Entrevista publicada em 11/02/2019 por Eder Fonseca em Negócios
 
 

“Trump intensificou o nosso trabalho”
Jorge Botrel – Sócio da consultoria JBJ Partners

Jorge Botrel

Jorge Botrel é administrador de empresas pela FEA-USP com extensão pela Universidade de Turku (Finlândia), com MBA Executivo em Finanças pelo Insper e especialização em Vendas e Estratégia por Harvard Business School (EUA). Antes de atuar como consultor, trabalhou durante 17 anos em posições executivas pelas áreas Comercial, Marketing e Planejamento de Vendas e Operações, em empresas como Credicard, Vivo e Nextel, onde foi o Diretor Comercial Nacional, com uma equipe de vendas de mais de 2000 vendedores em todo o país, focados tanto no B2B quanto no B2C. Participou do planejamento e execução de planos de vendas com crescimentos anuais acima de 20%, elaboração de estratégias de segmentação de canais de vendas, alinhamento dos indicadores de performance operacionais e estratégicos e lançamento de produtos e serviços. Jorge é sócio da JBJ Partners. A empresa nasceu da percepção dos sócios da KC&D, empresa de consultoria empresarial brasileira atuando com sucesso desde 2005 no mercado brasileiro, de que existia um público capacitado cada vez maior, disposto a empreender nos Estados Unidos. Criando uma rede de parceiros que possuem mais de 10 anos de experiência no mercado norte-americano, a JBJ Partners nasceu com a missão de ajudar essas pessoas a terem sucesso nas suas atividades de empreendedorismo em território estrangeiro.

 

Jorge, como surgiu a JBJ Partners?

A JBJ Partners nasceu em Miami, há quase 3 anos, como um spin-off da KC&D, uma boutique de consultoria em gestão empresarial criada em 2005 em São Paulo, fundada pelo prof. David Kallas, que é um dos maiores especialistas em Planejamento Estratégico e Gestão Empresarial do Brasil. Percebemos que havia um interesse cada vez maior das empresas brasileiras explorarem o maior mercado consumidor do mundo e precisavam de ajuda especializada para isso. E junto com essas empresas, enxergamos também a necessidade de apoio que os donos e executivos dessas empresas, juntamente com suas famílias, precisavam para montar o seu plano de expatriação. Fizemos a lição de casa: começamos pequenos nos EUA, desenvolvendo primeiro know-how e networking, para depois investir mais forte em contratação de equipe e divulgação.

 

A fuga de cérebros do nosso país para os EUA tornou-se mais constante nesses tempos de crise?

Sem dúvida alguma. O perfil do brasileiro que vem para os EUA hoje é bem diferente do perfil de 10 anos atrás. O perfil atual possui mais famílias, profissionais com nível superior e uma boa parte com MBA, PhD, Mestrado ou Doutorado, que se planejaram bastante antes de virem para os EUA. Em pesquisa que conduzimos em fevereiro do ano passado, com 240 respondentes, brasileiros, em 20 estados diferentes dos EUA, o total de pessoas com Superior Completo ou acima, que vieram para os EUA nos últimos 4 anos, foi de 69% versus 61% de quem veio há mais de 4 anos. Se olharmos apenas os profissionais com Doutorado, Mestrado, MBA e PhD, esse número passou de 18% para 23%. São pessoas que poderiam contribuir imensamente com o Brasil, mas que pela falha do Governo em prover uma infraestrutura mínima para a população, optaram por começar uma vida nova em outro país.

 

Segurança é o principal definidor para essa procura por um ambiente mais propício para o desenvolvimento profissional e pessoal?

Sim, nessa mesma pesquisa, temos segurança sendo apontada por 56% dos pesquisados como o primeiro motivo para terem saído do Brasil, mais do que política com 47%, baixa qualidade de vida com 45% e instabilidade econômica com 45%. Em resumo, as pessoas estão cansadas de não terem a liberdade de andarem tranquilas pelas ruas e até mesmo de ficarem em casa, e não acreditam mais nos políticos brasileiros e na capacidade deles de mudarem esse cenário. Uma coisa que escutamos muito é que as pessoas não enxergam esse cenário mudando nos próximos 20 a 30 anos e elas desistiram de jogar contra todo o sistema já instalado e operante para tentar mudar esse cenário. Então, não resta alternativa a não ser se conformar com o caos atual ou começar novamente em um novo país.

 

O que o empreendedor precisa para se estabelecer legalmente nos EUA?

Morar e empreender legalmente nos EUA são 2 conceitos diferentes. Você pode ter uma empresa nos EUA e não necessariamente ter autorização para morar nos EUA. Abrir uma empresa, mesmo para um estrangeiro, é um processo fácil, rápido e barato. Em menos de 15 dias, apresentando apenas o seu passaporte, sem precisar vir aos EUA, e com cerca de US$ 600, você consegue ser dono de uma empresa aberta nos EUA. E o custo de manutenção dela também é baixíssimo. Isso começa a mostrar por que tanta gente pensa em empreender nos EUA. Já para a pessoa se estabelecer legalmente nos EUA, é preciso se enquadrar em pelo menos um das dezenas de vistos disponíveis. Apesar da grande variedade, apenas uma pequena parte das pessoas tem as condições para aplicar a um visto que lhe dê o direito de residir e trabalhar nos EUA.

 

Quais os maiores desafios que esse empreendedor encontrará na prática e no dia a dia do seu negócio em solo americano?

