecimento sobre si mesmos. Por que isso ocorre?

Por causa da evolução, ser líder era usar o poder, depois ser o melhor técnico e agora o mais inspirador. Meu primeiro líder nunca me escutou, queria só que fizesse o que ele queria. Assim como os pais e professores da década de 60. Depois eu mesmo me tornei líder porque quase ninguém estudava num curso superior, no máximo um curso técnico que teve seu auge na década de 80 e assim saber um pouco a mais podia ser o grande diferencial, mas ainda era todo meio autoritário… imagina se falasse de algum tipo de emoção, você era considerado fraco. Na década de 90 times eram a tecnologia fundamental para qualidade, aí o líder começa a ter de lidar com conflitos e relações que são muito mais emocionais. Mas isso ainda era para poucas grandes empresas e instituições. De 2000 para frente o tema humano entra mais em jogo porque inovar tem a ver com outro lado do cérebro, mais intuitivo, mais participativo, as escolas viraram construtivistas, questionar é mais permitido e mais emocional. Me diga quem foi preparado para isto. Meu pai levou dois anos para contar aos amigos que eu fazia psicologia. Agora, os adolescentes acham status cuidar da saúde emocional e os líderes mais livres para achar que faz sentido aprenderem sobre as emoções de seus liderados, mas ainda não tanto sobre si mesmos. Estão aderindo ao coaching e mindfullness. Vai levar um tempo para aprender sobre quem somos.

 

Liderar e influenciar são duas características inatas?

Eu creio que seja fruto de aprendizado social, desde casa até o trabalho.

 

Como líderes e liderados podem evitar choques desnecessários e que comprometerão seus respectivos projetos?

O caso é não evitar choques e sim aprender a lidar com eles como naturais. Gerações, diversidade, culturais, etc. Está tudo aí, melhor lidar do que evitar.

 

O que o seu livro “Empowerment – uma liderança que inspira” pretende trazer para os seus leitores?

Se estou certo estamos na era da inspiração, todo mundo, fala mas não sabe o que é. O livro ajuda a aprofundar o assunto de maneira prática. Pessoas que se sentem mais empoderadas se sentem mais inspiradas. Se alguém utiliza mais de suas capacidades, entrega aquele gás extra na hora de fazer alguma coisa. No livro dou caminhos práticos para empoderar pessoas e times de maneira que se sintam iluminadas a serem melhores.

Um vídeo sobre o Grupo Bridge

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.