Apesar de ser fácil abrir um negócio nos EUA, o empreendedor irá enfrentar uma concorrência muito forte, o tamanho do seu networking em solo americano provavelmente será muito menor que o que ele possuía no Brasil, a barreira da língua para quem não tem um nível bom do idioma e por fim as barreiras culturais por falta de vivência no país. É preciso estudar muito, observar muito, existe um grande pedágio a ser pago para poder prosperar o seu negócio nos EUA. Nesse aspecto, entra umas das principais missões da JBJ Partners, que é ajudar no devido planejamento, pesquisa e investigação do mercado, visando mitigar os riscos de entrada no mercado americano. É uma consultoria que pode economizar muito tempo e dinheiro do investidor, por diminuir os riscos de surpresas com regras e leis de mercado e regulamentações locais desconhecidas para quem não está nos EUA.

 

Que mudanças ocorreram no setor de atuação da JPJ Partners depois da chegada de Donald Trump ao poder?

Na verdade, a chegada do presidente Donald Trump intensificou o nosso trabalho, pois, pessoas que antes pensavam em vir aos EUA para empreender ilegalmente com visto de estudante ou de turismo, agora sabem que encontrarão um ambiente mais hostil a esse tipo de infração e, com isso, procuram ajuda especializada para terem sucesso nesse projeto.
O sócio da consultoria

Empreendedorismo: O sócio da JBJ Partners, Jorge Botrel (Foto: Divulgação/AP)

 

Esse novo migrante tem o poder socioeconômico maior do que outros que foram atrás do sonho americano em anos anteriores?

Com certeza. Diminui bastante o volume de jovens solteiros que não tinham muito a perder e arriscavam a vir ilegalmente e passa a predominar o perfil de famílias que já acumularam um patrimônio razoável e vêm com plano A, B e C para os EUA.

 

Qual o valor que o empreendedor brasileiro terá que desembolsar para abrir um negócio nos EUA?

Se não houver necessidade de um visto para morar nos EUA (Ex: empresas que querem apenas diversificar os seus investimentos e contratarão mão de obra local para operarem nos EUA), não existe um valor mínimo de investimento. Se há a necessidade de um visto de residência, há opções a partir de US$ 100 mil para brasileiros que possuem dupla nacionalidade de alguns países que têm um tratado comercial com os EUA, que é o caso da Itália, Espanha, Alemanha, Argentina, Japão, entre outros. É o chamado visto E-2. Vale notar que esse valor de investimento não é algo determinado na lei e pode variar de analista para analista da imigração, mas é um valor que uma boa parte dos advogados se sentem confortáveis em recomendar, sem aumentarem demais os riscos de uma reprovação do pedido de visto. Se o brasileiro for dono de uma empresa no Brasil ou for um alto executivo da mesma, há opções dele obter um visto de trabalho nos EUA, caso exista um plano de montar uma empresa de um porte razoável nos EUA. Novamente, não existe um valor mínimo para esse investimento, mas temos visto os advogados recomendando pelo menos uns US$ 250 mil de investimento para que a estrutura realmente justifique um alto executivo e não apenas um gestor operacional para o negócio. Esse é o visto L-1.

E existe também o visto EB-5, onde com um investimento a partir de US$ 500 mil, que com eventuais taxas dos Centros Regionais e honorários advocatícios passa para uns US$ 575 mil, consegue-se aplicar diretamente a um green card e após 5 ou 6 anos pode-se receber o investimento inicial de volta. São estratégias diferentes para cenários diferentes, as quais precisam sempre ser discutidas com um advogado de imigração. Vale destacar que há outros tipos de vistos também, que inclusive não requerem investimento. São vistos baseados nos resultados do profissional ao longo da sua carreira, por exemplo. Pessoas que possuem uma formação acadêmica diferenciada (Ex: MBA), mais de 10 anos de experiência profissional, entre outros critérios, e que consigam demonstrar que o seu trabalho poderia beneficiar os EUA de alguma maneira. Os principais exemplos de vistos dessa natureza são o EB-1 e o EB-2 NIW.

 

Poderia nos falar quais os principais serviços oferecidos pela JBJ Partners?

A JBJ Partners é uma empresa de consultoria com o objetivo de ser “one-stop-shop” para os clientes que desejam empreender nos EUA ou montarem um plano de expatriação. Os principais serviços que oferecemos são: planos de negócio para processos imigratórios com investimentos acima de US$ 100 mil; projetos de consultoria estratégica para business development/internacionalização de negócios nos EUA; interim management: executamos todo ou uma parte do plano estratégico criado gerenciamento do projeto de expatriação/vistos, juntamente com advogados licenciados nos EUA; abertura de empresa nos EUA e concierge para apoiar a família nas principais etapas da mudança de país.

 

Quais as principais carreiras que estão em alta neste no momento nos EUA?

Os segmentos de tecnologia, inovação e saúde são os mais quentes no momento nos EUA. Posições como engenheiros de software e cargos correlatos têm uma alta demanda e não possuem pessoas suficientes para preencher todas as vagas abertas. Gerentes de produto e de Marketing, Creative Manager, Innovation Manager, também são posições com um alto número de vagas abertas nos principais sites de recrutamento aqui dos EUA.

 

O que aumenta as probabilidades de êxito para um brasileiro que queira investir nestas carreiras mencionadas acima?

Os EUA passam por um momento em que o índice de desemprego é praticamente inexistente. Quem quer trabalhar, dificilmente ficará sem trabalho. Mas, para isso, é importante ter o visto de trabalho, pois, é muito raro uma empresa patrocinar um profissional de outro país, a menos que ele realmente seja um ponto fora da curva na sua área de atuação. Depois disso, ter o domínio do idioma local e conseguir estabelecer uma rede de networking nos EUA também são passos fundamentais para se obter êxito no mercado. E, logicamente, estudo, muito estudo sobre a sua área de atuação.

Um vídeo do empreendedor Jorge Botrel

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Eder Fonseca

 
Diretor executivo e editor do Panorama Mercantil.